segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ESSES É QUE SÃO OS "GRANDES CRIADORES DA MPB" DE HOJE?


CÉSAR MENOTTI & FABIANO AGORA FAZEM COLETÂNEAS DAS COLETÂNEAS, DE TANTOS CDS AO VIVO GRAVADOS.

Por Alexandre Figueiredo

Esses são os "grandes criadores da MPB" que a velha grande mídia tanto fala. Medalhões de brega-popularesco, falsamente "sofisticados", camuflam sua natural falta de criatividade com covers de MPB e com sucessivos discos ao vivo, depois de uns ralos e apáticos discos de carreira.

São os "maravilhosos" ídolos do "sertanejo", "pagode romântico" e axé-music que fazem uma mera "linha de montagem" musical e cuja visão esquizofrênica da coisa os faz acreditar que a "verdadeira cultura popular" é quando se cumpre uma equação que junta a capacidade de lotar plateias com facilidade com a de criar um ambiente de pompa e luxo nas apresentações, nos discos e na aparição na mídia.

São ídolos que até agora não disseram a que vieram desde que passaram a fazer sucesso em 1990. E que, fazendo muito sucesso, agora posam de "coitadinhos", de "discriminados". Querem o título de "MPB" como se fosse um título de nobreza, sem dar reais contribuições para tal.

Afinal, eles fazem música para consumo, não para ser realmente ouvida e apreciada. Mas o Brasil não tem essa tradição de ouvir música, as pessoas ligam o CD para meras trilhas sonoras de bebedeira com os amigos, lavagem de carros, ou qualquer outra tarefa. Ouvir música pela música, é difícil ocorrer.

Por isso aceita-se uma coisa qualquer nota. Se "nós não gostamos", a "periferia gosta". Cria-se mil desculpas, uma atrás da outra, uma em função da outra. Enquanto isso, a cultura popular é empastelada, transformada em caricatura, e tudo o que somos obrigados a fazer é sorrir. Afinal, para a intelectualidade festiva e etnocêntrica, o bíblico Moisés tem a cara do Paulo César Araújo.

São esses ídolos "sofisticados" que, contrariando sua pretensa imagem de "grandes criadores" que difundem até em Caras - mas que a intelectualidade de Caros Amigos e Fórum, tão boboalegremente identificadas com Pedro Alexandre Sanches - , simplesmente transformam sua carreira fonográfica num revival não assumido.

Acabam contradizendo a si mesmos. Se acham os "artistas da atualidade" ou então a "cultura do novo", mas na prática fazem revival de si mesmos, de quando seus sucessos, ainda que nunca fossem grande coisa, pelo menos tinham algum ar de novidade.

Se achando os "grandes criadores da nossa música", eles, os "sertanejos", "pagodeiros" e axézeiros, lançam discos ao vivo um atrás do outro, o que na prática é apenas uma "vampirização" dos antigos sucessos. São os ralos sucessos de começo da carreira, os que pelo menos valiam pela "novidade", mais covers gravados de forma oportunista e tendenciosa.

E, depois de tantos discos lançados, o que se vê? Agora são coletâneas desses discos ao vivo, como uma lançada pela oportunista dupla breganeja César Menotti & Fabiano.

Espécie de "genérico" do igualmente lamentável Bruno & Marrone, representante do discutível "sertanejo universitário" - que, na verdade, não é sertanejo nem muito menos universitário - , espécie de "agronegócio" musical, César Menotti & Fabiano chegaram cinicamente a divulgar como "novidade" em seu repertório um cover de um antigo sucesso de 14-Bis.

E não é preciso aqui detalhar que o breganejo em seu todo tem uma certa obsessão (ou ciumeira) pelo Clube da Esquina, assim como a axé-music sente ciúmes do mangue beat e o "pagode romântico" sente uma obsessão pelo samba-rock de Ben Jor e Simonal.

Pois de tanto gravar discos ao vivo, quase sempre revendo o mesmo ralo repertório, César Menotti & Fabiano lançaram uma coletânea desses discos ao vivo, Maluco Por Você. Ou seja, uma coletânea da coletânea, o que mostra o quanto o público é tapeado pelo brega-popularesco, mesmo aquele dito "mais sofisticado".

Certamente isso não é MPB. A não ser que a sigla signifique Música do PiG Brasileira, dessas que aparecem no Domingão do Faustão e que fazem até Ali Kamel e Otávio Frias Filho dormirem tranquilos.

Mas, se a sigla significa Música Popular Brasileira, deve-se esquecer mesmo esses "sertanejos", "pagodeiros" e axézeiros que já tem suas rádios e plateias lotadas e os espaços que ocupam na mídia já lhes são suficientes.

Querer invadir os circuitos de MPB fazendo-se de "coitadinhos", praticamente comprando toda uma intelectualidade para apoiá-los, sem dar uma contribuição de relevância, realmente é tratar a cultura de forma leviana, como se valesse qualquer coisa, quer nota, qualquer bobagem. É tratar o público feito bobo e bancar o fantoche das leis de mercado, sendo "tosco" ou "sofisticado" conforme as tendências financeiras em jogo.

E pensar que se escreve este texto numa época em que o grandioso grupo R. E. M. decide se separar pela natural noção de que sua missão artística se cumpriu. Pelo menos os verdadeiros artistas não ficam explorando seu passado de forma doentia e dissimulada e, se seu encerramento de carreira causa tristeza e lamento, pelo menos são manifestações sinceras de quem sente que seu trabalho chegou ao fim.

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