segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ILUMINISTAS DE ENGENHO: ATÉ QUANDO?


UÉ, CADÊ A BURGUESIA NACIONAL QUE IRIA APOIAR AS ESQUERDAS? O COMPLEXO IPES/IBAD COMEU!

Por Alexandre Figueiredo

Até quando veremos o espetáculo das esquerdas de compactuar com setores híbridos da direita, sobretudo a cultura de centro-direita? Até quando, mais uma vez, o Brasil investirá num novo edifício sócio-cultural construído por andaimes velhos?

Nos séculos XVIII-XIX, tivemos jovens iluministas que, no entanto, compactuavam com os proprietários de terras e de escravos, num estranho "iluminismo de engenho" que nem de longe assimilou as mais nobres lições de liberdade e humanismo propagadas pela intelectualidade francesa.

Entre 1958 e 1964, tivemos a esquerda brasileira, até corajosa e audaciosa, mas que com toda a ingenuidade acreditou que a burguesia nacional iria apoiá-la totalmente. Mas ela, infelizmente, estava associada com a burguesia entreguista, associada ao capital estrangeiro, e foi todo mundo junto com o IPES e o IBAD defender o golpe militar e o regime dele resultante.

Nos últimos dez anos, a intelectualidade esquerdista faz o mesmo erro dos demais acima citados, apoiando uma pseudo-cultura "popular" ditada pelo mercado e pela velha grande mídia achando que essa pseudo-cultura irá resultar num "divertido bolchevismo tropicalista, concretista e bolivariano".

E o que teremos? No século XIX, os escravocratas traíram os iluministas e derrubaram o Segundo Império para colocar uma República Velha que governava tão somente para os proprietários de terras.

No século XX, como dizemos, a burguesia nacional se associou aos brasileiros entreguistas que derrubaram um governo nacionalista e popular para mergulhar o país nas trevas da ditadura de pouco mais de duas décadas.

E hoje a intelectualidade "de esquerda" nem sequer imagina que a "cultura das periferias" que tanto defendem é apoiada até escancaradamente pela mesma velha mídia reacionária que quer criminalizar os movimentos sociais.

Os arrogantes militantes do "funk carioca", por exemplo, estão prestes a apunhalar as esquerdas pelas costas, aderindo às Organizações Globo e à Folha de São Paulo com a indiferença esnobe de um Pôncio Pilatos.

Depois de conseguirem o que queriam, os funqueiros vão assumir no discurso o culto ao "deus mercado" que há muito praticam e vão chamar os esquerdistas que tanto os apoiaram ingenuamente de "otários" ou "manés", estravazando publicamente o que já fazem às costas da intelligentzia nacional.

Daqui a pouco, o mercadão da pseudo-cultura da "periferia" - mas trabalhada por rádios FM oligárquicas e TVs abertas famigliares - mostrará que prefere estar ao lado dos latifundiários, barões da grande mídia nacional e regional, mega-empresários do atacado e varejo e, se preciso for, até por baixo das calças do Rupert Murdoch.

Ou será que os ídolos brega-popularescos estão interessados em saber o que é Teatro Mágico, Conjunto Vazio ou outros grupos de MPB performática? Os "sertanejos universitários" vão assumir de vez que estão com os ruralistas. E os ídolos do "pagode romântico" estão pouco preocupados em saber quando vão gravar algum cover do Itamar Assumpção.

Talvez só daqui a cinco anos, se os sambregas deixem de lotar plateias drasticamente, eles se lembrem de um dos artífices da MPB da Lira Paulistana, depois que Seu Jorge - o talentoso cantor de MPB usurpado pelos bregas-popularescos de plantão - decidir gravar uma das músicas do artista "maldito". Mas aí será tarde para os neo-bregas serem realmente levados a sérios, quando o povo estiver cansado de tantos "coitadinhos" em busca da fama.

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