quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ESQUERDA NÃO É BLINDAGEM PARA A "CULTURA DE MASSA"



Por Alexandre Figueiredo

A transformação dos valores sócio-culturais no mundo inteiro não permite que a pasmaceira "cultural" da velha mídia tenha solução de continuidade através da blindagem feita pela mídia esquerdista média nos últimos dez anos.

A cada dia se mostram argumentos que contrariam e põem em contradição toda a campanha da pretensa "cultura popular" veiculada pela velha mídia mas apoiada abertamente por intelectuais festejados tidos como "de esquerda", sejam eles esquerdistas frágeis ou centro-direitistas enrustidos.

Essa solução de continuidade está clara nos seus argumentos, pois, apesar de tentarem desmentir que os "sucessos populares" da música, as popozudas, o noticiário policialesco e outros valores do grotesco brega-popularesco nada têm a ver com a grande mídia, é nela que eles encontram seu sentido de ser.

Nada dessa suposta "cultura das periferias" está fora dos interesses da velha grande mídia. Em algum cantinho da mídia dominante, há alguma dessas tendências aparecendo feliz nos seus mais diversos cenários.

O "funk carioca", símbolo máximo dessa campanha ideológica, a cada vez comprova a opção que escolheu depois de tanto tempo fazendo o jogo duplo da mídia esquerdista e direitista. Sem esconder seu namoro de longa data com as Organizações Globo, apesar de vender a falsa imagem de "ritmo dos sem-mídia", o "funk carioca" decidiu oficializar sua união com a "Vênus Platinada", sob as bênçãos de "bardos" como Luciano Huck, William Waack e Ali Kamel.

A cada dia se mostra o quanto textos de ideólogos como Paulo César Araújo e Pedro Alexandre Sanches nem de longe assustam ou causam nojo aos barões da grande mídia, que até se acham no direito de gracejar quando a intelectualidade média "de esquerda" endeusa tais "pensadores".

Nessa atitude que, sim, é boboalegremente exercida por essa intelectualidade, os "pensadores" da direitona brasileira, felizes com o poder persuasivo de Sanches, Araújo e seus consortes, arrumam condições para se fortalecerem moralmente para defender seus princípios medievais de cultura.

Pois, diante do falso maniqueísmo entre o brega-popularesco e da "cultura ilustrada", enquanto Pedro Sanches & Cia. convencem a intelectualidade a aceitar passivamente o "bundalelê" dominante como se fosse "cultura das periferias", nomes como Olavo de Carvalho e Carlos Alberto di Franco "ressuscitam" triunfantes no seu moralismo cultural, depois do teatrinho dialético feito entre as duas faces da mesma moeda midiática.

As esquerdas, por isso, depois se envergonham, chorando, quando descobrem que Waldick Soriano, Mr. Catra e Gaby Amarantos estão a serviço da centro-direita cultural e entram pelas portas das Organizações Globo e do Grupo Folha pela porta da frente. E levam bronca de ativistas sociais sérios, depois que descobrem que o "pagodão baiano", o "pagode romântico" e o "funk carioca" transformam o povo negro em estereótipos que equivalem a uma nova escravidão, feita pela velha mídia.

E pesquisando bem, dá para obter subsídios mil que contestem o que Sanches e Araújo dizem para "salvar" a tal "cultura de massa" das eras Médici, Geisel, Collor e FHC, agora sob uma blindagem pseudo-esquerdista.

Com fontes bibliográficas e consultar na Internet, questionamentos a essa pretensa "cultura popular" partem de argumentos colhidos de gente diversa como Milton Santos, Noam Chomsky, Umberto Eco, Carlos Estevam Martins, Glauber Rocha, Emir Sader, Venício A. de Lima, Eduardo Guimarães, Guy Debord, etc, etc, etc.

Se pesquisarmos, veremos o quanto é que o sentido de preconceito não está no lado de quem rejeita o brega-popularesco, mas antes em quem o apoia sob o pretexto de "romper com ele".

No próximo ano, certamente teremos novos questionamentos, novas situações, que mostrarão o quanto a choradeira "anti-preconceito" é, na verdade, cheia de preconceitos. E que, sob a falsa alegação de defender as classes populares, na verdade as combate, porque defende tão somente o mercadão estereotipador dominado por rádios FM, TV aberta e jornais "populares". Um mercadão que só coloca o povo pobre no circuito do consumismo, sem promover a verdadeira cidadania.

Por isso teremos que tomar cuidado. Existem "pensadores" como Sanches e Araújo que valem hoje como as Soninhas e Gabeiras de outrora. E que já começam a se preocupar com os "radicalismos" das esquerdas. Por enquanto, a intelectualidade média de esquerda dá ouvidos a eles, como se fossem "as vozes da sabedoria". Mas depois o direitismo oculto deles aflora e aí será tarde demais.

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