sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

LIVRO "PRIVATARIA TUCANA" É LANÇADO, SOB O DESDÉM DA VELHA MÍDIA



Por Alexandre Figueiredo

O livro que foi o pivô da crise eleitoral de José Serra, e cujo lançamento era prometido há um ano, finalmente foi lançado. É o livro A Privataria Tucana, do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Jr..

Ex-jornalista do Estado de Minas e atualmente na Rede Record, Amaury conta os bastidores da política do PSDB, mostrando documentos relacionados ao irregular processo de privatização de estatais feito na década de 1990.

O processo de privatização ocorrido durante o governo FHC, seja em caráter federal, seja estadual por parte de governantes do partido, revelou favorecimentos políticos ilícitos, e incluiu até mesmo a filha de José Serra, Verônica Serra.

O livro, que se baseia em informações fornecidas por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro do então governador paulista José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mostra também as ligações do tucanato com o esquema de corrupção do banqueiro Daniel Dantas, protegido do demotucanato e da velha mídia.

Além disso, mostra também uma sutil rivalidade política entre Aécio Neves e os paulistas Geraldo Alckmin e José Serra. Sobretudo entre Aécio e Serra, que chegaram a compor uma chapa "puro sangue" (na definição do partido), mas Aécio não gostou de ser jogado para ser vice na chapa.

A "privataria" envolveu desde corredores ferroviários até a telefonia, e o rol de irregularidades e falcatruas, além dos respectivos favorecimentos político-econômicos, mostra um esquema de corrupção que soa como um pesadelo para os barões da grande mídia.

A mesma mídia que deu muito cartaz aos livros que denunciavam a corrupção dentro do governo Lula permanece em silêncio absoluto em relação ao livro. Só a Rede Record e a Carta Capital darão ampla cobertura ao assunto.

Ironicamente, o interesse pelo trabalho investigativo que originou o livro veio quando Amaury trabalhava em O Globo, em 2000. E naquela época já se falava que o festival de privatizações havia sido feito com "dinheiro podre" (títulos sem validade).

Eu mesmo já via, nos noticiários da TV dos anos 90, o quanto a velha mídia queria tanto o triunfo da privataria. As reportagens eram verdadeiras historinhas de aventura, quando os estudantes e trabalhadores que protestavam contra cada privatização eram vistos como "vilões" e os comentaristas políticos e econômicos literalmente faziam torcida para a privatização dar certo. Pareciam espectadores de novela, torcendo para o mocinho (privatização) derrotar os vilões (proletários e estudantes).

Numa outra ironia, esses mesmos "urubólogos" ficavam omissos quando chegava a eles a informação de que as privatizações foram irregulares. No máximo, faziam cobranças para que as irregularidades fossem "contornadas".

Até Roberto Campos, o sacerdote do neoliberalismo conhecido como Bob Fields, havia, no final de sua vida, também feito cobranças de "transparência" nas privatizações. A direitona em geral achou a privataria frouxa demais.

Pois agora o livro de Amaury Ribeiro Jr. mostrará os bastidores da festa. E a repercussão do livro, daqui a algum tempo, indicará que a ressaca ainda não acabou. A promessa de publicação do livro já custou a derrota eleitoral de Serra e uma crise interna no PSDB. Seu lançamento pode causar outros efeitos devastadores.

É esperar e ver.

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