terça-feira, 8 de novembro de 2011

A FICÇÃO ESTATÍSTICA E SEUS MITOS PRODUZIDOS


DESATENÇÃO? - O macho que se encontra sob este tapete o recenseador não viu.

Por Alexandre Figueiredo

Que interesse tem a maquiagem de dados estatísticos? Ainda mais quando interesses turísticos estão em jogo, é preciso criar uma "sociedade" de ficção para agradar os investidores estrangeiros, ainda que de forma enganosa ou dissimulada.

Manipular o Índice de Desenvolvimento Humano para disfarçar cidades com muitos problemas, em vez de realmente recebê-los, fez de cidades como Florianópolis e Niterói meros paraísos de fechada para os olhos estrangeiros.

Enquanto isso, favelas crescem nas duas cidades "líderes" em IDH, e nota-se isso até próximo à rodoviária da capital catarinense. Já em Niterói, que a ditadura militar tirou o status de capital do Estado do Rio de Janeiro e sobrecarregou a vizinha Cidade Maravilhosa na tutela do restante do Estado, uma favela construída sobre um antigo depósito de lixo foi atingida por um deslizamento que causou tragédia em muitas famílias, o famoso Morro do Bumba.

O pior é que a tragédia que Jorge Roberto Silveira sofreu há 50 anos, a perda do pai - o famoso governador fluminense Roberto Silveira, num acidente aéreo em Petrópolis - , não o fez humano o suficiente para ouvir os técnicos da UFF que o preveniram do risco de deslizamento do Morro do Bumba, localizado no bairro de Viçoso Jardim.

Até hoje seus moradores não conseguiram revolver o problema da moradia. Só nos últimos meses a Prefeitura de Niterói investiu em obras no local. Mas isso a poucos meses das eleições para prefeito, quando Jorge Roberto concorrerá à reeleição.

E quanto à maquiagem estatística da população masculina e feminina? Nota-se claramente que cidades como Salvador possuem maioria masculina na sua população, mas como o "grosso" dessa demanda masculina é pobre e desempregada, esconde-se esses baianos como pode, enquanto cria-se uma cidade fantasiosa de mil Gabrielas caindo do alto dos coqueiros da orla soteropolitana.

Em nome de uma "Caribe brasileira", fantasiosamente "sensual", esconde-se nos dados estatísticos algo que, no entanto, a realidade mostra evidentemente. É só ir nos bairros populares, nas ruas, ver os ônibus lotados, ver as praias nas manhãs ensolaradas, e praticamente só dá homem na capital baiana. Se eles "quase não existem" nos bares e boates, é porque estão em casa dormindo, porque no dia seguinte tem trabalho.

Nem mesmo a solteirice forçada das moças dessas cidades - algo que existe até no Norte assumidamente de maioria masculina nas suas populações - , sobretudo nas classes mais pobres, pode confirmar os mitos. Pelo contrário, além da velha mídia tentar convencer as jovens da periferia a hesitar na vida amorosa, ou a desejar demais homens que lhes são inacessíveis, está por trás um "higienismo social" implícito, na tentativa de enfraquecer a fertilidade e a estrutura familiar nas classes populares.

Neste caso, os dados do Censo do IBGE são dados viciados, conforme a opinião pública começa a denunciar, porque são dados oriundos de manobras do regime militar e que até hoje não foram ainda superados. Pelo contrário, há o vício dos supervisores do Censo sempre trabalharem para que o censo de uma época seja praticamente clone do anterior, e vê como "algo errado" as alterações movidas por seus dados.

Os dados estatísticos são maquiados para agradar o "freguês", no caso o investidor estrangeiro ou o turista. Criam-se cidades fantasiosas, idealizadas nos escritórios tecnocráticos, que nem de longe correspondem à realidade. Que, num dado momento, pode mostrar coisas que contradizem seriamente a fantasia estatística. Como a tragédia do Morro do Bumba e o gigantesco éxodo de homens do interior da Bahia para sua capital.

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