sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"OCUPAR WALL STREET": É A INDIGNAÇÃO SOCIAL, ESTÚPIDO!!



Por Alexandre Figueiredo

Enquanto Caros Amigos e a revista Fórum continuarem a serviço da direita cultural, certamente o leitor médio da imprensa esquerdista, no Brasil, não entenderá direito as verdadeiras questões da sociedade do país e do mundo.

Pois um novo fenômeno surge, Ocupar Wall Street, cuja relevância é tal que existe até 'cookies' (palavras-chave automaticamente disponíveis que economizam digitação nas lacunas do computador) relacionadas a sua expressão em inglês, occupy wall street, na busca do Google.

É um grande protesto feito na própria nação-mãe do capitalismo mundial, os Estados Unidos da América. Um protesto que pede um basta a um esquema socialmente excludente, que no país do Tio Sam prejudica a sociedade estadunidense na medida em que as autoridades de lá se cuidam mais dos outros países, sobretudo no Terceiro Mundo que esconde tesouros minerais de interesse das elites, em vez de criar políticas internas para seu povo.

Pois nos últimos meses, os EUA sofrem uma grave crise econômica e uma dívida interna violenta. Barack Obama até falou em aumentar os impostos para os ricos, mas certamente não fará isso, porque assim irá fazer com que a patota ricaça ianque se mude para outros países, quem sabe para o Brasil. Mas o que se sabe mesmo é que a crise do "grande império" está muito feia.

Portanto, para quem lê colonistas-paçocas e historiadores-sinistros-bregas, os protestos que ocorrem em Nova York não são reuniões de fãs de Lady Gaga e Justin Bieber vindos "das periferias". Não são um bando de "idiotas que não são idiotas", "medíocres que não são medíocres" e "alienados que não são alienados" fazendo um consumismo de entretenimento travestido de "movimento social". O que eles fazem é movimento social mesmo.

É o ápice das muitas primaveras que, ocorridas na Europa, Oriente Médio e América, marcam o ano de 2011 e já faz muitos analistas pensarem se elas serão ou não serão um novo 1968. Pode parecer exagero, pode parecer que os contextos não se comparem, mas a verdade é que 1968 e 2011 já começam a ser comparados por nossos analistas, ante a muitas manifestações populares ocorridas.

E é isso que apavora a classe média brasileira, e sabemos que mesmo intelectuais "tarimbados" têm empregadas domésticas. Para eles só interessa deixá-las ocupadas com seu rádio de pilha e sua televisão portátil, para o consumo alienado do brega-popularesco.

Saber das grandes questões mundiais, para o intelectual, não interessa para sua empregada. Questões salariais e trabalhistas estão em jogo e é muito fácil alguém da classe média alta defender a cidadania tão somente através do teclado do computador e do blábláblá dos seminários.

Por isso, preferem dizer que "movimentos sociais" aqui são só o consumo do brega-popularesco que pouco tem a ver com a "cultura das periferias" que tanto se alardeia oficialmente. Pelo contrário, muito dessa "verdadeira cultura popular" é decidido nos escritórios, nas agências de publicidade, nas redações de revistas de celebridades, nos jantares em latifúndios. Essa verdade dói em muitos, e desfaz o clima de sonho que a intelligentzia brasileira adoraria viver para sempre.

Será que o povo das periferias gosta realmente dessa "cultura" com sabor azedo de "deus mercado", do mesmo capitalismo de Wall Street? Oculta-se questões de gosto e de estética, para que o debate não chegue a temas muito delicados.

O que está por trás, portanto, dessa pregação intelectual que é cheia de fantasia demais para se considerar "viável" no sentido lógico e científico, é que a intelectualidade brasileira virou arauta do controle social das classes pobres. E essa intelectualidade quer que o povo pobre fique na sua vida miserável, mas faça sempre o papel de "gente inocente e feliz".

Não adianta disfarçar o discurso de toda ordem. A intenção é essa mesma, é a intelectualidade que, porta-voz da classe média alta, deseja ver o povo pobre submisso, obediente e feliz nos seus paliativos sócio-culturais.

Seria até compreensível que essa visão prevalecesse nas páginas da Folha de São Paulo, Veja, Estadão, Caras e O Globo, e nas telas da Rede Globo. Mas o mais estranho é que esse discurso insiste em prevalecer até na imprensa de esquerda, como Caros Amigos e Fórum!

Isso é muito incoerente. E mostra o quanto o "iluminismo de engenho" continua existindo no Brasil, de um pseudo-humanismo com dominação social, onde senzalas e quilombos de outrora, como favelas, sertões e roças de hoje, só têm sentido quando subordinadas ao mercadão dominante do entretenimento. E nós é que, ao mesmo tempo, aceitemos essa dominação e acreditamos que ela não existe.

Essa intelectualidade certamente não vê a realidade avançando, e a qualquer momento suas empregadas vão jogar seus rádios no lixo e sua TV portátil mandada para o sebo. Seus jornais policialescos vão virar papéis higiênicos, e ninguém mais acreditará que bobagens sem qualquer importância como o "funk carioca" e o tecnobrega são "movimentos sociais".

A população pobre quer qualidade de vida. A velha grande mídia, e seus arautos enrustidos infiltrados em Caros Amigos e Fórum, não querem que o povo melhore. Que as "melhoras" só venham à maneira de Ernesto Geisel, em paliativos "graduais".

Mas esse clima de faz-de-conta que marca o texto dessa intelectualidade etnocêntrica - que confunde consumismo com "cidadania" e entretenimento vazio com "movimentos sociais" - deixará suas máscaras caírem em praça pública. E aí os falsos discípulos de Emir Sader não vão mais disfarçar que seguem Ali Kamel.

Filhotes da velha grande mídia, essa intelligentzia pouco preocupada com as verdadeiras questões sociais terá que aceitar que a realidade dos protestos de fora inspirando as futuras manifestações daqui. A intelectualidade não poderá mais chamar seus contestadores de "moralistas" ou "higienistas", sob a pena de serem acusados de fazer urubologia barata travestida de "militância esquerdista".

As transformações sociais crescem no mundo e o Brasil não ficará indiferente a isso. Até porque o país já tem muitas tensões sociais internas para ficar resignado com a "cultura de cabresto" da pseudo-cultura "popular" da grande mídia.

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