segunda-feira, 21 de novembro de 2011

QUANDO ATORES FAZEM ENCENAÇÃO ATÉ NA VIDA REAL


TAÍS ARAÚJO E LEANDRA LEAL - Aparição com a breguíssima Banda Calypso "coincidiu" com a escalação das duas no elenco de uma nova novela da Rede Globo.

Por Alexandre Figueiredo

Dois fatos põem em xeque a "espontaneidade" de atores de TV, e nos põe a pensar dos limites entre ficção e realidade, ou entre encenar e ser sincero, já que em nome de certos oportunismos, vale tudo.

Houve a aparente adesão de atores da Rede Globo à campanha contra a hidrelétrica de Belo Monte, um ato que eu só pude avaliar agora, porque ando ocupado escrevendo um livro. Certamente a causa é boa, mas fora algumas pessoas realmente engajadas como a atriz Letícia Sabatella, o protesto mais parece um "cansei" ainda mais confuso. Até porque há gente de direita envolvida na campanha, como a atriz Maitê Proença.

Recentemente, outro fato que põe em xeque a "espontaneidade" dos atores e atrizes de TV é a participação de Taís Araújo e Leandra Leal numa apresentação da Banda Calypso. O grupo paraense, centralizado na figura do casal Joelma e Chimbinha, é um daqueles nomes da mediocridade musical brega-popularesca que, se fosse uma piada, teria algum sentido de existência. Mas a Banda Calypso quer ser levada a sério, e até demais.

Pois a adesão de Taís e Leandra (o que, neste caso, destoa do perfil intelectualizado da filha de Ângela Leal) à Banda Calypso, no último fim de semana, "coincidiu" com o anúncio que as duas estariam entre as protagonistas de uma nova novela da Rede Globo, Marias do Lar, que já está em produção (o título, até segunda ordem, é provisório).

Provavelmente, a Banda Calypso deve também ter uma música na trilha sonora, o que se poderá saber mais tarde. Mas a prática de atores e atrizes aparecerem em eventos brega-popularescos - como "bailes funk", vaquejadas e micaretas - durante muitos anos foi um caminho obrigatório para o estrelato, o que mostra que existe um acordo tácito entre os barões do entretenimento, os barões da grande mídia e seus patrocinadores.

Até que ponto atores e atrizes são conscientizados ou não, é difícil de saber. Podemos crer, no entanto, que eles possuem um perfil medianamente intelectualizado, o bastante para repudiar tendências brega-popularescas que só aderem por cláusulas contratuais, mas muito pouco para realmente entenderem o drama que trará a hidrelétrica de Belo Monte.

Os dois casos de Belo Monte e da Banda Calypso seriam, portanto, duas faces opostas de uma mesma questão. E que, por trás da aparente adesão de atores e atrizes de TV, há o interesse dos grandes proprietários da mídia, que tanto num caso como em outro querem manipular a opinião pública.

No caso de Belo Monte, a questão nem está na oposição real a essa iniciativa, mas no uso dessa oposição para desqualificação, em vez da natural discordância, do governo Dilma Rousseff. É apenas um pretexto para derrubar e enfraquecer o governo Dilma, já que há uma diferença enorme em quem vê erros no governo mas o respeita legitimamente e quem quer apenas que o governo seja derrubado o mais rápido possível. Daí a artilharia da velha mídia que derruba ministros um a um.

No caso da Banda Calypso, a questão está no uso que a velha mídia faz do brega-popularesco, que não é mais do que sua cria. Afinal, essa "cultura popular" se valeu pelos mesmos paradigmas de controle social trabalhados pelos barões da grande mídia e seus lacaios.

A velha mídia criou uma "cultura popular" de mentirinha, enlatada e aditivada, para que a verdadeira cultura popular (hoje marginalizada ou, quando muito, restrita à preservação museológica) não floresça e faça o povo pobre se fortalecer e ameaçar o poderio político e econômico no qual se respalda a velha mídia.

Nem precisamos dizer que essa velha mídia, através de "laranjas" ideológicos como Pedro Alexandre Sanches, que continua servindo aos interesses de Otávio Frias Filho, forja um discurso "injustiçado" para o brega-popularesco, para que também não percebamos a verdadeira cultura popular que é realmente discriminada, por causa dos falsos "injustiçados" que num dia aparecem no Domingão do Faustão e no outro reclamam da "falta de espaço na mídia".

Em prol dos interesses dessa velha mídia, estão atores e atrizes que são jogados para um Cansei, para uma Marcha Contra a Corrupção, ou para causas aparentemente progressistas usadas apenas para justificar campanhas oposicionistas ferozes.

Por outro lado, são esses interesses que fazem também com que essas celebridades sejam jogadas para "bailes funk", micaretas, vaquejadas ou apresentações de Banda Calypso, tecnobrega etc, seja por mero compromisso de contrato, seja como forma de enganar a opinião pública, já induzida pelas rádios FM a engolir essa pseudo-cultura atribuída tão equivocadamente às periferias.

Se, para a velha grande mídia, a realidade é televisionada, ou melhor, totalmente midiatizada, onde a realidade é escrava da ficção, não sabemos então se o engajamento da maioria dos atores e atrizes de TV é realmente sincero ou não passa de pura encenação, se são eles mesmos como pessoas físicas ou se são mais personagens de sua carreira cênica e dramatúrgica.

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