sexta-feira, 11 de novembro de 2011

QUEM MUITO FAZ POSE DE VÍTIMA...


ESSA OS CAROS AMIGOS NÃO ESPERAVAM - MC Leonardo conectado com a famiglia Marinho.

Por Alexandre Figueiredo

Pode-se esperar credibilidade em fenômenos cujo "valor" se dá pela rejeição que recebem? Como é que alguém pode ser herói posando-se de vítima o tempo todo?

Na Música de Cabresto Brasileira, o braço musical da ideologia brega-popularesca, vemos ídolos de várias tendências fazerem pose de coitadinhos. Do falecido Waldick Soriano a Leandro Lehart, de Michael Sullivan à Banda Calypso, de Zezé Di Camargo & Luciano ao Grupo Molejo, todo mundo queria obter o reconhecimento fácil através da pretensa posturas de "vítimas do preconceito".

Mas a pose de coitadinhos acaba até mesmo indo contra o sucesso que eles obtiveram, pelo simples fato deles mais se preocuparem com a rejeição que recebem de alguns críticos do que pelas plateias que acumularam, ainda que pelo tendencioso processo do jabá, durante anos de carreira e muitos discos vendidos.

A manobra no entanto tem no "funk carioca" o exemplo mais radical e obsessivo. A toda hora os funqueiros tentam se passar por coitadinhos. Eles estão há duas décadas no establishment do entretenimento carioca e seus DJs-empresários estão podres de ricos, mas eles insistem em manter seu discurso de "vítimas", que já produziu seus clichês e por isso tornou-se repetitivo e chato.

Pois o "funk carioca" fica sempre nesse papo repetitivo. "Sou discriminado porque sou do povo", "sou rejeitado porque falo de favela", "sofro preconceito porque venho das ruas", "sou criminoso porque falo da vida dos morros", todo esse discurso politicamente correto que é veiculado na mídia de esquerda, enquanto na mídia de direita o ritmo tenta um marketing que promove comparações delirantes a movimentos sócio-culturais diversos que vão da Revolta de Canudos ao movimento Pop Art dos EUA.

É só colocar um CD de "funk carioca" para que toda essa choradeira fique em vão e que todo esse discurso de vítima seja visto não como um apelo humilde, mas como uma verborragia chata de se ouvir.

Afinal, será que versos como "papai chegou" (sendo "papai" um termo de conotação pornográfica) e "ela quer, ela quer pau" (que subentende um trocadilho entre sexo e violência doméstica), sem falar do "você, você, você quer mais melão" são "maravilhosas letras de protesto"?

Quanto ao som, o "funk" já é muito repetitivo, com o ritmo da "Eguinha Pocotó" evoluído para a mesma sonoridade do mesmo som de scratch do DJ, da balbuciação de um segundo MC ("tchuscudá, tchuscuduchá") e um MC titular vociferando baixarias.

Daí que não se pode criticar o "funk carioca" porque vão seus dirigentes e DJs chorarem "Isso, é isso, o funk sofre isso mesmo", "Critiquem o funk mesmo, é para isso que nós, coitados, servimos", "Isso, mete porrada em quem fala da periferia" e outras lamentações.

Só que isso em nada enobrece o ritmo. E causa até estranheza por tanta pose de vítima que fazem os funqueiros. Chega a um ponto em que esse discurso, que até pouco tempo atrás, seduziu até cientistas sociais e educadores, ficou extremamente chato. Como é chato o seu som, intragável como um chá de gingko biloba com prazo de validade vencido.

Nas cerimônias de formatura, quem faz muita pose de vítima em seus discursos para a plateia quase sempre as entedia e afugenta os espectadores, que veem no orador metido a coitado um grande chato insuportável. E olha que muitos desses oradores são gente bem melhor do que os funqueiros.

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