segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A GLOBO E OS PROTESTOS "CONTRA A CRISE"



Por Alexandre Figueiredo

Chega a ser risível o modo com que a velha grande mídia, quando não pode esconder os movimentos sociais, tenta, pelo menos, interpretar os fatos que lhes são incômodos.

A Rede Globo transmite reportagens diversas sobre o movimento Ocupar Wall Street. Mas ela distorce os propósitos do grande movimento, até de uma forma bastante caricatural típico de seu jornalismo de dondoca.

Pois na hora de definir o que são esses protestos, que surpreendem pela relevância e pela quantidade de pessoas, é que eles são "protestos contra a crise". Ou, quando muito, são "protestos contra o sistema financeiro".

Creditar o movimento Occupy Wall Street (seu nome original) como "protestos contra o sistema financeiro" é uma forma da mídia associada aos interesses do capital tentar minimizar seu poder mobilizador, dando uma falsa ideia de que os grandes protestos são apenas contra "políticas econômicas" locais nos próprios EUA, que deixaram o país com uma séria dívida interna.

Mas creditar o mesmo movimento como "protestos contra a crise" soa muito abstrato e, com isso, soa muito patético diante do contexto informativo em que se encontra. Soa muito vago, e certamente uma demanda acrítica de espectadores, não só da Rede Globo, mas também da Globo News, O Globo, CBN e outros veículos das Organizações Globo, não irá analisar que "crise" é essa.

Suas rações jornalísticas apenas dizem que é uma "crise" e pronto. Apenas um fracasso "sem importância" de políticas econômicas do presidente Barack Obama. Até é ótimo, para a velha grande mídia, questionar seu poder e torcer para que um direitista mais radical, de preferência do Partido Republicano e, sobretudo, vinculado ao Tea Party (entidade de extrema-direita estadunidense), chegue ao poder nas próximas eleições presidenciais no "grande império".

Mas a relevância dos protestos em Nova York lembram muito a omissão da Rede Globo em relação a outras manifestações, como as das Diretas Já, em 1983-1984. É verdade que muitos dos políticos que abraçaram a causa, na época, são gente muito querida pela velha grande mídia, como Fernando Henrique Cardoso. Mas as manifestações iam muito além do espectro político, era um descontentamento popular com a crise que a chamada "revolução", como conhecia-se a ditadura militar na época, não conseguiu resolver e até agravou.

Por isso, as manifestações do Occupy Wall Street vão muito acima de interesses políticos, partidários, ideológicos ou mesmo do âmbito das "redes sociais". Porque as redes sociais virtuais são apenas um meio de divulgação, mas não são a manifestação em si. Manifestação, mesmo, é a do corpo a corpo da multidão reunida e solidária. Até porque a manifestação é um ato humano, e não um mecanismo facilitado pela Informática.

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