segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O QUE FAZ A PSEUDO-ESQUERDA FALAR MAL DA DIREITA?


MARCHA DEUS E LIBERDADE - Os avós dos pseudo-esquerdistas eram mais sinceros no seu reacionarismo...

Por Alexandre Figueiredo

O que faz os pseudo-esquerdistas de QI neoliberal, com aparente despreocupação, dispararem ataques verbais ou textuais a ícones direitistas dos mais diversos, se eles defendem interesses e princípios semelhantes ao da pseudo-esquerda?

Esta é, no fundo, uma direita flexível, que só apoia o esquerdismo pelos enunciados, pelos lides - jornalisticamente falando - , mas repudia o esquerdismo pelos seus pormenores (e sublides). Se estivesse em 1964, seria capaz até de defender um atentado contra Jango, mas nos últimos dez anos defendeu "incondicionalmente" o presidente Lula pela suposta "inclinação natural para o esquerdismo".

Muitos jovens riquinhos, jornalistas neoliberais, professores reacionários, troleiros malcriados, funqueiros pseudo-militantes, enfim, toda essa fauna que vivia feliz na Era FHC, sem se preocupar com os transtornos vividos pelas classes populares, no entanto hoje parece que cospem nos pratos em que comem.

É só ver seus textos e comentários, e haja ataques a Fernando Henrique Cardoso e Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor e José Sarney. São os primeiros a dizer que a Rede Globo não presta, até com comentários exagerados tipo a Fátima Bernardes é feia, o William Bonner tem a língua presa etc. Disparam ataques contra quem for o direitista da hora, seja ele Marcelo Tas, Eliane Cantanhede ou Marcelo Madureira.

E por que eles se comportam assim, se isso poderá lhes causar problemas no futuro? Afinal, os pseudo-esquerdistas não serão marxistas a vida toda, e eles deixam claro que seu esquerdismo de fachada existe em prol de alguma vantagem, ou é feito pela pressão das circunstâncias. É, portanto, um "esquerdismo de conveniência".

O ataque que eles fazem aos ícones direitistas, aparentemente, pode se tornar uma medida suicida, na medida em que os avanços sociais - coisa que os pseudo-esquerdistas dizem apoiar, mas é a que eles têm muito medo - poderão se efetivar, e as pressões de um mundo em mudanças poderá trazer novas surpresas.

Pois a pseudo-esquerda se diz, por exemplo, solidária às classes populares porque, no Brasil, graças à velha grande mídia, o povo pobre é domesticado pela TV aberta e pelo rádio FM oligárquicos através do entretenimento brega-popularesco que intelectuais "vendidos", por eufemismo, definem como "cultura das periferias".

Mas se essa condição subordinada das classes populares acabar, e até empregadas domésticas vão jogar fora os CDs bregas e neo-bregas que consumiam, aí veremos como os pseudo-esquerdistas poderão agir.

Quando as mudanças são simples promessas e não passam de retórica, os pseudo-esquerdistas aplaudem, ovacionam, apoiam, falam mil maravilhas a favor. Mas se elas saem do âmbito do discurso para chegar à prática, os pseudo-esquerdistas são os primeiros a retomar o reacionarismo, como vulcões adormecidos que voltam à erupção.

Por enquanto, quando tudo está "sob controle" e o debate esquerdista ainda é muito restrito, os pseudo-esquerdistas juram que serão "esquerdistas a vida toda". Ficam felizes porque eventos como a revolta do povo líbio e o movimento Ocupar Wall Street só chega, quando muito, a países sul-americanos "mais europeus" como Argentina e Chile, enquanto no Brasil "movimentos sociais" só são "bailes funk", micaretas, vaquejadas e "aparelhagens".

Se isso de repente mudar e vier, por exemplo, um Ocupar Avenida Paulista, aí é que os pseudo-esquerdistas poderão virar o jogo, exibindo seu direitismo doentio. Os mesmos que pouco antes seguiam até o Emir Sader no Twitter e assinavam Caros Amigos e Carta Capital religiosamente.

Mas e os ataques aos ícones da direita? Isso não poderá colocá-los no isolamento ideológico? Aparentemente, eles combatem seus antigos aliados ideológicos, mas traem seus "aliados de ocasião", o que poderia deixá-los sem plano ideológico seguro.

Só que existem essas reviravoltas e os pseudo-esquerdistas geralmente viram a casaca sem problema. Podem criticar o Marcelo Madureira que eles abraçarão dentro de dois anos. Podem baixar a lenha no Emir Sader com o qual fingem sentir todos os amores possíveis.

Eles aprenderam com o jogo político-ideológico. O próprio fisiologismo político tem dessas manobras. Até Collor e Sarney eram inimigos. Daí que certos professores reacionários e pseudo-esquerdistas, ou certos críticos musicais enrustidamente neoliberais podem baixar a lenha em Marcelo Madureira, Marcelo Tas e o escambau, sem o menor escrúpulo, para depois pedirem desculpas e dizer que os tempos são outros.

Afinal, os pseudo-esquerdistas são espertos. Usam pretexto para tudo. Para seu pretenso esquerdismo, alegam que "apenas pensam diferente" e se acham no direito de serem esquerdistas desse modo. Mas, quando abandonam o esquerdismo de fachada e voltam ao direitismo, também arrumam outra desculpa, dizendo que a direita "tem o melhor diálogo".

A pseudo-esquerda só quer levar vantagem fácil.

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