sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

GRUPO RBS ANUNCIA MANUAL PARA REAFIRMAR SEU PODER MIDIÁTICO



Por Alexandre Figueiredo

O Grupo RBS, do empresário Nelson Sirotsky, lança hoje seu "Manual de Ética e Autorregulamentação Jornalística", que já está disponível na Internet em arquivo PDF. A pretexto de defender um jornalismo que "busca a verdade" e diz assegurar a "informação independente" e a "opinião plural", um dos destaques do manual é a sua autorregulamentação jornalística, uma reação da empresa sulista à campanha de regulação da mídia.

A "autorregulamentação" segue como modelo o Programa de Autorregulamentação Permanente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidade representativa dos patrões da grande imprensa, e, na visão do grupo, visa "reforçar os compromissos com o público, a liberdade de expressão e a verdade".

Dotado de clichês da publicidade administrativa, o documento também fala em Sustentabilidade Empresarial, que segundo a visão do grupo, consiste em unir responsabilidade social da empresa com investimento social privado.

Mas é um discurso lindo para definir o seguinte processo: a reafirmação do Grupo RBS como poderoso império midiático da região Sul do Brasil, e a reação do grupo empresarial a qualquer mecanismo institucional de regulação democrática da mídia.

Embora use pretextos democráticos para justificar sua autorregulamentação, o Grupo RBS, numa estranha ênfase ao "direito de resposta" - que no fundo é um gancho para os donos e profissionais defenderem os interesses da empresa - , defende a autorregulamentação sob a clara intuição de expressar o poderio de jornalistas e donos em detrimento da sociedade.

Isso porque a regulação da mídia, vista como "censura" pelos donos da mídia, na verdade é um processo democrático com participação de movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis e outros grupos representativos das classes populares.

Por outro lado, a "autorregulamentação" é um processo suspeito, porque é a própria empresa que irá se "policiar", e com toda a certeza muitos abusos serão, em vez de combatidos, justificados.

Nota-se que o jornal Zero Hora, um exemplo típico do Grupo RBS, se preocupa mais em contratar jornalistas mais capazes de se adequarem aos interesses da empresa do que do simples ato de escrever e informar bem. O sítio Cloaca News não cansa de publicar erros grotescos cometidos por jornalistas de ZH.

Pois é essa a empresa que quer se impor como "séria" e "transparente". Mas que sempre atua a favor do poder econômico, seja para acobertar fraudes no Detran gaúcho, seja para dar coberturas "moderadas" para criminosos ricos ou para se omitir quanto a assassinatos de sindicalistas e militantes sociais no Sul do país.

Isso sem falar da defesa aberta dos desmandos da demotucana Yeda Crusius, ex-governadora do Rio Grande do Sul e uma espécie de José Serra de saias.

Pois, para um grupo que detém a hegemonia midiática no Sul brasileiro, sobretudo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a "autorregulamentação" é um processo suspeito. Tido como "democrático", é na verdade um projeto de autocensura e de reafirmação da concentração midiática do Grupo RBS na região.

Por isso a "autorregulamentação" não é mais do que um instrumento que o Grupo RBS usa para tranquilizar as elites e intimidar as classes populares, na medida em que a "opinião pública" mais uma vez é vista como um bem privado de uns poucos empresários, celebridades e jornalistas.

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