domingo, 6 de novembro de 2011

O MACHISMO DO MR. CATRA


É O CALDEIRÃO - Os caros amigos Mr. Catra e Luciano Huck se encontram dentro da maior corporação da grande mídia, a Rede Globo.

Por Alexandre Figueiredo

Torna-se vergonhosa a atitude de certa intelectualidade frágil de esquerda, que entregou suas almas à direita cultural enrustida, de aplaudir certos fenômenos, que claramente são associados ao que há de mais retrógrado na sociedade brasileira.

Pois o funqueiro Mr. Catra, símbolo do suposto ativismo social atribuído aos funqueiros e vendido sob a falsa imagem de um "MC Créu de esquerda", despejou uma frase do mais puro machismo, colocando-o lado a lado de um Rafinha Bastos que mandou abraço para os estupradores.

Além de rebaixar a espécie humana ao instinto meramente animal, Mr. Catra ainda despejou uma frase que estimula a infidelidade conjugal: "Todo macho mamífero é um animal com várias fêmeas".

Juntando isso ao fato dele se apresentar sempre ao lado de dançarinas, símbolos da exploração da imagem da mulher-objeto que tem no "funk carioca" seu exemplo máximo, já dá para perceber o chabu que isso causa em quem realmente defende as causas sociais.

Pois, dessa forma, Mr. Catra ataca os movimentos sociais, numa verdadeira urubologia cultural. Desmoraliza as mulheres, rebaixadas a meros objetos sexuais "turbinados" pelo silicone. Desmoraliza a luta das mulheres pela melhoria de vida. Desmoraliza os homens de bem e o próprio caráter social das famílias, seja de que forma elas se formem.

A intelectualidade, infelizmente, se limitou a atacar o MC Créu como símbolo da vulgaridade e do grotesco que desafiam o mais flexível valor moral, mas se esqueceu que Mr. Catra faz algo pior. Perto do que o Mr. Catra faz, o MC Créu parecia um mero bobo-alegre.

Certamente grotesco e abominável, mas sem o perigo que seu concorrente - que lhe passou a perna e hoje "comanda" o "sucesso" - , Mr. Catra tentou se passar por "sem mídia", enganando os Caros Amigos enquanto estava abraçado a Luciano Huck nas telas da Rede Globo.

Enquanto os Caros Amigos, boboalegremente, acreditavam que Mr. Catra "seguia invisível nas corporações da grande mídia", o funqueiro estava em fácil e alta visibilidade na maior das corporações da grande mídia.

Mr. Catra estava no Caldeirão do Huck (aliás, é a partir desse programa que veio a gíria funqueira "é o caldeirão", que quer dizer "é o máximo"), no Multishow, no portal Ego, na Quem Acontece, só faltando estar abraçado a William Waack junto aos representantes do Departamento de Estado dos EUA, do qual o âncora do Jornal da Globo é seu pupilo. E faltava muito pouco para tal façanha, diga-se de passagem.

A intelectualidade de esquerda mais fácil se esquece do verdadeiro sentido das lutas sociais. Parece que, para ela, as lutas sociais só são boas quando acontecem longe daqui, seja em Trípoli, Nova York, Davos e Santiago, enquanto aqui só vale mesmo o consumismo do entretenimento popularesco comandado de forma não-assumida pela velha grande mídia.

Essa intelectualidade diz apoiar os movimentos sociais, as lutas dos trabalhadores, das mulheres, da gente humilde. Mas se enrola em mil contradições ideológicas escalafobéticas quando o assunto é cultura. Acabam defendendo o radinho e a TV portátil da empregada doméstica, a pretexto de defender a cultura dela, que no entanto está entregue à própria sorte.

Daí que tropeçam feio em certas abordagens. Bia Abramo defendeu as mulheres-frutas em detrimento das mulheres trabalhadoras e a Fundação Perseu Abramo tirou o texto dela do ar. Outra defendeu o machista Waldick Soriano e, criticada, choramingou citando Honoré de Balzac e Wilson Simonal para dizer, com certo orgulho, que "é contraditória".

Agora Mr. Catra esfrega seu machismo grotesco e vulgar na cara de quem viu nele um "importante combatente" pelas causas sociais. A direita cultural graceja, porque vê a esquerda sem uma pauta e um projeto de cultura popular e, por isso, entregue ao mesmo circo midiático que há muito alimenta as fortunas dos mesmos barões de mídia que atacam os movimentos sociais.

Como é que o "funk carioca" pode ser associado às causas sociais se ele agrada a mesma velha mídia que condena os movimentos sociais? Essa é uma boa questão para debate.

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