quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A DECADÊNCIA DOS "RIÉLITES" ATINGE 'A FAZENDA'



Por Alexandre Figueiredo

A crise dos reality shows - ou "riélites", como ironicamente se diz - tem mais uma vítima. Numa época em que os ex-integrantes do Big Brother Brasil, que quase entraram no ostracismo, reapareceram em bloco para voltarem à mesmice das noitadas narcisistas, A Fazenda 4, edição deste ano do programa do gênero pela Rede Record, amarga o mesmo desempenho decadente da edição deste ano do BBB da concorrente Rede Globo.

A Fazenda 4, que inclui algumas musas brega-popularescas como Renata Banhara e Valesca Popozuda, além de ícones neo-bregas como Compadre Washington, do É O Tchan, é uma espécie de vitrine para celebridades geralmente hasbeen ou que, caso sejam talentosas, carecem de alguma visibilidade (como a talentosa Ana Markun, filha do jornalista Paulo Markun). Mas, na maioria dos casos, é de ídolos medíocres com receio de caírem no ostracismo que participam de cada edição do programa.

Nem mesmo a recente reputação da Rede Record dos últimos dez anos conseguiu elevar a audiência do programa. Afinal, é um grande equívoco definir a Rede Record como uma "televisão bolivariana", como acreditam algumas pessoas que superestimam as presenças de Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha no telejornalismo da emissora.

Até eles sabem que a Rede Record, mesmo governista, não é uma emissora esquerdista. Soa até patético que certas pessoas, exagerando, achem que até o Gugu Liberato virou "bolivariano" só porque um dos fundadores do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé trabalha na emissora.

Quando muito, a Rede Record é uma espécie de MDB televisivo, em alusão ao partido moderado do regime militar que abrigava desde comunistas moderados até conservadores flexíveis do PSD (dos tempos de Kubitschek, não de Kassab). A Rede Record é uma "salada" que inclui o jornalismo direitista pós-kassabiano de Heródoto Barbeiro, o "jornalismo" brucutu de Wagner Montes e similares, o entretenimento brega-popularesco e, sobretudo, as pregações neo-pentecostais de Edir Macedo e sua turma.

O que houve foi apenas uma brecha para um grupo de jornalistas independentes que, alinhados à esquerda, trabalham na Rede Record sem ilusões, dentro daquela norma que certos veículos profissionalmente jornalísticos incluem: "as opiniões veiculadas por nossos jornalistas não refletem necessariamente a opinião dos donos do veículo de imprensa".

Até certo ponto, as presenças de Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha - Rodrigo Vianna aparece, para o grande público da Record, como um discípulo dos dois - favorece sua visibilidade, mas também cria um público pseudo-esquerdista que, confundindo couve com capim, acha que até o brega-popularesco que ocorre na programação diária da TV Record, sobretudo nos fins de semana, é "cortesia" do Barão de Itararé. Estão redondamente enganados.

A Rede Record é propriedade da Igreja Universal, que em outros tempos até sucumbiu ao direitismo explícito, quando na Bahia chegou a apoiar o grupo político de Antônio Carlos Magalhães, com alguns pastores sendo candidatos a cargos legislativos pelo antigo PFL. Hoje, apoiando o governo petista na condição de simpatizante, é na verdade um eclético ambiente dos mais diversos ramos ideológicos.

Daí que não faz sentido confundir as coisas. E A Fazenda não é um programa que mereça sair incólume pela "Ley de Medios" brasileira reivindicada por Paulo Henrique Amorim. Até porque, juntando as peças, A Fazenda é um concorrente do Big Brother Brasil, com todo o seu vazio existencial e sua banalidade grosseira. É mais um reflexo da mesma linha de programação da Rede Globo do que uma "alternativa mais cidadã" ao programa.

Os próprios blogueiros esquerdistas, como Altamiro Borges e Raphael Tsavkko Garcia, já fizeram duras críticas a programas do tipo "riélite". Não é porque parte da vulgaridade televisiva ocorra fora da Rede Globo que ela será considerada "sem mídia" ou "progressista". O Pânico na TV, por exemplo, comete tantos estragos quanto qualquer telejornal da Rede Globo.

Por isso, a decadência do programa A Fazenda não pode ser vista como uma intriga moralista da madame Catanhêde. Não é boato de urubólogas. É o efeito natural de um processo de desgaste da vulgaridade televisiva em geral.

Um comentário:

  1. Pensei que a população que elegeu Lula e Dilma fosse livrar a cara desse riélite da Record, só porque é vinculado pelo PiG Governista.

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