terça-feira, 30 de agosto de 2011

PEDRO ALEXANDRE SANCHES E A VELHA MÍDIA


A VELHA MÍDIA TAMBÉM GOSTA DE CERTAS "PAÇOCAS"...

Por Alexandre Figueiredo

Em certos momentos, o "esquerdismo" de Pedro Alexandre Sanches chega a ser constrangedor. Malabarista do discurso, sabemos que Sanches dissolve seus conceitos influenciados em Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso em clichês discursivos tirados da retórica esquerdista.

Na revista Fórum e na Caros Amigos - que, talvez por pressões dos distribuidores de revistas, dominados pelo Grupo Abril, contrataram o discípulo de Otávio Frias Filho para escrever resenhas culturais em suas páginas - deste mês, Pedro Alexandre Sanches tentou ser "agradável" aos trabalhadores rurais e "hostil" à velha mídia.

No primeiro caso, referente ao texto da Caros Amigos onde Sanches "mistura" um grupo performático com discursos de defesa do "funk carioca", ele não chega a defesa explícita do MST - seria demais para suas pretensões - mas adota o título "A terra da música é de quem plantar?" com uma ilustração de um agricultor arando a terra, como se quisesse adotar uma poética solidariedade aos trabalhadores rurais.

No segundo caso, Sanches tenta, através da defesa tendenciosa do "coitado do momento", Leandro Lehart, "criticar" a velha mídia, aquela que é simbolizada pela Globo, Folha e Estadão, citadas (talvez por algum "gancho" do entrevistador) pelo ex-cantor do Art Popular.

Sanches já havia "atacado" a Globo e o "velho estilo Folha", além de ter "falado mal" da Abril. Pura incoerência, deselegância e ingratidão. Afinal, sabemos que Pedro Alexandre Sanches em nenhum momento expressou qualquer rompimento com a velha grande mídia, já que sua visão de "cultura popular" é claramente e rigorosamente a mesma que vemos nas primeiras páginas da Ilustrada da Folha de São Paulo e das páginas de O Globo e da telinha da Rede Globo.

Qualquer dúvida a isso é só ler o que Pedro Sanches escreve sobre "cultura popular" e o que programas como Fantástico, Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck e os críticos de Ilustrada mostram. Se a Ilustrada diz seis, Pedro Alexandre Sanches diz meia-dúzia. Se Ali Kamel fala abóbora, Pedro Alexandre Sanches fala jerimum. Dá no mesmo.

Pedro Alexandre Sanches é o crítico musical da velha mídia. Não adianta fazer um rompimento formal, se no âmbito das ideias a aliança com as velhas regras é integral. O maior discípulo não é aquele que louva seu mestre, mas aquele que segue rigorosamente suas lições, ainda que pareça estar brigado com seu mentor.

As lições deste para seu discípulo continuam integralmente preservadas, o que faz o trabalho do mestre ter cumprido sua realização plena, mesmo através do discípulo "desafeto".

Daí que Pedro Sanches ter muita sorte por dois motivos.

Primeiro, o leitor médio de Caros Amigos e Fórum, "emigrado" dos velhos tempos da Folha de São Paulo, ainda lê jornais, revistas e blogues às pressas, o que não permite discernir as pregações neoliberais de Sanches com a lucidez anti-mercado de Emir Sader, por exemplo.

Segundo, porque mesmo a intelectualidade média brasileira é dotada de um pieguismo sentimentalóide que faz com que se defenda ídolos da "cultura popular de mercado" como se fossem "gêniozinhos incompreendidos", através de uma campanha que, apesar da roupagem "científica" (monografias, documentários, reportagens etc), nada tem de lógica ou coerente.

Só que, se alguém ler com muita atenção os textos de Pedro Alexandre Sanches, verá o contraste violento entre os mesmos e outros textos escritos por gente realmente esquerdista como Emir Sader, Venício A. de Lima e Rodrigo Vianna.

Rodrigo, aliás, é um exemplo de alguém que teve a humildade de romper com a velha mídia. Ele rompeu não somente na forma, mas também no conteúdo, sendo elegante até mesmo nas críticas à velha grande mídia, mantendo a lógica, a coerência e a sensatez.

Pedro Sanches, não, porque este, quando parece atacar a velha mídia, é sempre pela voz pequena, pelas palavras miúdas. Ele rompeu com a grande mídia apenas formalmente, mas suas ideias permanecem sempre as mesmas de quando ele cumprimentava alegremente o colega Otávio Frias Filho.

Daí que o pseudo-esquerdismo de um crítico de imprensa "inventado" pelas distribuidoras DINAP e Fernando Chinaglia - que sofrem o forte lobby da velha mídia - de uma forma ou de outra deixam transparecer no neoliberalismo neo-brega de Pedro Alexandre Sanches.

Ele é um crítico que diz reprovar o mercado, mas exalta justamente o mercadão musical brasileiro. Tenta nos fazer crer que a grande mídia musical morreu, mas ela renasce no próprio colunista que o diz. Sua visão sobre "cultura popular" é paternalista, tendenciosa, mercantilista e marqueteira.

No fundo, Pedro Sanches está atrelado, pelo menos indiretamente, aos barões do entretenimento que sustentam o brega-popularesco e aos quais interessa "resgatar" ídolos esquecidos. E esses mesmos barões do entretenimento é que se associam também à velha mídia que Sanches finge odiar.

Pelo menos Pedro Alexandre Sanches deveria ser respeitoso com a velha mídia que o criou e a qual continua seguindo, se não no sentido formal, pelo menos no sentido ideológico.

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