domingo, 2 de outubro de 2011

O AVANÇO DA CRISE DAS BOAZUDAS



Por Alexandre Figueiredo

O entretenimento machista anda abalado com a crise causada pelo conflito entre a ex-assistente de palco do Pânico na TV, Dani Bolina - que havia sido demitida antes por romper com o "celibato" de sua função - e as demais colegas, chamadas de panicats ou paniquetes.

O motivo teria sido uma declaração de Dani que acusou as outras de serem "garotas de programa", termo eufemístico associado à prostituição. As colegas então se irritaram e, numa crise expressa em ataques escritos no Twitter, houve até declarações de que Nicole Bahls teria celulite, entre outras coisas.

Juntando episódios assim ao "inferno astral" da mulher-fruta Mulher Filé e à recente condição de garçonete que, ironicamente, a cantora Gretchen - pioneira das popozudas - , com nome artístico nórdico e seu maior sucesso cantado em francês, supostamente desempenhou nos EUA, dá para perceber o óbvio, que os amantes de glúteos avantajados não conseguem reconhecer. É que a era das chamadas "popozudas" está chegando ao fim.

A Mulher Melão aparece na capa da Playboy com a posição de quem fosse fazer suas "necessidades" na rua. A franquia bancada pelo Grupo Abril tenta dar a impressão de que a sessão com a "cantora" - do intragável refrão "Você, você, você quer mais melão?" - é a "mais ousada" da história da filial brasileira da revista do sugar grandaddy Hugh Refner.

Mas isso só mostra o quanto a crise que envolve "musas" que só valem pela exibição de glúteos e peitos siliconados, exagerados, sem qualquer naturalidade. "Mulheres" de plástico que nada fazem senão aparecer em poses "sensuais" ou no narcisismo de ginásticas, tratamentos de beleza, noitadas em boates e ensaios em escolas de samba.

O que essas mulheres fizeram para depreciar a figura da mulher brasileira daria um bom livro. Poses de algumas delas acorrentadas em árvores, ou parodiando enfermeiras e até freiras, tudo isso se agrava quando várias dessas "musas" reafirmam o sentido de "mulheres-objeto" com seus nomes de "mulheres-frutas", ou "mulheres-coisas" de qualquer forma.

A intelectualidade etnocêntrica, em vez de ajudar, só atrapalha na medida em que credita nessas pretensas musas um suposto feminismo, só pelo fato de que as funqueiras desse porte "falam mal" dos homens e várias delas vivem um estranho celibato para "não atrapalhar a carreira".

Para piorar, Bia Abramo quase partiu para a "urubologia", quando, no seu texto sobre o "funk carioca", lançado há dez anos atrás, defendeu as "musas do funk" em detrimento das profissionais de Enfermaria, praticamente criando um clima de "saia justa" com os movimentos sociais. O artigo teve que ser retirado do portal da Fundação Perseu Abramo, nome do pai de Bia.

É evidente que elas não representam feminismo algum. Pelo contrário, avacalham os movimentos feministas, as lutas pelas mulheres, que já não são plenamente respeitadas numa sociedade ainda marcada pelo machismo. E, com a transformação de valores sociais, a crise das "boazudas" é inevitável e irreversível, e isso se prova quando várias dessas pretensas musas andam muito irritadas e seus adeptos idem.

Estes adeptos, machistas enrustidos, chegam até mesmo a tentar inverter as coisas e acusar de "machistas" aqueles que criticam essas "musas". Pura incoerência, porque a realidade não se expressa no ramo das aparências. Embora se critique um tipo de "mulheres bem sucedidas" - embora seja meio duvidoso do mérito e do caráter desse "sucesso" - , a crítica é na verdade anti-machista, porque as "boazudas" representam o tipo de mulher que os machistas querem que prevaleça.

Num país em que uma mulher com um mínimo de intelecto é facilmente comprometida com seu namorado, noivo ou marido, a "solidão" das "mulheres-frutas" - que sentem medo de se associar a homens ligados à supremacia masculina - , das paniquetes e ex-BBBs, suas crises e seu nervosismo, são fatos concretos que muitos não querem admitir.

Nessa situação, até mesmo as desesperadas sessões de algumas delas "encarnando" musas mais inocentes ou personagens infantis só indica o avanço dessa crise através desses paliativos inúteis de última hora.

A velha grande mídia, mais uma vez, tenta passar adiante todo seu "bazar cultural" para a mídia esquerdista e sua intelectualidade etnocêntrica. No âmbito das "popozudas", isso não é diferente, o que se mostra o suposto "feminismo" atribuído a elas. Mas, lero-leros à parte, a realidade já anuncia o desgaste desse recreio machista. Queiram ou não queiram.

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