quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

BREGA NÃO ESTÁ FORA DO "SISTEMA", MAS BEM DENTRO DELE


A VELHA MÍDIA PARAENSE SEMPRE DEU O MAIOR APOIO AO TECNOBREGA OU TECNOMELODY.

Por Alexandre Figueiredo

O brega e seus derivados nunca estiveram tão hegemônicos hoje em dia. E como é possível negar essa hegemonia, achando que todos esses "movimentos" estão fora da mídia ou representam a morte da indústria fonográfica?

Só quem é ingênuo acredita que esses "sucessos populares" estão excluídos do grande eixo da velha grande mídia. Quando muito, eles não "acontecem" em âmbito nacional, mas sempre ganham espaço na mídia oligárquica, seja ela nacional ou regional.

Só mesmo a dor-de-cotovelo de "pensadores" como Pedro Alexandre Sanches para dizer, até com suspeita convicção, que os bregas são a "nova música alternativa" do Brasil. Aonde? Na casa da Carochinha? Está na cara que esse "universo" musical sempre foi hegemônico no mercadão brasileiro, apenas os preconceitos "sem preconceitos" da intelectualidade "divinizada" insistem em ignorar, até com certa arrogância.

Se o tecnobrega, o "funk carioca" e o "brega de raiz" soam novidade para uma geração de intelectuais de classe média alta tidos como "formadores de opinião", o problema é deles. Eles durante muito tempo ficaram isolados em seus apartamentos, ouvindo Chico Buarque até cansarem, e hoje estão muito cansados - seja no sentido da exaustão, seja no sentido do "movimento" Cansei - de ouvi-lo.

O aspecto hegemônico é claro. Seus sucessos rolam nas rádios de maior audiência em suas regiões. A maioria esmagadora delas controlada por grupos oligárquicos claramente conservadores. É só comparar alguns exemplos:

1) A Beat 98, que toca "funk carioca" e "pagode romântico", é controlada pelos mesmos irmãos Marinho da Rede Globo de Televisão, o que mostra o tom ideológico dessa rádio que só um tolo definiria como "alternativa".

2) A Nativa FM, que toca "sertanejo" e "pagode romântico", é controlada pela famiglia Camargo, a mesma que empastelou a cultura rock através da 89 FM paulista e cujo patriarca, José Camargo, já foi filiado à ARENA e ao antigo PDS. Sua franquia carioca é bancada pelos Diários Associados, do "condomínio" herdeiro de Assis Chateaubriand.

3) A Bahia FM, que toca "pagodão baiano", axé-music, "pagode romântico" e "forró eletrônico", é controlada por herdeiros do ex-governador e antigo senador Antônio Carlos Magalhães, o ACM.

4) A Rádio Arco-Íris FM, do interior de Minas Gerais, de propriedade do tucano Aécio Neves, toca "sertanejo" e "forró eletrônico".

5) A Rádio O Liberal FM, que sempre divulgou o tecnobrega ou tecnomelody, além de tocar outros estilos como "sertanejo" e "forró eletrônico", é de propriedade da famiglia Maiorana, poderosa oligarquia midiática do Pará.

6) O Grupo RBS, da famiglia Sirotsky, é um dos maiores divulgadores da "tchê music", "movimento" que mistura "sertanejo" e axé-music.

7) A Band FM, que toca "sertanejo" e "pagode romântico", é de propriedade da famiglia Saad, descendente do ex-governador paulista Adhemar de Barros.

São apenas alguns exemplos. Mas se garimpar, existirão outros, ligados a oligarquias regionais, incluindo até mesmo rádios comunitárias apropriadas por deputados estaduais. O que mostra o quanto o brega-popularesco, a suposta "verdadeira música popular", não está fora do establishment e nem de longe ameaça os interesses dos barões da velha mídia.

Muitos de seus ídolos até reclamam de barriga cheia da "falta de apoio" da velha mídia, mas ela sempre lhes arruma algum espaço. O mercadão popularesco é tão somente mercadão, movido por interesses financeiros, educado pela indigência radiofônica. É o "folclore brasileiro" segundo a visão dominante da velha mídia, voltado para o consumismo e para o marketing. Mas que em nada acrescenta à natural evolução cultural do povo brasileiro.

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