terça-feira, 30 de agosto de 2011

DILMA DESAPONTA AS CENTRAIS SINDICAIS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os sindicatos se indignaram quando a presidenta Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega lançaram uma medida para manter o chamado superávit primário, isto é, o aumento do controle de gastos públicos, em detrimento de investir no pagamento da dívida pública. Com isso os projetos sociais e os benefícios aos trabalhadores se tornam comprometidos.

Dilma desaponta as centrais sindicais

Por André Barrocal - Agência Carta Maior

As centrais sindicais criticaram nesta segunda-feira (29/08) a estratégia que governo decidiu adotar contra a crise econômica mundial: redução da taxa de juros do Banco Central (BC) e aumento do controle de gastos públicos (superávit primário). O plano foi apresentado às centrais pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) a dois dias do próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que se reunirá pressionado a baixar o juro.

“O governo disse que a crise pode se agravar e que a forma de enfrentá-la é aumentar o superávit primário. Foi uma ducha de água fria”, disse o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes.

“Não concordamos com o aumento do superávit primário. O que estraga e sangra o Brasil nesse momento é a taxa de juros criminosa praticada pelo Banco Central”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos.

Na reunião, Dilma e Mantega disseram que não é intenção mudar a meta de superávit primário, dinheiro que o governo tira das receitas para pagar juros da dívida pública. Nem cortar verba da área social. O superávit seria maior porque o governo poupará a arrecadação de tributos que exceder às previsões, em vez de usar este dinheiro para reforçar políticas públicas já em andamento.

Neste ano, a meta de superávit primário do governo federal é de cerca de R$ 80 bilhões. Até julho, já foram economizados R$ 66 bilhões. Para 2012, a meta é de R$ 97 bilhões, o equivalente a R$ 510 por brasileiro.

Apesar da reclamação geral, a contrariedade dos sindicalistas vai diminuir, caso o Banco Central dê um sinal de boa vontade e corte a taxa de juros na próxima quarta-feira (31/08). “Só acreditaremos se cair o juro imediatamente”, disse o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Segundo Artur Henrique, Dilma teria dito que o sinal de austeridade fiscal que o governo tenta transmitir ao “mercado” criaria condições para o BC baixar os juros. Mas a posição das centrais, disse ele, é que, “sem pressão sobre o BC”, a taxa não vai cair “automaticamente”.

Por isso, as centrais planejam realizar mobilizações pelo país para pressionar o Copom. “Vamos fazer manifestação na frente do BC, para iluminar as cabeças”, declarou Paulinho sobre os planos da Força Sindical.

A mobilização dos sindicalistas na porta do Banco Central será reforçada por estudantes. No mesmo dia, a União Nacional dos Estudantes (UNE) pretende realizar um ato em Brasília, para pedir mais dinheiro para a educação. Mas o ato começará, logo pela manhã, com uma manifestação em frente ao prédio do Banco Central .

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, que está em Brasília, articulou com as centrais uma ação conjunta na quarta-feira, depois da reunião dos dirigentes sindicais com Dilma e Mantega. Ele também criticou o plano do governo, que estaria abrindo mão de uma estratégia que deu certo em 2008 (usar os gastos públicos para incentivar a economia).

“A UNE é contra essa política fiscal perversa. As medidas anticílicas adotadas em 2008 deram certo, e agora o governo vai na contramão disso”, afirmou.

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