segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O TIRO NO PÉ DA "BOAZINHA" ISTO É



Por Alexandre Figueiredo

A revista Isto É tornou-se o "Bóris Casoy" da vez, competindo com sua "rival" Veja no descumprimento da ética jornalística. Se havia algum pretexto para a Isto É mostrar que a "mídia boazinha" é tão reacionária quanto a mídia conservadora propriamente dita, esse pretexto foi o texto que a revista tenta "afirmar" que o MST acabou.

Muitos sonhavam em ver a Isto É do lado da mídia esquerdista, alegres de ver aquelas reportagens da revista sobre a corrupção de Antônio Carlos Magalhães, por exemplo. Mas depois se descobriu que os repórteres que faziam as boas reportagens publicadas na revista eram apenas exceção numa equipe comprometida com o "jornalismo" mercadológico, de preferência "higiênico" e de acordo com o perfil médio do cidadão conservador "moderado", mas dado a surtos de fúria direitista eventuais.

Mesmo os mais jovens e ingênuos, confiantes na fachada "progressista" de Isto É, chegaram mesmo a "rever" suas posições a respeito do ex-presidente Fernando Collor de Mello, quando a revista passou a apoiá-lo incondicionalmente, entre 2005 e 2006.

Mas, de 2007 para cá, a revista do empresário Domingos Alzugaray fez doer os cotovelos dessa plateia animada, tal qual o Grupo Bandeirantes de Comunicação, outro ícone da "mídia boazinha" e a Rádio Metrópole, em Salvador (BA). Surtos reacionários tão violentos quanto Veja e Folha vieram dessa mídia que parecia "simpática" com as esquerdas.

A "reporcagem" de Isto É parece exprimir o desejo de seu proprietário de que o MST seja extinto e que não haja mais qualquer mobilização pela reforma agrária. Isto É deu um tiro no pé que não a faz uma revista diferente de Veja. Afinal, a "mídia boazinha" ou "mídia fofa" também tem associações com o latifúndio.

O que Isto É não sabe é que o MST não vive de invasões no campo. Pode haver oportunistas que, num momento ou em outro, usem o boné do MST para fazer bagunça, destruir plantações e entregar a culpa na entidade. Mas o MST é uma instituição que não realiza somente protestos.

Afinal, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra também realiza projetos de alfabetização - fortemente inspirados no projeto do educador Paulo Freire - , de treinamento profissional e outras áreas da Educação, mobiliza-se pelo diálogo político, por propostas concretas em prol dos agricultores, e pela luta para combater a concentração de terra no país.

Fica parecendo que a Isto É gostaria que o MST obedecesse à concepção estereotipada que a revista, como o resto da mídia conservadora em geral, estabelece sobre o movimento. Em outras palavras, o MST só "existe" para a velha grande mídia quando faz o seu papel fictício de vilão para o divertimento dos consumidores dessa mídia cada vez mais menos ética e menos profissional.

Por efeito, como o MST se recusa a fazer esse papel estereotipado e caricato que a velha imprensa impõe para ele - como, em outros tempos, queria impor para as Ligas Camponesas, o MST dos anos 50-60 - , então o MST "deixa de existir", quando na verdade o MST continua existindo normalmente, numa atuação que não precisa de alarde a todo custo.

A mídia ladra, e os trabalhadores rurais seguem sua trajetória, como também os desempregados e os desabrigados do campo, batalhando para que sua injustiça social acabe de vez. E que a reforma agrária seja feita não pelo pagamento exorbitante aos latifundiários que cederão suas grandes terras, mas pela redistribuição justa do solo brasileiro para quem realmente interessa, os trabalhadores rurais que produzem alimentos e matérias-primas para nosso país e para o exterior.

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