quinta-feira, 24 de novembro de 2011

JOSÉ ARBEX CUTUCA A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA



Por Alexandre Figueiredo

É o próprio editor de Caros Amigos se lançando contra certas "paçocas" com gosto ruim de jabaculê (e, crê-se, da DINAP da famiglia Civita amicíssima da outra famiglia, os Frias).

Pois mais uma vez a abordagem esquerdista de Caros Amigos vai contra um dos colunistas que escrevem para a revista, Pedro Alexandre Sanches, que é um dos símbolos mais recentes da intelectualidade que, a pretexto de defender uma tal "cultura das periferias", defende na verdade o mercado dominante de entretenimento respaldado pela velha mídia e que promove a glamourização da pobreza.

Essa intelectualidade, que aqui se define como intelectualidade etnocêntrica, adota, de forma explícita, o mesmo procedimento criticado por José Arbex Jr., cujos comentários contra o "funk carioca", no fundo, fazem arrepiar outro colunista ideologicamente alienígena de Caros Amigos, MC Leonardo, também colunista do jornal Expresso (Organizações Globo) e, como funqueiro, foi "redescoberto" pelo cineasta José Padilha, articulista do Instituto Millenium.

Em artigo recente em Caros Amigos, José Arbex Jr. condena a manutenção da pobreza sob o verniz "humanista". É o que justamente faz a intelectualidade etnocêntrica e "divinizada", que arranca aplausos passivos das plateias emocionalmente frágeis.

Notemos, por exemplo, o que essa intelectualidade pensa nas favelas. Elas, na verdade, são construções provisórias, desumanas, forçadas pelas circunstâncias. Mas a intelectualidade - sobretudo os ideólogos do "funk carioca" - define "favela" como se fosse uma residência definitiva, uma arquitetura "pós-moderna" dotada de autossuficiência sócio-econômica e cultural e cujos dramas sociais "existem", mas são "facilmente resolvidos".

É uma maquiagem teórica, metodológica, que transforma áreas problemáticas em "paraísos". A favela, para a intelectualidade etnocêntrica, torna-se uma espécie de "olimpo" de uma visão "positiva" da barbárie e do mau-gosto que essa elite "pensante" atribui às classes populares.

Dessa forma, a transformação das classes populares em "bons selvagens" e "dóceis bárbaros" é uma forma de legitimar as desigualdades sociais sem que defenda as mesmas num discurso mais explícito. Pelo contrário, com a sutileza dos discursos, maquia-se a situação, dizendo que a pobreza "acabou" com a inclusão do povo pobre no mercado do consumo e do entretenimento, como se uma parabólica e uma TV a cores necessariamente trouxesse cidadania aos subúrbios.

Mas, não é assim. As desigualdades continuam e os deslizamentos de terras, tiroteios entre bandidos, repressões policiais etc não existem no "mundo ensolarado" do brega-popularesco e dos ídolos bregas e neo-bregas que sorriem feito bobos mas se dizem "vítimas de preconceitos".

Nos subúrbios, reina a paz e a inocência, e a intelectualidade etnocêntrica tenta enfatizar essa ideia paradisíaca para evitar que movimentos sociais realmente sérios - ainda que incluam humor e algazarra - , tipo o Ocupar Wall Street, tenham equivalentes no Brasil.

Daí que inventam falsos e inconvincentes "equivalentes" ao Ocupar Wall Street como o Rio Parada Funk, os festivais de tecnobrega, o Salvador Fest e por aí vai. Tudo isso, tão bondosamente comentado, no entanto visa ridicularizar os movimentos sociais, afastando do Brasil seus efeitos.

Dessa forma, Pedro Sanches e sua turma "espetacularizam" os movimentos sociais, reduzindo-os a mero entretenimento passivo e abrindo espaço para uma reação da extrema-direita, com seu Cansei e com as pregações de um Leandro Narloch, Reinaldo Azevedo e do "estrangeiro" Olavo de Carvalho.

Desse modo, a centro-direita cultural travestida de "esquerdista", engana os caros amigos com a glamourização da pobreza e a espetacularização dos movimentos sociais, enquanto abre o caminho para a extrema-direita cultural voltar arrotando moralismo, "cheia da razão".

É preciso pensar a pobreza sem delírios lúdico-espetaculares. A pobreza sofre, e não é o consumismo e o entretenimento que resolverão as desigualdades sociais. Como também outros paliativos não resolverão. O problema é muito mais difícil para que ele seja resolvido com "paçocas" jabazeiras que os caros amigos tão boboalegremente leem às pressas e aplaudem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...