domingo, 16 de outubro de 2011

BRASIL, PAÍS VARONIL: CENSO ESTARIA OMITINDO HOMENS DESDE 1970



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Esta mensagem, recebida há alguns dias, mostra um quadro que pouca gente nota, mas que pode gerar muita controvérsia. É o fato de que o Brasil, na verdade, é um país com maioria da população masculina. Pode parecer um dado desagradável e sua divulgação soar politicamente incorreta para muita gente, mas os motivos são apresentados pelo texto de uma turma que, por e-mail, se intitulou Zine Cidadania, de Recife.

Por coincidência, havia lido no livro 1961: Que As Armas Não Falem, de Paulo Markum e Duda Hamilton, que o Censo de 1960, o último feito antes da ditadura militar, apontava maioria na população masculina no país.

BRASIL, PAÍS VARONIL

Censo estaria omitindo milhares de homens em sua população desde 1970

Enviado pelo Zine Cidadania

Brasil, país varonil. Varonil, relativo a varão, a humanos do sexo masculino. No entanto os dados oficiais apontam um "país mulher", o que faz o país mergulhar tanto nas fantasias sexuais dos homens quanto no corporativismo militante das mulheres.

Mas declarações podem indicar que o Brasil, do contrário que oficialmente se declara, possui uma franca maioria masculina em sua população. Não se leva em conta aqui se quer que o país tenha ou não mais mulheres na população ou se isso influi ou não no sucesso do feminismo, embora quantidade pouco importa para o sucesso de uma mobilização social, dentro de um regime democrático.

No entanto, dados podem indicar que o Brasil tem mesmo maioria masculina na população e cidades litorâneas como Salvador e Maceió têm uma proporção de homens sobre mulheres igual ao das cidades que, oficialmente, possuem maioria masculina na população, como Cuiabá, Goiânia e Campo Grande. Dados que podem pôr em xeque os dados oficiais dos Censos realizados de 1970 até o mais recente, 2010.

DADOS DE 1960 - Dados de 1960 apontavam mais de 70 milhões de brasileiros, com uma diferença superior de homens para mulheres na ordem de mais de 40 mil. A proporção média era de cerca de 102 homens para um grupo de 100 mulheres.

Era uma época em que a participação feminina na sociedade era pequena. Não que o aumento da participação da mulher na sociedade fosse ruim, ela é muito benéfica, mas com a sociedade complexa de nosso país, associada a uma crise de valores surgida a partir de 1964, tornou as mulheres muito mais vulneráveis e expôs muitas delas, mesmo as mais jovens, a uma mortalidade crescente, até mesmo por conta de valores que variam do estímulo ao alcoolismo à vingança da violência doméstica.

A situação do país deveria sugerir o aumento da diferença de homens e mulheres superior para aqueles. Na década de 80, a surpreendente mortalidade feminina por conta da violência, dos acidentes de trânsito e de doenças e o equilíbrio de homens e mulheres nas estatísticas de vítimas da violência indica isso. A própria violência machista dos crimes passionais dá a impressão de que milhares de brasileiras foram para a guerra e morreram.

Mas o Censo, no entanto, desde 1970 investiu na supremacia feminina na população, não como uma forma de fortalecer a presença feminina no país, mas antes minimizar os efeitos dos infortúnios que dizimaram muitas mulheres.

GABRIELA E JECA TATU - Todo ano existem noticiários em que mais de uma jovem é vítima de um homicídio de grande repercussão. Os erros médicos, o alcoolismo, os acidentes de trânsito, os latrocínios, as balas perdidas, tudo isso dizimou muitas mulheres sem necessidade. E criaram uma comoção, local ou nacional, que até hoje leva muitos familiares das jovens mortas às lágrimas.

Mas os dados estatísticos, no entanto, investem tanto numa "maioria feminina" que chegam a apelar para mitos da ficção literária para explicar os dados oficiais. Para justificar a suposta maioria feminina nas capitais litorâneas do país, cria-se um ideal paisagístico em que o estereótipo da "morena da praia", fogosa e sensual, tem que ser obrigatório numa cidade localizada no litoral.

Em compensação, no interior do país, cria-se o mito do homem "feliz" com sua modesta vida no interior, com salário de fome e sem ver sequer o horizonte marítimo ao longe. Um homem que nunca sonha em ir à praia, que se contenta com pouco e prefere criar galinhas.

A decadente mídia grande investe e reforça esses mitos. Difícil não se lembrar do mito da Gabriela, de Jorge Amado, e de Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, nos seus clássicos literários. Mas a insistência de reforçar mitos e fantasias, em vez de reconhecer uma realidade "pouco agradável" para homens e mulheres, esbarra em muitas contradições.

CIDADE "DO" SALVADOR - Uma cidade como Salvador mostra claramente, apenas pela pesquisa empírica das ruas, o quanto o número de homens é uma maioria estatisticamente não reconhecida. Em todos os ônibus que vão e vem lotados, nos dias de trabalho, o que se vê é uma franca e clara maioria de homens.

O mesmo se nota nas ruas, principalmente no centro da capital baiana, quando há mais homens do que mulheres entre os transeuntes. As mulheres só "são maioria" em ambientes típicos como igrejas e supermercados. Mas, em Salvador, tudo indica que milhares de homens são há muito tempo esquecidos pelos recenseadores. E o mesmo pode estar acontecendo em outras capitais do país.

DÍVIDA PÚBLICA - O que faz essa distorção acontecer no país? Segundo um ex-supervisor do IBGE, que, para não ser identificado, chamamos de Etelvino de Souza, a maioria masculina, por envolver muitos trabalhadores braçais e uma parte de investidores, é evitada pelos dados de cada Censo por dois motivos estratégicos, o de evitar o agravamento da dívida pública e o estímulo ao turismo.

"Há uma ordem de 100 mil homens em todo o país que foram omitidos pelos censos há mais de 40 anos, a partir do Censo de 1970. A maioria deles mora em áreas de difícil acesso nas comunidades pobres ou nas áreas florestais. E, sendo a maior parte dela desempregada ou dedicada ao subemprego, a omissão deles, ainda que acidental, pois o recenseador não pode se dirigir a essas áreas, e mesmo hoje, por causa da criminalidade em muitas favelas e roças, se dá para o governo não aumentar mais a já enorme dívida pública", disse Etelvino.

Segundo Etelvino, se considerar os milhares de homens pobres omitidos pelo censo, a dívida pública pode ser ainda maior, com investimentos pesados em seguridade social ou programas de emprego. "O ideal seria investir isso mesmo. Mas desde o regime militar, em 1970, omite-se essa dívida, para não estourar o Orçamento da União. E a gente vê que desde então o Estado quer investir menos, está privatizando muito, vendendo suas estatais até para sócios estrangeiros".

Quanto a outros aspectos, ele acrescenta: "Os executivos, por viajarem muito, dificilmente chegam a ser 'capturados' pelo censo. Eles praticamente são cidadãos do mundo, sem lugar próprio e a 'ausência' deles nos censos é um efeito disso. Quanto à maioria masculina não ser estatisticamente reconhecida, ela também envolve interesses turísticos, porque, infelizmente, nosso mercado turístico ainda é machista, o mercado hoteleiro quer vender uma imagem do Brasil mais sensual e amoroso, precisa ter a mulher como carro-chefe".

Mas isso não seria estimular o turísmo sexual, que é ilegal? "Embora haja hotéis que de fato investem em garotas de programas, o problema não é esse aspecto da prostituição, mas de uma difusão idealizada do 'país mulher'. O próprio entretenimento parece obrigar muitas moças do interior ou das periferias a ficarem 'solteiras', porque até as músicas que rolam no rádio só falam de briga de casal. É uma questão mais ideológica de criar uma nação 'mais sensual' do que de fomentar um esquema oculto de prostituição, embora essa prática seja em parte incluída nos bastidores do entretenimento em geral", explica.

E a maioria masculina numa população enfraquece o movimento feminista? "Não enfraquece", diz Etelvino. "Quantidade não influi na qualidade nem no sucesso de uma mobilização social. A lei tem recursos que permitem que toda pessoa, de minorias a maiorias, tenham sucesso nas suas justas causas. Acho até que a alardeada maioria feminina na população acaba ocultando muitos casos de violência contra a mulher, muitos assassinatos de ordem passional que, pelas brechas da lei, já beneficiam seus assassinos que não ficam muito tempo na cadeia", acrescenta.

"ENCALHADAS" COM PRETENDENTES - Passando pelas ruas das cidades, sejam Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, ou também Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, a situação de homens e mulheres solteiras ou casadas dá uma pista de que a "maioria feminina" pode ser uma ficção.

Enquanto a maioria das mulheres consideradas "interessantes" pela maioria dos homens se compromete com muita facilidade, no campo oposto o número de homens solteiros é enorme. Mas, mesmo entre as chamadas "encalhadas" (nome dado a moças com dificuldade para arrumar namorados), um dado deve ser levado em conta: elas reclamam muito da "falta de homens", mas são constantemente assediadas nas festas noturnas.

Numa vaquejada realizada no interior de Minas Gerais, moças que fazem o tipo "encalhadas irremediáveis" chegam a ser assediadas por pelo menos cinco homens numa só vez. Se alguém for observar o que ocorre nessas festas, uma típica "encalhada" chega a ser assediada em média mensal por ninguém menos que 20 homens.

Observa-se que, de cada dez mulheres que se anuncia "irremediavelmente solteira", apenas quatro realmente vivem essa situação. As demais, na verdade, criam eufemismos para disfarçar sua discriminação estética ou mesmo comportamental dos homens. É como se dissessem que, se um homem brasileiro não tem a beleza e o charme de um Rodrigo Santoro, simplesmente esse homem "não existe".

Além disso, a tão alardeada "falta" de homens nas boates, muito explorada pela mídia grande, se deve, na verdade, ao fato de que muitos homens dormem cedo em suas casas porque no dia seguinte haverá trabalho e estudos. E muitos desses homens chegam a morar muito longe, tendo que acordar de madrugada e chegar tarde da noite em casa nos seus deslocamentos.

"LIMPEZA" ÉTNICA - Outro fato estranho relacionado ao mito da "maioria feminina' é o "ânimo" com que certas reportagens na grande mídia, em várias partes do país, falam da mortalidade de muitos homens jovens.

Citando o "crescente óbito" masculino, as reportagens deixam transparecer um oculto desejo de "limpeza social" na medida em que anunciam que os "jovens mortos" são quase sempre negros e pobres. A informação é quase sempre transmitida sob um suposto otimismo no "crescimento" da diferença oficial do número de mulheres superior aos homens.

"LIVRAR A BARRA" DOS MACHISTAS - A onda de violência passional contra mulheres foi um dos fatores que contribuíram para a diminuição de mulheres na população brasileira. Um fenômeno que atingiu níveis extremos nos anos 80 mas que sempre ameaça com seus novos surtos - recentemente um professor Universidade de Brasília, matou sua ex-namorada a tiros - , na medida em que o "homicida da moda" vira notícia ou é posto na impunidade, contribui ainda mais para que a supremacia masculina na população segundo o Censo de 1960 não tenha se invertido, mas aumentado.

"O maior risco é que uma possível liberdade condicional desse professor possa gerar um novo surto de crimes passionais, o que aliás já está acontecendo", disse Etelvino. Já existem informações de que, em todo o Brasil, dez mulheres são assassinadas por dia por seus próprios maridos, noivos, amantes ou namorados.

A "maioria feminina" estaria na verdade minimizando o efeito da violência, fazendo "livrar a barra" de machistas assassinos que se livram facilmente da prisão e praticamente voltam para a sociedade como se nunca tivessem cometido crime algum ou, em certos casos, até podem viajar para fora do país.

Portanto, o que poderia "fortalecer" o movimento feminista, dentro de uma ideologia do "país mulher" que se aproxima mais dos estereótipos "sensuais" do que de qualquer realidade objetiva, acaba por enfraquecer esse movimento, na medida em que, juntando os diversos aspectos da ideologia, as "perdas" humanas femininas são "coisa mínima e sem importância".

MULHER COMO MERCADORIA - A indústria dominante do entretenimento vê a mulher ainda como uma mercadoria. Recentemente, a modelo Gisele Bündchen criou polêmica por dois comerciais de TV que exploravam a imagem da mulher sob o ponto-de-vista machista.

Mas isso é o de menos, quando dezenas das chamadas "mulheres-frutas", associadas a eventos como o funk, os reality shows e as revistas "sensuais", expõem de forma equivocada a imagem da "mulher bem-sucedida", cometendo gafes e explorando uma visão machista da sensualidade feminina, apesar dessas ditas musas serem solteiras e não dependerem de nenhum homem para ganhar seu sustento.

Portanto, o mito da "maioria feminina", mais como uma ideologia "turística" de um mercado de entretenimento "sensual", mostra o quanto a mídia está atrelada a esses mitos, que na vida cotidiana não convencem muitos homens, mas também não trazem grandes vitórias para as mulheres.

PROPORÇÃO EXTRA-OFICIAL - Atualmente, estima-se, extra-oficialmente, que a proporção média de homens para grupo de cem mulheres é de cerca de 105 para 100, respectivamente.

O maior índice de omissão de homens no recenseamento se dá na Região Nordeste, cuja proporção de homens sobre mulheres não difere muito do Norte e Centro-Oeste, únicas regiões reconhecidamente de maioria masculina.

A cidade de Salvador seria a capital com maior índice de omissão de homens nos dados estatísticos, envolvendo principalmente homens pobres vindos do interior da Bahia. Na capital baiana, a proporção estimada de homens sobre mulheres na população chega a ser de 107 para 100. São Luiz e Maceió também seriam outras capitais nordestinas com maioria populacional masculina não reconhecida estatisticamente.

Na Região Sudeste, cidades como Belo Horizonte e Vitória também mostram alto índice de omissão estatística de homens. Principalmente a capital mineira, conhecida pelo machismo ainda presente em muitos homens.

Em todo o país, apenas capitais como Recife, Florianópolis, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina apresentam maior equilíbrio populacional entre homens e mulheres. E apenas capitais como São Paulo, Porto Alegre, Natal, João Pessoa e Aracaju seriam de fato as de maioria feminina na população.

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