terça-feira, 27 de dezembro de 2011

BRASIL ULTRAPASSA INGLATERRA NO RANKING DO PIB. MAS AINDA É POUCO


MENOS, MENOS - Ainda falta muita coisa para o Brasil chegar ao Primeiro Mundo, como na melhoria dos serviços de limpeza em cidades como Nilópolis (foto), na Baixada Fluminense.

Por Alexandre Figueiredo

A notícia mais recente é que o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo, ultrapassando a Inglaterra. Embora a "urubologia" reinante na imprensa brasileira se preocupe demais com a derrota do Reino Unido, por conta da crise econômica de 2008, o crescimento da economia brasileira, no entanto, não pode ser superestimado.

Neste sentido, até que o ministro Guido Mantega tem razão, quando disse que o reflexo do crescimento econômico brasileiro só terá efeitos definidos dentro de 20 anos. Em todo caso, a economia brasileira cresceu, houve fortalecimento de empresas nacionais, há o aumento da inclusão de alunos pobres em cursos de iniciação científica e a melhoria gradual no ensino público básico e fundamental.

Além disso, a classe média cresceu, com a inclusão de pessoas que antes haviam feito parte do segmento D da pirâmide econômica. E nacionais como Petrobras e Vale do Rio Doce, além de bancos como Bradesco e Itaú, tiveram seus fundos de investimentos nas bolsas de valores bastante valorizados.

Mas evitemos o oba-oba da mídia mais "popular". É muito cedo para dizer que o Brasil se encontra no Primeiro Mundo. E não vivemos nos novos Anos Dourados. Pelo contrário, ainda temos um padrão cultural digno da Era Geisel, onde o setor "cultura popular" ainda anda preso aos ditames do mercado e da velha mídia, realidade que seus ideólogos tentam desmentir mas não conseguem.

No Natal em que eu passei na casa de meus tios, na Baixada Fluminense, notei que ainda há muita pobreza, sujeira, esgoto a céu aberto. E isso em uma região suburbana, mas localizada nos lombos do Rio de Janeiro, se "alimentando" de seus encargos políticos, já que até hoje não se pensou na volta da Guanabara e do antigo Estado do Rio de Janeiro.

Pois um Brasil que rachou o Mato Grosso ao meio, criando o Mato Grosso do Sul, que rachou Goiás e jogou o Tocantins para a Região Norte, além de quase ter dividido o Pará, não teve coragem sequer de cogitar a volta da Guanabara.

Niterói, sem a condição de capital, perdeu a infraestrutura e a visibilidade, e está cada vez mais caro se deslocar por barcas e ônibus para o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, o município, não pode cuidar de si mesmo, e ainda sofre com o cafajestismo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho. A Baixada Fluminense continua pobre, o resto do Estado é o resto do Estado, só os investidores é que gostam dessa "fusão" de 36 anos imposta pelo regime militar.

E fala-se de Niterói, tida como uma das cidades com "maior Índice de Desenvolvimento Humano", classificação dada por critérios duvidosos. Afinal, nem os supermercados conseguem repor os estoques com regularidade e o que se vê nos bairros do Norte e centro Norte e parte da Região Oceânica é pobreza, muita pobreza.

No interior, há os conflitos de terras, um mal que assombra o país há muitíssimo tempo, e mostra o grave problema da concentração de terras no país, que compromete nossa economia. E só agora a presidenta Dilma Rousseff começa a fazer desapropriações de terras, num processo lento de reforma agrária.

Culturalmente, o que se vê é que a dita "cultura verdadeiramente popular" não passa de empreendimento de verdadeiras oligarquias vinculadas ao entretenimento. Empresas de "agências de talentos", equipamentos de som, gravadoras regionais, gente muito rica, com fazendas, em certos casos até sonegando impostos, e enriquecendo às custas do jabaculê das rádios e das "parcerias" com estabelecimentos comerciais de grande porte e até com distribuidores de cervejas.

Mas a intelectualidade insiste em creditar essas elites como "gente pobre de marré de si". E isso é o grande problema. Eles defendem, no fundo, os barões do entretenimento, que são os mercadores e exploradores do lazer da pobreza. São apenas ex-pobres que se tornaram muito ricos, e hoje estão mais preocupados com o seu próprio mercado do que com a cidadania dos pobres, que apenas são seu "gado" consumidor.

Com uma "cultura popular" dessas, claramente defendida pelos barões da grande mídia, o povo não pode trabalhar seus valores sócio-culturais próprios. Embora seja tido hipoteticamente como "sujeito" desse entretenimento grotesco, ele não passa de mera massa de manobra dos barões do entretenimento.

Desse modo, a Inglaterra ainda continua na frente do Brasil. Lá chegaram com força os movimentos de ocupação do Brasil. Aqui, tivemos apenas manifestações pontuais que pouco acrescentaram à mesmice maniqueísta das vaquejadas, micaretas e "bailes funk" e das passeatas moralistas da direita.

Portanto, há muita coisa que mudar no nosso Brasil. É preciso evitar a euforia, porque o país pode deitar na cama com o entusiasmo da nova notícia. Nada disso. Até porque foi muito trabalho que fez o Brasil conquistar essa posição. E mesmo assim não foi fácil. Portanto, nada de festinhas, ainda é hora de trabalhar, e muito, para rompermos as desigualdades sociais.

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