terça-feira, 8 de novembro de 2011

REVISTA VEJA PRATICA TIRO-AO-ALVO CONTRA O BRASIL



Por Alexandre Figueiredo

A revista Veja não pratica jornalismo. Pratica panfletagem reacionária contra o país. Tudo o que representar progressos sociais e evolução para o Brasil causa repugnância aos principais "calunistas" de Veja, que mais parecem bonecos do imperialismo norte-americano.

Tudo bem, isso virou clichê. Afinal, a Veja não é mais grande coisa há uns 30 anos. Mas nos últimos anos foi demais, sobretudo pela sua ação golpista de promover denuncismo gratuito contra o Governo Federal.

Que, evidentemente, o governo Dilma Rousseff erra, é verdade. E que nos bastidores de sua equipe de governo podem haver focos de corrupção, isso é provável. Mas Veja se aproveita disso e, a pretexto de "combater a corrupção", quer pura e simplesmente derrubar um governo que não está de acordo com seus interesses particulares.

E faz isso da pior forma possível, atropelando as regras do bom jornalismo com um reacionarismo sem tamanho. Nem Carlos Lacerda havia chegado a tanto. Lacerda, que como governador do antigo Estado da Guanabara - constituído apenas da cidade do Rio de Janeiro - chegou a investir na rígida censura à imprensa, logo após a renúncia de Jânio Quadros, era um reacionário histérico e obsessivo, mas pelo menos era de inegável inteligência e talento de escrever e transmitir ideias. Mesmo nos seus delírios reaças ele tinha o dom da palavra, ainda que dissesse puras inverdades e grandes absurdos.

A revista Veja não. Ela parte para o reacionarismo seco, bruto, como se fosse um pitboy de papel. Destila mau humor e irritabilidade em suas páginas, e seus textos padronizados - alô Eduardo Paes, alô Alexandre Sansão, alô Jaime Lerner - parecem ser escritos por uma única pessoa, de tão parecidos e submetidos a uma só regra.

E pensar que o empresário do grupo Abril, Roberto Civita, havia sido editor da revista Realidade. Mas eram outros tempos, mesmo a direitona, naqueles primórdios "democráticos" do regime militar, tinha que ter uma compostura, e os jornalistas de esquerda que fizeram Realidade - alguns chegando a integrar a equipe fundadora de Caros Amigos, há 14 anos - tinham experiência, talento e jogo de cintura suficientes para não serem manobrados pela mídia nem pelo governo naquela época. Só sofreriam o peso da repressão de 1968 até o fim do AI-5.

E Veja, que havia sido bem conduzida por Mino Carta - hoje o homem que comanda a Carta Capital - , como uma revista Realidade menos ousada, dos anos 80 para cá virou um tablóide reacionário que atacava tudo e todos.

Das populações indígenas ao rádio AM, passando, evidentemente, pelo movimento dos sem-terra, a revista Veja quer combater tudo. Junto a isso, havia o apetite morbidamente sensacionalista de explorar mortes como as de Elis Regina e Cazuza.

A Veja é mau humor em quase todas suas páginas. O sábio humorista Millôr Fernandes até tentou uma coluna nela, mas não aguentou o reacionarismo dela e, em respeito ao trabalho de colegas e amigos, vários falecidos, havia saído da revista há um bom tempo.

Hoje Veja parece seguir com seu tiro-ao-alvo contra o Brasil escolhendo os ministros do governo Dilma Rousseff como seus alvos atuais. Depois do hoje ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva, e de outros antecessores já "derrubados", a "bola da vez" é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Independente deles terem ou não errado, Veja quer mesmo é derrubá-los, pelo simples ato de derrubar um governo aos poucos. Com uma fúria que vai contra qualquer regra profissional de um bom jornalismo.

Que Veja tenha direito de fazer o papel de oposição ao governo Dilma Rousseff, esse é um direito que o regime democrático, governado pela Constituição cidadã de 1988, garante plenamente. Nenhum jornalista de Veja será condenado por se opor à presidenta, como se opôs a Lula. Mas o problema é que essa oposição é feita de forma não apenas leviana, mas grotesca, mesmo, daí o termo de "calunistas" dado aos seus colunistas, num evidente trocadilho à palavra calúnia.

Veja, através de seus ranzinzas articulistas, já enfrentou muitas encrencas judiciais. Processos movidos desde o MST até o jornalista Paulo Henrique Amorim. E, quanto a coisa fica pesada demais, seus "calunistas" acabam recuando de medo, como valentões que veem o jogo se virar contra eles. Daí Diogo Mainardi ter saído do Brasil, se isolando numa residência luxuosa no exterior.

Por isso Veja tenta obter seus últimos lampejos de credibilidade através do apoio das aliadas Folha de São Paulo e Rede Globo, que ainda dão ouvidos - ou melhor, olhares - às páginas de Veja e acatar seu denuncismo duvidoso e antiético. Mas torna-se inútil, quando a revista mostra todo o seu radicalismo de extrema-direita em suas páginas, o que faz com que suas vendas caiam e sua linha editorial se torne caquética, rancorosa, apodrecida.

Veja continua resistindo, como fera ferida que tenta dar seus últimos urros. Mas ela cada vez mais mostra-se um péssimo veículo jornalístico, com Roberto Civita cada vez mais parecido com o rabugento Rupert Murdoch na sua tirania midiática desesperadamente paranoica.

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