sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A "NOVA CLASSE MÉDIA" DA GLOBO



Por Alexandre Figueiredo

Sempre a velha mídia, querendo controlar o povo brasileiro. Não bastasse a "secular" domesticação das classes populares pelo entretenimento claramente patrocinado pelos barões da velha mídia, agora é a nova classe média o alvo anunciado pela atual fase da Rede Globo.

A Rede Globo que tirou Fátima Bernardes do Jornal Nacional, que através de um livro de Boni expõe sua mea culpa pela eleição de Fernando Collor e que planeja um seriado sobre o "funk carioca" é a mesma rede que agora acha que pode inventar a nova classe média brasileira.

Tudo isso se deve pelo temor, aliás, pelo pavor que a velha mídia tem dos efeitos das mobilizações sociais que acontecem no exterior. Se o povo lá fora é capaz de derrubar um ditador no Egito - Kadafi chegou perto disso, mas as forças da Otan chegaram primeiro e fuzilaram o cara - e um primeiro-ministro na Itália, além de causar uma violenta dor de cabeça nos executivos das bolsas de valores internacionais e nos líderes do G-7 e da União Europeia, há o risco do povo brasileiro derrubar os latifundiários e os políticos carreiristas daqui.

Por isso a Globo investe pesado na domesticação das classes pobres. Esse processo já estava em andamento, mas havia o verniz "social" que era vendido para as esquerdas, com o apoio da Folha de São Paulo, principalmente por conta do discípulo de Otávio Frias Filho e "funcionário" da Dinap, o jornalista Pedro Alexandre Sanches, que caiu de pára-quedas na mídia esquerdista enquanto a intelectualidade boboalegremente acredita no colonista-paçoca.

Pois a coisa está muito séria e o desgaste do brega-popularesco está a olhos vistos, e a mídia anda muito assustada com os novos rumos do país. Por isso ela reage através do entretenimento, já que ainda há muita gente, mesmo de esquerda, que faz vista grossa para as politicagens e o esquema jabazeiro que acontece no entretenimento midiático, visto boboalegremente por essa intelectualidade como se fosse "o moderno folclore pop transbrasileiro".

Vá entender o que isso significa. Mas o que se sabe mesmo é que a Rede Globo não quer ver escapar do seu poderio a emancipação natural do povo pobre menos miserável que, por conta de suas economias e das conquistas profissionais, consiste na nova classe média brasileira.

Essa nova classe média ameaça desagradar os barões da grande mídia, porque não são os "novos-ricos" da Era FHC, "fabricados" pelas loterias e pelo crediário, pobres jogados nos condomínios de luxo sem qualquer alteração de seu comportamento cafona e sub-escolarizado. Pelo contrário, é uma nova classe média que pretende superar sua inferioridade sócio-cultural, e busca aprender novos e melhores valores, em vez de ficar naqueles valores ao mesmo tempo estereotipados e caricatos da pobreza domesticada pela velha mídia, sobretudo TV aberta e rádio FM.

A Globo não quer isso. Por isso ela trabalha para transformar a atual classe média brasileira num clone dos "novos-ricos" de cerca de quinze anos atrás, para tentar minimizar os efeitos das novas conquistas sociais.

E a Globo fez de tudo para isso. Produziu um seriado que mistura Copacabana com cafonice, Tapas e Beijos, em clara cumplicidade com a Banda Calypso que gravou um sucesso de Leandro & Leonardo, o que dá o tom da obsessão "global" pelo brega-popularesco.

Agora a Globo quer fazer um seriado sobre o "funk carioca", tudo para fazer com que, dentro da concepção dos barões da grande mídia, a nova classe média "continue" tendo "cheiro de povo". Só que sabemos que esse populismo neoliberal é caricato, glamouriza a pobreza, o grotesco e quase nada contribui para a emancipação social das classes populares, cuja "evolução" pouco vai além dos paliativos de ordem sócio-econômica.

A atitude da Globo é um alerta para outra classe média, a dos intelectuais etnocêntricos, ou seja, os críticos musicais e cientistas sociais que exaltam o brega-popularesco. Eles vão tentar dizer que a associação da Rede Globo com o brega-popularesco é "mera coincidência" ou, quando muito, se trataria de uma "rebelião dos bárbaros no velho império midiático". Não convencerão com isso.

Até porque a cada momento se evidencia que essa aliança da velha mídia com bregas e neo-bregas se torna não um acordo de rebeldes com tiranos, mas um casamento feliz entre a pseudo-cultura "popular" e seus patrocinadores maiores, os barões da velha grande mídia.

É bom a nova classe média ficar de olho diante das novas armadilhas da velha mídia.

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