sábado, 12 de novembro de 2011

"DAWSON ILHA 10" MOSTRA AS ATROCIDADES DA DITADURA DE PINOCHET



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O filme é um relato de um episódio de repressão da longa ditadura de Pinochet a ex-funcionários do presidente deposto Salvador Allende, que tentou implantar o socialismo no Chile. O filme, co-produção chilena, venezuelana e brasileira, entra no circuito brasileiro dentro de duas semanas.

“Dawson Ilha 10” mostra as atrocidades da ditadura de Pinochet

Por Adriana Delorenzo - Da Revista Fórum

Filme do diretor Miguel Littin que conta a história dos ex-funcionários de Allende presos na ilha no sul do Chile estreia no dia 25 de novembro

“A partir de agora vocês não têm mais nome, não têm passado, nem futuro.” Foi isso que os presos políticos chilenos de Pinochet ouviram quando chegaram à Ilha Dawson. Lá cada um foi chamado de Ilha, acompanhado de um número. “Ilha 10” foi como Sérgio Bitar, ex-ministro de Minas do governo de Salvador Allende, começou a ser chamado depois do golpe de 11 de setembro de 1973. Por cerca de um ano, ele e cerca de 30 outros ex-funcionários de Allende viveram enclausurados num verdadeiro campo de concentração, submetidos a pressões psicológicas e físicas dos militares. Essa história é contada no filme Dawson Ilha 10, dirigido por Miguel Littin, que estreia no Brasil, dia 25 de novembro, nos cinemas.

Em forma de ficção, Littin traz aos expectadores as tensões e dramas que os prisioneiros viveram naqueles intermináveis dias. “Essa história faz parte da minha vida há muito tempo”, disse. Para filmar o longa, Littin foi à ilha com uma pequena equipe de filmagem e atores para reconstruir, cinematograficamente, o que se passou por ali, baseado no relato de Bitar, seu amigo.

Basear-se em fatos reais foi também o ingrediente de outros filmes seus, como Atas de Marusia, que mostra a repressão ao movimento grevista de mineiros da província chilena de mesmo nome. No início do século XX, os operários que lutavam por melhores condições de trabalho chegaram a ser fuzilados pelo exército em praça pública, pelo suposto “crime” que teriam cometido: lutar por direitos.

Littin, que viveu o período da ditadura no exílio, retornou ao Chile clandestinamente, disfarçado e com documentos falsos, para fazer um documentário sobre as condições do povo chileno sob o regime de Pinochet. A viagem virou o documentário Ata Geral do Chile e Gabriel Garcia Marquez a narrou no livro-reportagem A aventura de Miguel Littin, clandestino no Chile.

A repressão policial é recorrente em seus filmes. Questionado sobre isso, após sessão exclusiva para imprensa, nesta terça, 8, Littin resumiu: “Somos uma espécie desprotegida, o homem inventa círculos de poder, inventa hierarquias, aprisiona. Proclama a liberdade, mas a rompe todos os dias, proclama a democracia, mas a rompe todos os dias”.

Segundo Littin, os filmes, os livros, a poesia e a arte podem alimentar a consciência e a sensibilidade do homem. Mas, Dawson Ilha 10 também é fruto de seu engajamento político para que “nunca mais haja campos de concentração, que nunca mais os homens estejam a serviço de grandes monopólios”.

No entanto, as recentes manifestações dos estudantes chilenos em defesa de educação pública, ao mesmo tempo que trouxeram esperança ao cineasta, mostraram que “tudo acontece da mesma maneira de sempre”. “Chile, hoje, vive um momento excepcional”, afirmou. “Mas há uma repressão muito forte pelas forças policiais. É de uma covardia impressionante quando arrastam e golpeiam meninos e meninas de 14 anos. É como uma peste, quando pensamos que a afastamos, vemos que ela está lá, novamente, golpeando e batendo nas pessoas.”

Serviço
Dawson Ilha 10 - A verdade sobre a ilha de Pinochet
Direção: Miguel Littin
Título original: Dawson Isla 10
Duração: 100 minutos
Produção: Chile/Venezuela, 2009 / Brasil, 2010
Estreia no Brasil: 25 de novembro de 2011

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