quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ESQUIZOFRENIAS DA PSEUDO-ESQUERDA



Por Alexandre Figueiredo

A pseudo-esquerda brasileira é esquizofrênica por excelência. Possui ideias neoliberais - até mesmo para o âmbito da cultura popular - , mas se julgam "socialistas". Nos últimos anos se acham "esquerdistas até morrer", mas se vivessem entre 1963-1964, seriam os primeiros a defender o golpe militar e a ditadura. Tudo isso a pretexto de que Lula é um cara legal e que Dilma é a "nossa presidenta".

Sim, nossos pseudo-esquerdistas de QI demotucano chamam Dilma de "presidenta", para diferirem, no discurso, a seus mestres de direita. Viraram petistas, muitas vezes, porque são jovens, ou porque não querem ficar sozinhos na família, ou porque não querem se passar por antiquados. E pensam que optar pela esquerda é igualzinho vestir a camisa de um time de futebol.

A esquizofrenia, no entanto, é gritante. Não analisam uma atitude do governo petista de forma crítica. Parecem birutas de aeroporto ao sabor do vento, não discutem, não discordam, porque seu esquerdismo mais parece um esquerdismo de Papai Noel, mas que aplaude feito foca de circo. E que mostram mais preconceitos do que sua personalidade "sem preconceitos" pode admitir.

Afinal, são pessoas que vão correndo no Twitter seguir a conta do Emir Sader, mas no fundo fazem a mesmíssima profissão de fé de Ali Kamel e Otávio Frias Filho. E que, quando acusadas de direitistas, vão correndo para o quarto chorar ou tirar satisfações: "Você sabe com quem está falando?", tentam dizer, em última instância.

Mas identificamos algumas esquizofrenias sobre essa pseudo-esquerda que evidentemente torna seu discurso confuso, incoerente, cheio de contradições, inverdades e até mentiras. E que põem em xeque seu "sincero esquerdismo" de fachada, feito mais para agradar os outros do que por qualquer identificação pessoal.

Vejamos dois exemplos bem ilustrativos:

1) COMPORTAMENTO x ANÁLISE SOCIAL - Se a questão é comportamento, o pseudo-esquerdista acredita que ser de esquerda é ser rebelde, temperamental e falar palavrão, enquanto a direita é elegante e paciente nos argumentos. Mas quando se trata de analisar a sociedade, a irritabilidade acaba sendo atribuída ao direitismo dos "calunistas" e "urubólogos", ser de esquerda é ser cordato, educado e paciente nos argumentos.

2) TECNOCRACIA x ENTRETENIMENTO - Se a questão envolve tecnocracia, como no caso dos projetos políticos para o transporte coletivo, a pseudo-esquerda atribui ao esquerdismo a aprovação de decisões "de cima". Quando o assunto é entretenimento, no entanto, atribui-se a superioridade decisória ao lado "de baixo". No primeiro caso, a superioridade está nas autoridades que "tudo decidem de melhor", mas no segundo caso, há o louvor à adesão do povo das periferias, mesmo se o fenômeno de entretenimento também tenha sido lançado por decisão dos "de cima" (os barões do entretenimento).

Pois isso tudo cria contradições sérias que põem o pseudo-esquerdista na berlinda. O pseudo-esquerdista que não sabe por que apoia a campanha pela regulação da mídia mas não consegue disfarçar que tem medo dela é o mesmo que diz amém para a hidrelétrica de Belo Monte.

O pseudo-esquerdista defende a educação pública, mas quer taxas nas universidades federais. Defende a cultura popular, desde que filtrada pela cafonice comercial da velha mídia. Defende os movimentos sociais, desde que longe do Brasil.

O pseudo-esquerdista tapa a revista Veja que lê todo feliz da vida com um exemplar de Caros Amigos. Se inscreve no portal de leitores de Luís Nassif, do Paulo Henrique Amorim, mas na surdina vai para o portal do Globo Esporte "dedurar" o que a mídia esquerdista anda dizendo. Fala muito mal da velha grande mídia para os amigos, mas escondido deles faz sua devotíssima profissão de fé nessa mesma mídia que diz esculhambar.

E, quando a situação oscila entre as mulheres trabalhadoras e as "popozudas" da mídia, o pseudo-esquerdista prefere ficar com estas últimas, por mais que ele adote um discurso "solidário" aos movimentos dos trabalhadores.

O pseudo-esquerdista está perto de nós, apertando nossas mãos, assinando Caros Amigos e Carta Capital, chamando Lula de "cara legal", dizendo admirar Che Guevara e Fidel Castro, seguindo Emir Sader no Twitter e chamando Dilma de "presidenta". Mas exibe seu esquerdismo "híbrido e flexível demais" para ser considerado realmente de esquerda, e com sua preocupação em criticar os "excessos das esquerdas" muito além da conta.

Com toda a certeza, o pseudo-esquerdista é um esquizofrênico, que coloca o tendenciosismo acima da coerência. No fundo, é um arroubo de juventude ou de alguém querendo levar vantagem fácil. Quando a vantagem é obtida ou quando o tempo passa, o pseudo-esquerdista tira sua máscara e, de pseudo-esquerdista falsamente apaixonado, passa a ser um direitista feroz que se volta contra seus "aliados de ocasião".

Cuidado com o pseudo-esquerdista. Ele é o pior direitista de amanhã.

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