terça-feira, 9 de agosto de 2011

A GLOBO E SUA IMAGEM AO GOSTO DO FREGUÊS



Por Alexandre Figueiredo

Nos últimos dias, as Organizações Globo divulgaram, em vários de seus veículos jornalísticos, um documento sobre seus "princípios editoriais". Na última sexta-feira, o Jornal Nacional foi um dos primeiros a anunciar o documento, como forma de tentar "limpar" a imagem da Rede Globo, bastante arranhada pela opinião pública.

A famosa corporação midiática tenta dar a impressão de que sua linha jornalística é "objetiva", "imparcial", "isenta" (de quê, afinal?) e "pluralista". Aliás o "pluralismo" ideológico também foi o tema de propagandas veiculadas tempos atrás pela Folha de São Paulo, quando ela foi bastante arranhada por gafes momentâneas. Mas "pluralismo" também é o mote dos defensores de bregas e neo-bregas, de Waldicks e Valescas, a intelectualidade de filhotes desgarrados de Otávio Frias Filho e sua visão "realista" de cultura popular.

As Organizações Globo "admitem" que "cometeram erros". Mas dizem que seus "acertos" foram bem maiores. O texto do documento, maçante e tipicamente propagandístico, mais parece um release de house organ (nome dado aos periódicos internos das empresas) sobre o perfil da própria companhia.

Na verdade, esse documento só tem um destinatário definido: os anunciantes, ja que eles são quase que o oxigênio da grande mídia. Pois sabemos que um veículo da grande mídia pode perder audiência - como as tediosas programações das "rádios AM em FM", nas quais muito pouco se salva da mesmice noticiosa, opinativa, comunicativa e esportiva reinante - até em 50% que o veículo midiático não larga o osso. Mas, quando os anunciantes ameaçam romper com tal veículo midiático, aí é que aquele programa ou programação correm seriamente o risco.

Por isso, as Organizações Globo não querem que sua mercadoria noticiosa seja mal vista pelo freguês, no caso os produtos que compram seus espaços publicitários. O documento pouco diz ao telespectador ou leitor médio, que vai dormir tranquilo apenas entendendo vagamente que as Organizações Globo, para gente assim, é uma "empresa confiável".

Mas quem sabe das coisas sabe muito bem que a campanha termina por aí, que as Organizações Globo não estão aí para autocríticas e que seu foco se dá por dois aspectos principais que levaram a corporação a uma crise estrutural sem precedentes.

Primeiro, porque um dos grandes magnatas da mídia, o empresário Rupert Murdoch, da News Corporation - que, ao que tudo indica, detém o copyright da marca "News" da Globo News, algo que, por força das leis brasileiras, não é oficialmente assumido - , se encontra no pior inferno astral, e isso reflete na grande mídia brasileira.

Já não temos Octavio Frias de Oliveira, Victor Civita nem Roberto Marinho, que faleceram há um bom tempo, mas a crise que atinge Murdoch de alguma forma pode se espelhar nos erros graves cometidos pelos finados magnatas brasileiros, sobretudo no seu apoio entusiasmado ao regime militar.

Segundo, porque a ascensão da blogosfera progressista faz o controle midiático antes assegurado se tornar cada vez mais frágil. Até pouco tempo atrás, a opinião pública estava sofrendo uma espécie de privatização por conta de jornalistas que, a pretexto de deterem segredos de suas fontes de entrevistados e de sua erudição intelectual, se achavam "senhores" da nossa opinião.

Naquela época esses jornalistas - hoje conhecidos como "calunistas" e "urubólogas" - eram endeusados pelo saber tecnocrático, por "saber" o que nós "não sabíamos", numa reputação que, até uns dez anos atrás, se comparava à que ainda goza, nos dias atuais, os antropólogos, historiadores, sociólogos e críticos musicais que difundem uma visão neoliberal (enrustida) da "cultura popular".

Mas hoje a grande mídia se desespera. Seu "titanic" ideológico começa a se afundar, e seus tripulantes tentam fazer o que podem para manter o status quo de outrora. O documento das Organizações Globo - com alegações não muito diferentes do "manifesto" da Central da Periferia que, no plano cultural, Hermano Vianna publicou no mesmo O Globo que recentemente publica os "princípios" da OG - é uma tentativa da corporação dos irmãos Marinho tentar recuperar o poderio histórico hoje ameaçado. Tanto que um trecho é bastante ilustrativo dessa atitude:

“Desde 1925, quando O Globo foi fundado por Irineu Marinho, as empresas jornalísticas das Organizações Globo, comandadas por quase oito décadas por Roberto Marinho, agem de acordo com princípios que as conduziram a posições de grande sucesso: o êxito é decorrência direta do bom jornalismo que praticam. Certamente houve erros, mas a posição de sucesso em que se encontram hoje mostra que os acertos foram em maior número”.

Típica argumentação publicitária, travestida de um "manifesto editorial". As Organizações Globo apenas queriam falar alto diante dos blogueiros. Quiseram fazer barulho para tentar provar que falam mais alto. Só que há muito já quebraram o silêncio da sociedade indignada. O documento só vai fazer a opinião realmente pública falar mais e mais.

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