quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"FUNK CARIOCA": ESQUEMA "MAFIOSO" E PRÓ-IMPERIALISTA



Por Alexandre Figueiredo

Enquanto a burguesia "cabeça" - que se diz "esquerdista" e "sem preconceitos", mas é neoliberal e preconceituosa - cai de amores com o "funk carioca", o ritmo que é uma das mais últimas heranças da velha grande mídia não consegue disfarçar suas contradições e omissões.

Posando de "vitorioso" na velha grande mídia e de "injustiçado" na mídia esquerdista - que boboalegremente dá ouvidos ao todo-sempre pupilo da famiglia Frias, Pedro Alexandre Sanches - , o "funk carioca" não pode assumir para si bandeiras da mídia progressista, porque elas vão claramente contra seus interesses expansionistas.

O "funk carioca", explicitamente inspirado no esquemão mafioso do miami bass e, em parte, no gangsta rap (do qual reproduz claramente seu marketing), não poderia ser outra coisa senão uma indústria em que os DJs-empresários mandam e todos têm que obedecer. Um esquemão que reabilita com facilidade até "proibidões" e negocia contratos de popozudas com escolas de samba diretamente nas mesas dos contraventores.

É um esquemão que poderá se mostrar tão imperialista e perigoso quanto o do forró-brega que, alimentado pelo latifúndio, já exibe o poderio férreo de empresas como Som Zoom Sat, ainda vista como "mídia nanica" pela intelectualidade etnocêntrica influente.

Não há como o "funk carioca" defender a regulação da mídia nem o combate ao imperialismo. Ocupar Wall Street não é um tema que interesse aos funqueiros. Ser anti-mídia, para eles, é suicídio. Até porque o "funk carioca" foi criado e cresceu em função da mesma velha grande mídia. Os abraços de Luciano Huck ao Mr. Catra não nos deixam mentir.

Não é por acaso que toda essa campanha em defesa do "funk carioca", cheia de contradições e inverdades, se intensificou logo depois de um jornalista que, embora trabalhasse na TV Globo, atuava de forma independente à sua linha ideológica, o saudoso Tim Lopes, foi assassinado quando foi investigar um "baile funk" num subúrbio carioca.

Se vivo estivesse, certamente Tim Lopes teria saído da Rede Globo e adotado uma postura progressista semelhante a que vemos em Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e Paulo Henrique Amorim.

E a campanha se intensificou também depois que Bia Abramo, a filha de Perseu Abramo que traiu a missão progressista do pai por conta das lições do então patrão Otávio Frias Filho, chegou perto da urubologia preferindo apoiar mulheres-frutas do que mulheres trabalhadoras.

O "funk carioca", independente de discutirmos aqui se devemos assimilar ou não os valores dos EUA, é claramente influenciado pelo som de Miami. Se alimenta da indústria cultural para a qual não deve combater nem se considerar dissociado.

O "funk" sempre foi a favor do "sistema" e está pouco se lixando com a repercussão que pode causar com um funqueiro abraçado a Luciano Huck ou Marcelo Madureira, ou acariciado por Otávio Frias Filho e Nelson Motta.

E o "funk" ainda vai deixar de fazer jogo duplo com a mídia de direita e de esquerda. Vai preferir o lado que lhe é mais vantajoso. Não vai querer levar vantagem passando fome sob afagos de jornalistas de esquerda. E a velha grande mídia oferece aos funqueiros dinheiro, sucesso e visibilidade. Elogios da "esquerda" boboalegre não enchem barriga de pessoa alguma.

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