sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ORLANDO SILVA E O "CAPO" ROBERTO CIVITA



Por Alexandre Figueiredo

O episódio das supostas acusações de corrupção ao ministro do Esporte, Orlando Silva, mostram o quanto a velha grande imprensa está rabugenta. E mostram que, nos bastidores da política, a coisa está tão feia.

Orlando está no caso como vítima. E alguém que não deve ter gostado da atuação independente dele no ministério - quando Orlando procurava manter o equilíbrio de interesses públicos e privados no setor esportivo - pode ter plantado o "esquema de corrupção" que pretendia "escandalizar" a política brasileira.

Um ex-policial que "militou" no PC do B é o principal autor das "denúncias", que, dizem muitos analistas, beneficiam mais os interesses dos chefões da CBF e da Fifa. Essas duas entidades, ligadas ao futebol, estão muito mais interessadas no seu poderio e não aguentariam ver um ministro numa atuação equilibrada e imparcial, fazendo com que os futuros eventos esportivos de grande ponta - Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 - se voltem ao menos para o interesse público, tão exaltado pelas autoridades, no discurso, como é menosprezado na prática.

Mas o fato mais estarrecedor está na denúncia divulgada pelo ator José de Abreu, que no Twitter escreveu que o objetivo de Roberto Civita é derrubar o governo de Dilma Rousseff.

Não suportando a responsabilidade da natural discordância e oposição que, num regime democrático, uma corporação da grande mídia tem até o direito de exercer, Civita transforma seu principal veículo, a revista Veja, num carro desgovernado, sem freio, com pneus carecas e com motorista embriagado.

Pois Veja está investindo no mais puro jogo sujo que a "indispensável" revista entende como "jornalismo". Chega a derrubar normas básicas de direito à privacidade, e seus textos iguais, que parecem ter escrito por uma mesma pessoa, só mostram o quanto Veja, acima de tudo, é muito desagradável de ler.

Porque Veja demonstra ser o que há de pior no jornalismo brasileiro. Seu mau humor é notável na maior parte de suas páginas. A revista parece mais um impresso de palavras rancorosas. Entre as poucas exceções, está quando os assuntos estão de acordo com os interesses mercantis de Civita e seus sócios racistas da África do Sul, ligados a grupos nazistas, que são acionistas de Veja.

Em outros tempos, o jornalismo conservador não chegava a tanto. Carlos Lacerda era famoso pelo seu mau humor e pela sua irritação em determinadas situações. Mas Lacerda, mesmo nos seus exageros, era pelo menos de uma fina inteligência, às vezes com um certo senso de humor, e tinha um estilo admirável de escrever. Ele era o supra-sumo da mídia golpista, mas pelo menos possuía inteligência e habilidade para manejar seus pontos-de-vista. E, curiosamente, José de Abreu interpretou brilhantemente Lacerda na minissérie JK, da Globo, anos atrás.

Veja, não. Pode-se admitir que até passam Lya Luft, Millôr e Roberto Pompeu de Toledo da mediocridade textual da revista Veja, mas certamente Reinaldo Azevedo e André Petry não são mais do que pitboys jornalísticos.

Sentimos até pena das fontes gráficas Franklin e Times New Roman, usadas para tamanhas sujeiras pela "quadrilha" de Veja. Que prefere derrubar políticos e governantes "plantando" denúncias, sem fazer verificação nem qualquer outra coisa.

O "poderoso chefão" Roberto Civita - que, nos tempos da Realidade, poderia ser conservador, mas não parecia capaz de tanta selvageria - comprova ser a alma-gêmea de Rupert Murdoch no trato do jornalismo político, temperado com os nervos do sensacionalismo rasteiro e anti-profissional.

Quanto ao Ministro dos Esportes, a patota que não conseguiu usar o ministro Silva para atender seus interesses rabugentos só conseguiu demonstrar seu caráter também rabugento, de uma manada pseudo-esquerdista que só quer que o Governo Federal seja serviçal de seus privilégios e interesses escusos.

Quando não são atendidos em todos seus interesses, esses "aliados" recorrem à velha grande mídia - a mesma que os pseudo-esquerdistas "odeiam" - para "dedurar" inverdades ou desestabilizar o governo que já erra por ceder demais às pressões do retrocesso.

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