sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O "INTERESSE PÚBLICO" DE SÉRGIO CABRAL FILHO E EDUARDO PAES



Por Alexandre Figueiredo

Ontem à tarde ocorreu o protesto organizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Rio contra o projeto do deputado paraibano Vital do Rego, que prevê a redistribuição dos royalties dos Estados produtores de petróleo para outras unidades do país.

Ironicamente, Vital do Rego é do mesmo partido dos principais animadores do protesto, o governador fluminense Sérgio Cabral Filho e o prefeito carioca Eduardo Paes. O amplo protesto de 10 de novembro havia sido anunciado dias antes, incluindo uma enorme faixa colocada no prédio da Prefeitura do Rio, no bairro da Cidade Nova, bem aos olhos de quem passa pelo entorno da Avenida Presidente Vargas naquela área.

CAMPANHA ELEITORAL ANTECIPADA

Certamente a causa é boa, porque o dinheiro dos Estados produtores de petróleo não pode ser usado para sustentar Estados que não o produzem. Estes que buscassem outros recursos, que existem.

Mas o que se vê é que o protesto não passa de um grande espetáculo e pode mesmo ser uma campanha antecipada para as eleições de 2012, quando o grupo político de Cabral Filho e Paes, seja que candidato a prefeito carioca for (talvez até o próprio Paes concorra à reeleição) deseja renovar seu poder na Cidade Maravilhosa.

A propaganda e os artifícios seguem a mesma tática de quem dá esmola demais para santo, segundo o imaginário popular. Trens e metrôs de graça para quem quiser ir ao "protesto", espetáculos musicais, enfeites e tudo o mais de uma festa organizada não exatamente para beneficiar os cidadãos, mas para fazer vencer uma causa que, independente de ser ou não pelo interesse público, interessa sobretudo os políticos beneficiários.

Pois é isso mesmo que aconteceu ontem. Todo um espetáculo que, vemos, não foi mais do que um showmício antecipado. E tudo isso com o mesmo grupo político que se envolve em episódios desastrosos e trágicos, sejam os pobres que morrem nos hospitais da rede pública, sejam nos acidentes de bondes (hoje provisoriamente desativados e substituídos por ônibus) que também causaram seus mortos, seja pela repressão que, juntos, os dois políticos fluminenses impuseram a bombeiros e trabalhadores ambulantes.

Tudo isso sem falar das explosões de bueiros em Copacabana e da explosão de um restaurante mal-fiscalizado defronte à Praça Tiradentes. Ou então do desastre do transporte coletivo, cujos ônibus cada vez estão piores com o "novo sistema" de consórcios, com poder concentrado na Secretaria de Transportes e com padronização visual que funde a cuca de passageiros, sobretudo de gestantes, idosos, deficientes visuais e pobres de nível educacional precário.

Quando é conveniente, Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes são "solidários" ao interesse público. Mas os royalties em questão são por eles defendidos porque favorece seu esquema financeiro. Porém, quando não existe essa conveniência, os dois governantes simplesmente desprezam a sociedade, e, enquanto impõem medidas arbitrárias sem consultar a população (como na impopular e já fracassada padronização visual dos ônibus cariocas), relaxam nas medidas administrativas que poderiam ter prevenido tantas tragédias para o povo carioca.

E pensar que Eduardo Paes se lançou como o prefeito do choque de ordem. Deve estar chocado com tanta desordem que ele e seu padrinho político atual causaram no Estado do Rio. Eles terão que explicar tudo isso para os turistas em 2014. Até lá, veremos o que mais vai dar.

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