segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CONGRESSO NACIONAL DO PT: PÓS E CONTRAS



Por Alexandre Figueiredo

O IV Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, ocorrido na última sexta-feira, tem como maior virtude a aprovação de um documento que servirá de um ponto de partida para a campanha que é muito conhecida pela blogosfera progressista, que é a da regulação dos meios de comunicação.

A pauta aliás destacava o tratamento que a imprensa dava ao governo, sobretudo a partir de denúncias envolvendo alguns ministros. Mas também o fato recente da invasão de um repórter de Veja no quarto onde estava hospedado José Dirceu, além da mesma revista publicar uma reportagem cheia de inverdades e imprecisões, no mais típico estilo do sensacionalismo jornalístico.

Estavam presentes a presidenta da República, Dilma Rousseff, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Rui Falcão. A CUT, na pessoa do presidente Artur Henrique da Silva Santos, divulgou uma moção em favor a José Dirceu e contra a revista Veja.

Quanto ao documento sobre a regulação dos meios de comunicação, ele traz vários pontos que enfatizam a pluralidade das informações e fontes consultadas, além de uma participação maior das classes populares.

Quanto ao apoio político, foi reforçada a base aliada de partidos, o que é uma faca de dois gumes. Ela pode significar maior possibilidade de vitórias eleitorais, mas dará continuidade à "salada" partidária que dificulta a plena realização das reformas sociais prometidas pelo partido.

A ênfase na aliança com o PMDB e o recém-(re)criado PSD, junto aos partidos-satélites do fisiologismo peemedebista, como o PP e PR, são um grande risco. Neles há vários políticos que são donos de rádios FM, jornais e emissoras de TV que cometem muitos delitos à cidadania, à democracia e à ética. Regular a comunicação diante de uma patota desse porte, será difícil.

Há também vários ruralistas, mesmo camuflados em siglas de centro-esquerda como o PDT e PSB. E o próprio PSD é composto por antigos oposicionistas ao atual governo, alguns até ferrenhos, e que hoje vestem a fantasia de "aliados de ocasião". São remanescentes do PSDB, DEM e PPS - que, isolados, foram alvo de proibição da cúpula do partido em estabelecer alianças partidárias - que agora se aproveitam da memória curta para bancar os falsos progressistas.

A julgar pelos escândalos que envolveram os ministros, a base aliada eclética demais é responsável em boa parte da situação. E, recentemente, vimos parlamentares "aliados" absolvendo a deputada Jaqueline Roriz, mesmo com o vídeo comprovando o esquema de corrupção da filha do histórico corrupto Joaquim Roriz, espécie de Maluf candango.

O IV Congresso do PT, portanto, foi uma festa. Tudo bem. Mas o PMDB, junto com seus partidos-satélites, e o PSD já botaram seus ovos de serpente, o que pode representar mais freios para o projeto de aceleração do crescimento do seu projeto reformista que irá barrar o progresso verdadeiro do nosso país.

É bom o PT tomar muito cuidado.

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