sábado, 10 de dezembro de 2011

LIVRO DE AMAURY RIBEIRO JR. NÃO É UMA BOLINHA DE PAPEL



Por Alexandre Figueiredo

O lançamento do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., que, sabemos, foi prometido há cerca de um ano atrás, durante a campanha de José Serra à presidência da República, e teve um efeito devastador na ocasião.

Mas isso era pouca coisa diante dos efeitos que poderão causar daqui a um tempo. Afinal, o livro era apenas uma promessa, poderia até mesmo não ter sido lançado, e mesmo assim a divulgação prévia de seu conteúdo causou um sério baque no PSDB, com a derrota eleitoral de Serra e com a crise interna nos tucanos, que envolve até mesmo rivalidades internas.

Consta-se que Aécio Neves estimulou Amaury a escrever o livro e divulgar os dossiês contra Serra. Aécio sente ciúme dos paulistas, uma vez que o neto de Tancredo Neves queria, ele mesmo, ser candidato à presidência, mas tanto Geraldo Alckmin, o hoje governador paulista, quanto Serra, não deixam.

A situação tornou-se tão grave que vários políticos do PSDB e outros do DEM e PPS, hoje partidos-irmãos do tucanato, resolveram sair destes partidos a partir da decisão de um deles, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, "ressuscitar" o antigo PSD que o AI-2 havia extinto em 1964.

Pois, lançado o livro, o escândalo poderá ser ainda maior. Será o fim do demotucanato? Não se sabe, mas a crise, violenta, atinge um grupo político que se autoproclamava de "centro-esquerda", até cerca de 20 anos atrás, quando se alinhou abertamente às ideias neoliberais que estavam latentes no seu ideário, principalmente na Teoria da Dependência desenvolvida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mas como a degustação não é suficiente para sentirmos o sabor de certas "paçocas", o direitismo do tucanato político só se tornou evidente quando FHC tornou-se presidente e, com fome e apetite selvagemente capitalistas, promoveu um processo voraz de privatizações, obsesso com a ideia de "Estado mínimo", de preferência anoréxico, como princípio maior de suas ideias de "desenvolvimento" do país.

As privatizações atingiram setores estratégicos, como a telefonia, e empresas nacionais fortes, como a Companhia Siderúrgica Nacional, e eram celebradas pela grande mídia como "medidas necessárias e urgentes para o desenvolvimento do Brasil".

A velha grande imprensa chegava mesmo a dizer que eram questões de vida ou morte para que essas empresas fossem privatizadas, porque, segundo sua visão, era assim que elas deixariam de viver no clientelismo funcional, e na morosidade administrativa e no inchamento do quadro de funcionários. Desculpas para vender empresas nacionais para consórcios que não seriam mais do que "laranjas" de grupos estrangeiros.

A divulgação do livro, fora a Rede Record (com reflexos no portal R7) e a Carta Capital - em breve a Revista Fórum, Brasil de Fato e a Caros Amigos darão espaço ao assunto) - a Folha de São Paulo, um dos panteões da velha mídia, divulgou o livro na sua "livraria" definindo-o como "polêmico".



Mas, no portal G1, das Organizações Globo, simplesmente o livro não existe. É como se a Globo vivesse num outro mundo, onde é um grande absurdo falar num livro que denuncie os "admiráveis" políticos tucanos, que tanto fizeram para o "desenvolvimento" do país.

Afinal, a coisa é muito séria, é uma derrubada em série de vários totens político-econômicos neoliberais. Seu principal episódio fica por conta de um grande esquema de corrupção que está por trás da onda de privatizações do governo FHC, a partir de um ex-tesoureiro do então presidente e de seu ministro da Saúde, José Serra, mais tarde prefeito paulistano e governador paulista.

Esse tesoureiro, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira, é que ajudava na "festa financeira" que ramificou os políticos tucanos a parentes, amigos e a gente como o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity e de longe um dos mais corruptos e ricos do país.

Ricardo Sérgio, conhecido como Mr. Big, arrumava um jeito de fazer com que todo o dinheiro desviado das privatizações fosse acomodado em "paraísos fiscais", ou seja, em depósitos bancários em países que cobram impostos mais baratos. A partir daí, a "lavanderia" financeira foi feita após o resultado de cada venda de empresas públicas para o capital privado e, sobretudo, estrangeiro.

Mas se percebermos bem, a corrupção tornou-se um esporte bastante praticado pelos tucanos que até o filho de Fernando Henrique Cardoso - não bastasse a filha de José Serra, Verônica Serra, e seu marido Alexandre Bourgeois, estarem bem entrosados na "ciranda" - , Paulo Henrique Cardoso, foi ser "laranja" nos negócios da Disney através de uma "parceria" acionária numa emissora de rádio.

A leitura do livro, com um total de 343 páginas e cerca de 320 de informações sobre os fatos apresentados, deve ser instigante - eu ainda não li o livro, vou folheá-lo em breve - e, sem a menor sombra de dúvida, nem se compara com as "bolinhas de papel" contra José Serra num comício no Rio de Janeiro, e que a "sabedoria" de Ali Kamel definiu como um "estranho objeto que feriu seriamente (sic) o (então) candidato".

Isso porque o livro de Amaury Ribeiro Jr. - o outro Amaury Jr., só que este não cuida de bastidores da hi-so, mas da corrupção política brasileira - será um lançamento que, ainda que seja tratado com arrogante desdém pela grande mídia, representará o ocaso e o inferno astral de um grupo político que levou o pensamento tecnocrático às últimas consequências e a serviço da corrupção político-econômica.

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