quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MULHER MAÇÃ USA PORTINARI PARA VENDER VULGARIDADE



Por Alexandre Figueiredo

A funqueira Gracy Kelly, conhecida como Mulher Maçã, é uma espécie de equivalente politicamente correto do pior da modelo Gisele Bündchen. A "musa" é uma entre tantas que exploram a imagem de mulher-objeto, bem ao gosto da fauna machista de nosso país.

A Mulher Maçã mostra que as musas da vulgaridade estão cada vez piores. Se antes tivemos a Carla Perez e as Sheilas do Tchan, hoje temos genéricas piores como Valesca Popozuda, Mulher Melão e Mulher Maçã.

Mas, como se tratam de uma musas "populares", ficam aparentemente imunes às críticas. Porém elas, mais do que a citada top model, prestam muitos serviços aos mais retrógrados valores machistas vigentes no Brasil, mil vezes mais do que a sra. Tom Brady.

Ela, que entre outras gafes, afirmou que os seios aumentaram depois de receber tapas no rosto num tratamento, disse que o falecido Steve Jobs era um "gênio de muitas modernidades", além de atribuir, erroneamente, o apelido de Mulher Maçã aos tempos de adolescência, agora foi escalada para "exibir" as pinturas de Cândido Portinari no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Exibindo um certo pedantismo, a funqueira e mulher-fruta declarou que "ficará nua" para "mostrar cultura para a população", quando na verdade ela apenas fará o serviço dos carnavalescos que organizarão o desfile, previsto para 2012.

Fica parecendo, para o incauto, que a Mulher Maçã é uma expert em arte moderna, o que não é verdade. Para ela, tanto faz se Cândido Portinari existiu ou não, da mesma forma que Solange Gomes não quis saber quem foi ou não foi José Saramago. A funqueira não será divulgadora da arte de Portinari, mas apenas um veículo alegórico a mais, a serviço dos organizadores do desfile.

A Mulher Maçã apenas usará a pintura de Portinari como gancho para a já repetitiva vulgaridade corporal, de glúteos e peitos "avantajados" de "musas" que não têm o que dizer. Terminado o espetáculo, ela voltará às mesmas noitadas, aos mesmos eventos de breganejo e sambrega e aos mesmos flertes-relâmpagos com jogadores de futebol que alimentam as páginas da imprensa jagunça do Brasil.

Portinari teria vergonha disso. Mas talvez nem Di Cavalcanti iria gostar.

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