quarta-feira, 19 de outubro de 2011

BREGA-POPULARESCO SÓ USA ESQUERDA COMO TRAMPOLIM PARA A GRANDE MÍDIA



Por Alexandre Figueiredo

A música brega-popularesca - chamada "impiedosamente" de Música de Cabresto Brasileira por ela ser imposta, de alguma forma, pelos valores da velha grande mídia - não tem a menor identificação com as esquerdas.

A aparente defesa da intelectualidade "de esquerda" a seus ídolos, a pretexto de "zelar" pela "verdadeira cultura popular", na verdade nada tem de militante, sendo apenas um recurso do marketing da exclusão. Ídolos que, na véspera, representaram o establishment do establishment do entretenimento musical, como não são levados muito a sério até pelas suas próprias caraterísticas, veem, na chance de posarem de coitados na mídia esquerdista, um bom meio de voltarem à velha grande mídia.

O discurso "anti-mídia" muitas vezes é falso e superficial. Nenhum ídolo brega ou neo-brega, e nem mesmo os "tão engajados" funqueiros, estão aí para regulação da mídia ou se a Copa do Mundo de 2014 será a dos torcedores ou a dos "cartolas" da Fifa/CBF.

Para eles, não interessa romper o capitalismo neoliberal que tanto lhes deu lucro e visibilidade. Afinal, todos esses ídolos conheceram seu sucesso em cenários políticos conservadores. Os mais veteranos fizeram sucesso durante o regime militar. Os mais recentes fizeram sucesso em contextos político-midiáticos dominados, no âmbito nacional ou local, pela direita. Até o latifúndio financia muitos desses "artistas" bregas e neo-bregas.

Portanto, eles não fizeram sucesso durante a Era Collor ou a Era FHC e nem apareceram na Globo ou Folha de São Paulo por um capricho de "invasão rebelde", como seus ideólogos querem nos fazer crer. Eles apareceram na velha mídia e foram apoiados por políticos direitistas controladores de rádios e TVs porque estavam de acordo com seus interesses.

A mídia esquerdista serve apenas como um mero "trampolim", um mero "pistolão" para dar a impressão de que o brega-popularesco "não possui ideologias". Cria-se um dramalhão que faz o grande ídolo de ontem ser o "coitado discriminado da hora", forjando um clima de pretensa solidariedade que devolverá o ídolo para a grande mídia.

E aí, o grande ídolo, resgatado pela velha grande mídia, nem se lembrará mais do "apoio" que, de forma tendenciosa, arrancou da mídia esquerdista. Depois de tanta choradeira, em que a palavra "preconceito" é (ab)usada ao extremo, o ídolo brega-popularesco, na medida em que volta ao sucesso, abraçado a Fausto Silva, Luciano Huck e, quiçá, o próprio Otávio Frias Filho, olhará para a mídia esquerdista com desdém. Os esquerdistas que se virem.

Há algumas semanas se adverte que o "funk carioca", por exemplo, um dia deixará de fazer jogo duplo na velha grande mídia e na mídia alternativa. Ficará com aquele que os dirigentes e empresários funqueiros acharem mais forte, segundo seus interesses de mercado.

Eles não vão querer ficar na miséria recebendo cafuné de intelectual de esquerda a vida toda e, por isso, é muito provável que eles possam mesmo se virar à direita, ao lado da velha grande mídia. O que eles querem é mercado, é dinheiro, ninguém vai fazer heroismo barato a vida toda.

Escrevo isto com a segurança de que, anos atrás, havia advertido sobre o direitismo da revista Isto É e da TV Bandeirantes. Naquela época ninguém acreditava nisso. Hoje vemos os dois veículos da "mídia boazinha" exibindo um reacionarismo até mais ranzinza do que o quarteto Globo-Folha-Veja-Estadão, que, em certos momentos, até parecem divertidos pelo ridículo de seus reacionarismos.

Portanto, é esperar e ver para que lado se voltará o brega-popularesco daqui a algum tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...