terça-feira, 6 de setembro de 2011

"FUNK CARIOCA" SE POSICIONA A FAVOR DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO


"BAILE FUNK" NA NOVELA FINA ESTAMPA - Funqueiros nunca desmentiram associação com a velha mídia.

Por Alexandre Figueiredo

No último domingo, a Revista do Globo publicou uma reportagem sobre um "baile funk" feito para a juventude Zona Sul, no bairro da Rocinha. Apostando nos mesmos clichês da campanha midiática sobre o "funk carioca" - sobretudo o uso da surrada expressão "preconceito" - , a reportagem não apresenta qualquer novidade sobre a mesmíssima campanha que o gênero trabalha há pelo menos dez anos.

Na novela Fina Estampa, mais uma personagem foi criada por encomenda para trabalhar a imagem "positiva" do "funk carioca", a personagem Solange, uma adolescente que gosta de ir para "bailes funk" mas é proibida pelo pai machista de ir a tais eventos.

Juntando tudo isso à campanha que o jornal Expresso - o News Of The World das Organizações Globo - faz ao gênero, inclusive tendo contratado um dirigente funqueiro que, fazendo jogo duplo, também escreve para Caros Amigos, tudo indica que o "funk carioca" pouco está preocupado com regulações da mídia e prefere se aliar, mesmo, à velha grande mídia, para tristeza da intelectualidade esquerdista mais frágil que acreditava no caráter "revolucionário" do gênero.

NÃO SE PODE SERVIR A DUAS FORÇAS OPOSTAS

Ainda que os veículos das Organizações Globo façam reportagens sobre envolvimento do "proibidão" (facção do "funk carioca" que exalta a violência) com o crime organizado, a atitude da corporação dos irmãos Marinho é, no conjunto da obra, positiva em relação ao estilo.

Seria muita ingenuidade acreditar que o "funk carioca" aparece na velha grande mídia "por acaso" ou por fruto de uma suposta "invasão na grande mídia". Até porque a aparição dos funqueiros nos veículos da grande mídia - não só as Organizações Globo, como também na Folha de São Paulo e nas revistas Contigo e Ti Ti Ti, do Grupo Abril - nada tem de invasiva, mas de perfeita cumplicidade com o esquemão midiático. Os próprios funqueiros se sentem bem à vontade e completamente amistosos com as celebridades porta-vozes da velha grande mídia.

Isso sinaliza que o discurso duplo do "funk carioca" - que se promove como "vitorioso" na mídia direitista, mas banca o "coitadinho" na mídia esquerdista - pode acabar. Até agora, nenhum funqueiro deu qualquer depoimento querendo romper com a velha grande mídia, e nem mesmo para reafirmar alguma suposta postura de esquerda.

Pelo contrário, os funqueiros é que falam mal da esquerda pelas costas, vista por eles como um bando de "focas de circo". Se um funqueiro diz, por exemplo, que vai substituir a Educação por "bailes funk com cidadania", a intelectualidade aplaude sem pensar. E, para eles, regulação da comunicação, Ley de Medios e Ética na TV não passam de "pura palhaçada".

Além disso, o "funk carioca", de tão levado a sério demais, já começa a demonstrar total arrogância no seu discurso de pretensa vítima. A palavra "preconceito", de tão gasta, já se torna também vítima de preconceito. E, no fundo, o "funk carioca" se constitui num poderoso império mercantilista que faz a população pobre sua maior refém.

Outro aspecto subestimado pela opinião pública é a estrutura empresarial que está por trás do "humilde" estilo. Seus empresários-DJs tornam-se cada vez mais ricos, e mesmo seus "artistas" já começam a sentir o gosto da fortuna, que a associação com a grande mídia, para eles, traz mais vantagens do que uma pretensão esquerdista. Chegam a ser mais ricos do que muito suposto burguês da MPB biscoito fino.

É bom a intelectualidade esquerdista abrir o olho, para não ser apunhalada pelas costas.

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