segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GOVERNO PETISTA NÃO INVESTE EM REFORMA AGRÁRIA


O PARTIDO DOS TRABALHADORES TENTA SER CAMARADA COM OS SEM-TERRA. MAS REFORMA AGRÁRIA, MESMO, SEUS GOVERNOS POUCO FIZERAM.

Por Alexandre Figueiredo

A reportagem de capa de Carta Capital, edição 657, dá o tom da tendência atual da mídia esquerdista, que é deixar o sectarismo aos poucos de lado e fazer cobranças até mesmo dos governos petistas que seus jornalistas e blogueiros declaravam apoio.

A reportagem faz a crítica contundente de que os governos do PT pouco fizeram para realizar a reforma agrária, isso apesar da aparente solidariedade que o Partido dos Trabalhadores e o Movimento dos Sem-Terra tiveram em sua história.

Houve um significativo declínio nos gastos dos governos petistas na distribuição de terras aos trabalhadores rurais. Em compensação, desde o período do regime militar, a concentração de terras no país não apenas reduziu como cresceu, conforme constatou o índice de Gini, que em 1967 registrou a distribuição de terras em 0,836 ponto, contra 0,854 em 2006.

O índice de Gini foi criado pelo estatístico italiano Conrado Gini para medir a distribuição de renda, avaliando a situação de desigualdades sócio-econômicas. No caso supracitado, mostra que a concentração de terras no Brasil, que já era grande em 1967 - não é preciso detalhar que o latifúndio apoiou o regime militar - , aumentou em 2006, se aproximando do valor crítico de 1 ponto do índice de Gini.

Segundo o último censo agrário, também de 2006, as pequenas propriedades, que tem menos de 10 hectares, ocupam 2,36% do total de terras, embora representem quase a metadedos estabelecimentos rurais, com 47,86%. Já os latifúndios, com mais de mil hectares, somam menos de 1% das propriedades mas exercem o controle de 44,42% das terras, uma situação que coloca o Brasil num triste destaque, se comparado com a situação de outros países do mundo.

Ultimamente, aumentaram os conflitos de terras nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. São novas vítimas fatais, que denunciaram o drama do coronelismo em suas áreas. As injustiças vividas pelo povo rural são enormes, e ninguém pode denunciar sem que se torne ameaçado de morrer pela rápida vingança da pistolagem.

Esses conflitos ocorrem há muito tempo, há várias vítimas registradas pela História, e lamentavelmente correm até listas de gente que o latifúndio quer matar por simplesmente representar obstáculos ao seu poderio abusivo sobre a terra. E vários dos crimes cometidos tornam-se impunes, pelas brechas da lei que garantem liberdade condicional, ou pelo simples fato de que vários envolvidos nem chegam a ser detidos.

A pouca dedicação do Partido dos Trabalhadores ao assunto mancha a reputação do partido diante de seus aliados históricos, e mostra o quanto o bloco de aliados anda "recheado" de interesses das classes dominantes. Sem falar que os ruralistas agora estão concentrados no PSD que, aparentemente, se definem como "aliados do Governo Federal".

Com aliados como estes, quem precisa de inimigos? Enquanto isso, o povo continua pagando a conta. O latifúndio tem até a "música sertaneja" para fazer bois e agricultores dormirem. Mas o povo não é bobo.

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