segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"PRINCÍPIOS" DA GLOBO: PARA DAR RISADA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Rede Globo repercutiu na agenda pública por ter anunciado seus "princípios editoriais" das Organizações Globo no Jornal Nacional. Criou uma teoria "perfeita", dos "mais nobres valores democráticos", mas dentro daqueles padrões direitistas que conhecemos.

Entre outras "afirmações", o documento diz que as Organizações Globo cometeram "mais acertos do que erros". Em que pese o fato de haver, sim, profissionais competentes na emissora, que apenas cumprem obrigações patronais, as OG não só cometeram erros sérios como, logo após o anúncio do documento, cometeram o deslize de noticiar um suposto crime de uma "merendeira", notícia "plantada" (forjada) a partir de uma declaração preconceituosa de um policial.

"Princípios" da Globo: para dar risada

Por Fernando Brito - Blogue Tijolaço

“Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica”

” (um jornal de informação) noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas.”


“Isenção é a palavra-chave em jornalismo. E tão problemática quanto “verdade”. Sem isenção, a informação fica enviesada, viciada, perde qualidade.”

*****

Não se precipite… Os trechos acima não são de um trabalho de crítica ao comportamento de nossa grande imprensa. São, ironicamente, trechos de um texto onde, hoje, o jornal O Globo pretende definir o que são suas práticas e sua postura jornalística.

Óbvio que o texto apregoa a ligação das Organizações Globo com os valores liberais, que praticamente reduzem a democracia à liberdade de iniciativa, às liberdades individuais e à liberdade de expressão das empresas de comunicação, sem uma palavra sequer em realização dos direitos sociais.

Mas nem mesmo como texto liberal pode ser visto como sério ou sincero.

Porque não pode haver sinceridade ou seriedade que não comece com a assunção dos próprios defeitos, com a atitude honesta de olhar sobre si mesmo.

O longo texto, em nenhuma linha sequer exorciza o tenebroso passado de conivência e simbiose das Organizações Globo com o regime militar que, além dos direitos sociais, espezinhou os valores liberais e violou os direitos humanos, à liberdade e até mesmo à integridade física e à vida.

E não se diga que isso é passado, porque o império inicia logo dizendo que “desde 1925, quando O Globo foi fundado por Irineu Marinho, as empresas jornalísticas das Organizações Globo, comandadas por quase oito décadas por Roberto Marinho, agem de acordo com princípios que as conduziram a posições de grande sucesso”.

Tudo o que concedem é um breve e vago “certamente houve erros”. Muito pouco para quem se nutriu e cresceu, como um cogumelo, à sombra da ditadura.

A arrogância é irmã da hipocrisia: a primeira atitude de toda desonestidade intelectual é proclamar, pomposamente, o quanto é honesto e verdadeiro.

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