quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O PSD DOS RICOS NÃO TEM KUBITSCHEK. MAS TEM WAGNER MONTES



Por Alexandre Figueiredo

O Partido Social Democrático foi lançado oficialmente esta semana e, embora venda sua imagem de "novo partido", sabemos que é o relançamento, num outro contexto, do antigo PSD que foi extinto em 1964.

Como o PSD antigo, torna-se um partido expressão do empresariado mais conservador do país, além de boa parte dos grandes proprietários de terras que ocupam inutilmente o solo de nosso país.

Mas, em outros tempos, o PSD pôde, ao menos, apresentar figuras ímpares de nossa política como Juscelino Kubitschek, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Benedito Valadares e Ernani do Amaral Peixoto. Sem falar que o udenista Afonso Arinos de Melo Franco era quase que um pessedista clássico na UDN.

O PSD de hoje conta com Gilberto Kassab, com o usineiro João Lyra (o mais rico parlamentar do país e acusado de promover um regime escravo em suas propriedades), a agromusa Kátia Abreu, o deputado Paulo Magalhães (do famoso clã de ACM) e o matogrossense Roberto Dorner, ambos também muitíssimo ricos.

Kátia Abreu não conseguiu levar o amiguinho Ronaldo Caiado para o PSD, porque este saiu desconfiado. Caiado preferiu ser fiel ao DEM que é a última encarnação da antiga UDN de seu tio, o poderoso fazendeiro Emival Caiado.

Mas o príncipe do circo do "funk carioca", Wagner Montes, ícone da imprensa jagunça que todo mundo acreditava que era "esquerdista até morrer", deixou o PDT e foi tranquilo para o PSD para iniciar sua corrida futura para o governo do Rio de Janeiro.

Wagner Montes, coleguinha de Roberto Jefferson (petebista de QI tucano) na "escola jornalística" do Povo na TV (SBT), há trinta anos atrás, é um dos maiores propagandistas do ritmo carioca que anda fazendo jogo duplo com a mídia, ludibriando os caros amigos que tentam fazer um fórum midiático de esquerda.

No discurso, o PSD diz não ser de esquerda, nem de direita e nem sequer de centro. Quer dizer, o partido quer que acreditemos que sua linha é "sem ideologias". O próprio Instituto Millenium também veio com esse papo. Na prática, porém, o PSD se lança como uma centro-direita mais enxuta, na medida em que a dupla PSDB/DEM migrou para a extrema-direita, com o "socialista" PPS a tiracolo.

Talvez o PSD venha a ser uma força sutil de oposição ao governo Dilma. Um partido que "apoiará" o governo na "medida do possível". Mas que traçará seu traiçoeiro jogo político para 2014.

É possível, também, que o PSD atraia para si vários pseudo-esquerdistas que, mesmo com QI tucano, acham que são "marxistas até morrer". Talvez o professor Eugênio Raggi - ou Eugênio Arantes Raggi, para diversificar a consulta no Google - possa enfim tomar coragem e assumir seu direitismo de vez, na medida em que o PT de Minas Gerais vive uma crise interna e o PSDB de Aécio Neves anda muito "queimado".

A não ser que o professor Raggi continue brincando de ser esquerda só para agradar sua esposa, a sugerida adesão ao PSD é uma boa possibilidade para ele mostrar sua verdadeira vocação ideológica.

De qualquer forma, o "novo" PSD mantém o velho caráter de partido oligárquico do antigo partido, mas bem menos humanista e ético.

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