quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"FUNK CARIOCA" É O NOVO CABO ANSELMO


"PAPAI CHEGOU" - Não é o Papai Noel, mas o Cabo Anselmo dando lições de pseudo-esquerdismo.

Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" é o novo Cabo Anselmo. O discurso de defesa do ritmo, no sentido ideológico, reproduz exatamente a campanha feita pelo sargento José Anselmo dos Santos para seus colegas da Marinha do Brasil, em março de 1964.

Dotado de pretenso esquerdismo, o discurso de Cabo Anselmo justamente adotava o tom de pretensa vítima de supostas injustiças, buscando convencer a opinião pública de que ele era um coitadinho.

Usando toda a classe de militares de baixa patente, Cabo Anselmo tentou convencer a todos com seu discurso sentimentalóide, que enganou até o presidente João Goulart, que, anistiando os "rebeldes" depois de serem presos, deixou a senha para os militares lançarem o golpe e a consequente ditadura.

Depois, Cabo Anselmo, a pretexto de ter se "desiludido" com a guerrilha armada, tirou sua máscara esquerdista. Oficialmente, ele "deixou de ser" de esquerda, mas, na verdade, Cabo Anselmo nunca foi uma pessoa de esquerda. Desde 1964 ele estava a serviço do imperialismo norte-americano.

Posar de sofredor é o meio mais fácil de seduzir a opinião pública. À menor crítica que o oportunista de plantão recebe, ele logo dispara, posando de coitadinho: "Isso mesmo. Sou rejeitado, sou perigoso porque falo a verdade (sic), sou insuportável porque penso no povo (sic), sou abominável pela causa que defendo".

A falsa modéstia é a estratégia. Com um discurso sentimentalóide, repetido que nem mantra, o funqueiro de hoje, moderno Cabo Anselmo de hoje em dia, seduz a intelectualidade esquerdista mais frágil que acaba se tornando refém do poderoso lobby dos DJs-empresários do gênero.

Um lobby que jogou, no último domingo, um "baile funk" todo para o Largo da Carioca, assim como tenta empurrar o estilo para a classe média endinheirada, que contribui ainda mais para o estratosférico patrimônio financeiro dos barões do "funk carioca". Desta vez, o local é o BarraMusic, localizado na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro.

Enquanto o "funk carioca" posa de "injustiçado" na mídia esquerdista, ele triunfa vitorioso na velha grande mídia, abraçado aos barões do PiG, os mesmos que condenam os movimentos sociais.

O "funk" não quer saber de regulação da mídia, até prefere adotar uma postura contrária, embora não a divulgue por estratégia. Isso porque a regulação da mídia, levada a sério - como quer gente lúcida como Venício A. de Lima - , irá dar fim a muitas caraterísticas que fazem o sucesso do "funk carioca".

Os funqueiros só defendem a regulação da mídia se ela não afetar seus interesses, talvez até na letra morta, mas na prática, eles condenam tanto a regulação dos meios de comunicação quanto os calunistas e urubólogos da velha imprensa. Sobretudo os das Organizações Globo, da célebre famiglia Marinho, cuja associação com o "funk carioca" tornou-se explicitamente simbiótica nos últimos dez anos.

O "funk" quer lucro, quer arrancar dinheiro do Estado, quer ampliar seu mercado. Por isso prefere a mídia como está aí hoje, com baixaria e atrações feitas exclusivamente para o faturamento alto e imediato. Prefere o capitalismo neoliberal e seus ícones, até porque garante mais patrocínio e pode facilitar apresentações de funqueiros no exterior.

Não há como pensar noutra coisa. Não existe essa coisa de "funk" mais comportado ou pudico. Ou de um "funk" mais à esquerda. Isso não existe. O "funk carioca" é neoliberal até a medula, e isso é um princípio crucial para garantir a sobrevivência e o sucesso do estilo.

E o "funk" não é diversificado, apenas possui quatro "variações" de uma só mesmice, como leves "sabores" de um mesmo produto: "funk comercial" para a televisão, "funk de raiz" para os burocratas, "funk proibidão" para um público "mais rebelde" e "funk melody" para um público mais "família". Mas, no fundo, tudo isso é a mesma coisa.

O "funk carioca" não vai passar fome recebendo cafuné das esquerdas. Seus empresários e DJs já são muito ricos para perderem tempo com isso. E explicitamente assumem boas relações com a mesma mídia golpista que a esquerda quer combater.

Por isso, a herança de Cabo Anselmo encontra tradução fiel no "funk carioca" que, durante dez anos, tentou seduzir as esquerdas, mas depois provou que está mais à vontade apoiado pelas famiglias midiáticas que falam a mesma linguagem dos funqueiros: a linguagem do dinheiro.

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