terça-feira, 15 de novembro de 2011

A ENTREVISTA DE GABY AMARANTOS A VEJA




Por Alexandre Figueiredo

O brega-popularesco está fora da velha grande mídia? Não, ele sempre esteve completamente dentro, como um establishment do entretenimento midiático. E representa uma ruptura com ela? Nem de longe, ela sempre está de acordo com os interesses dos barões da velha mídia.

Para se ter uma ideia, publicamos uma entrevista com a cantora de tecnobrega Gaby Amarantos, dada à revista Veja de 13 de outubro de 2010, nada menos do que a edição que os analistas de esquerda leram e viram, estarrecidos, a exploração tendenciosa de duas frases da então candidata à Presidência, Dilma Rousseff. A capa, aliás, gerou uma série de paródias pela Internet, inclusive deste blogue.

A entrevista a seguir tem a tônica da cobertura "positiva" do brega-popularesco, em que as noções de comercialismo e arte não são discernidas, com base na atual onda politicamente correta do Brasil. Entretenimento e cultura são vistos como a mesma coisa, vive-se a espetacularização mercantilista de tudo, e os fenômenos brega-popularescos entram na velha grande mídia pela porta da frente, nem de longe visando qualquer "invasão" das velhas estruturas midiáticas.

A entrevista com Gaby Amarantos se deu sete meses depois dela ter sido capa da (encalhada) edição da revista Fórum de março do mesmo ano. Eu consegui folhear esta edição dois meses depois, numa banca de jornais de Niterói.

E depois ela apareceu na mesma revista Veja que condena ferozmente os índios negros brancos do Pará que, em vez de fazerem música brega que alimenta a grande mídia local, defendem a reforma agrária.

Isso mesmo. A Veja, que é contra tudo e contra todos, é a favor do tecnobrega. Prova que a imagem "esquerdista", "alternativa" e "sem mídia" do ritmo neo-brega paraense não passa de cascata.

Daqui a pouco, veremos até o Mr. Catra falando para a mesma Veja. É só esperar.

"QUERIA SER FREIRA"

Por Júlia de Medeiros - Revista Veja - 13 de outubro de 2010

As roupas estravagantes, os sapatos ofuscantes e as coreografias aeróbicas renderam à paraense Gaby Amarantos, de 32 anos, a alcunha de "Beyoncé da Amazônia". Ela quer difundir no mundo o tecnobrega, estilo que mistura ritmos amazônicos com os da música eletrônica.

Você sempre quis ser cantora?

Queria ser freira, mas desisti porque me disseram que eu não poderia usar maquiagem.

Quando começou a cantar?

Dos 15 aos 17 anos, cantei num conjunto de canto da Igreja Santa Terezinha, aqui em Belém. Mas fui expulsa. Disseram que eu chamava muita atenção.

Você passou direto das músicas religiosas para o tecnobrega?

Primeiro, cantei MPB na noite de Belém. Nesse tempo, percebi que, quando tocávamos uma música regional, todo mundo dançava. Fui criticada por trocar de estilo, mas vi que era esse o caminho. Hoje, represento o ritmo do Pará.

O que acha de ser chamada de "Beyoncé da Amazônia"?

Eu me sinto honrada, mas não quero ser cópia de ninguém. Batalho há quinze anos, tenho mais de 300 composições. Quero ser reconhecida por isso.

Você planeja uma turnê internacional?

Estou até gravando um CD para lançar na Europa. Nossa batida está chegando lá fora.

Por que você usa um cinto de castidade em seus shows?

É só para mostrar que sou contra a banalidade do sexo.

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