sábado, 13 de agosto de 2011

ABERTA A TEMPORADA DE "CAÇA" A CHICO BUARQUE



Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade etnocêntrica anunciou que está aberta a temporada de "caça" ao cantor Chico Buarque.

Hostilizado por historiadores e críticos musicais festejados pela classe média pró-brega, Chico tornou-se finalmente o bode expiatório dos sonhos da intelectualidade ilustrada.

Serve até para um Paulo César Araújo disfarçar suas mágoas em relação a Roberto Carlos pela raiva que sente por Chico Buarque.

Agora as qualidades de Chico viraram defeito.

Chico Buarque agora é ruim por tudo de bom que havia feito, e continua fazendo, em sua obra.

Esquerdista autêntico, ele agora é promovido a "beneficiário do regime militar".

Até os erros da irmã Ana de Hollanda são culpa de Chico Buarque, e toda a família Chico Buarque é culpada por suas qualidades, enquanto seus defeitos, mínimos, são superestimados.

Mas mesmo os erros que Ana de Hollanda de fato cometeu não são desculpa para transformá-la numa "Geni" da política brasileira.

Pois a raiva cega daqueles que gostariam de ver Frank Aguiar ou Chimbinha no lugar de Ana de Hollanda, agora reprovam tudo nos Buarque: as boas melodias e letras de Chico, o humanismo de esquerda dele, a trajetória intelectual do papai Sérgio...

Quanto a música de Chico, qual cantor de "sertanejo" ou "pagode romântico" conseguirá se equiparar ao cantor de "A Banda" e do recente CD Chico?

Nem com muito trainée que tão somente enfia muitas orquestras, luzes, caixas de som potentes e paletós de grife nos breganejos e sambregas que celebram seus triunfos comerciais no Domingão do Faustão.

A onda agora é louvar quem é "coitadinho". Pura demagogia da classe média ilustrada, que pouco tem da simplicidade de Chico.

Uma simplicidade que os breganejos, sambregas ou mesmo os "rejeitados" bregas "de raiz" promovidos a "novos gênios", com toda sua postura de "coitadinhos discriminados", não conseguem ter.

Chico Buarque não veio da favela e nem quer substituir os artistas de origem humilde.

Mas ele é do tempo em que os artistas mais pobres não faziam pose de coitadinho para ganharem "respeito", e sua arte era muito mais forte, intensa e original que os breguinhas "coitadinhos" dos últimos anos.

A defesa do brega e do neo-brega e os ataques a Chico Buarque são fruto de um chilique da classe média ilustrada, mesmo a "de esquerda", mas que parece que está a ler o caderno Ilustrada escondido.

Vão para a primeira penumbra de um seminário de blogueiros progressistas que encontrar pela frente, para, aliviados, reconhecerem enrustidamente que Waldick Soriano não seria coisa alguma se não fosse o grande mecenas da ideologia pró-brega, Otávio Frias Filho.

Otávio Frias Filho é o "irmão mais velho" ideológico de Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna e outros. E todos são filhos de um mesmo pai, Fernando Henrique Cardoso.

E todos chorando por ver Chico Buarque ganhar prêmio literário, em detrimento de um jornalista da Globo não ter sido premiado por um romance publicado pela mesma editora que lançou Paulo César Araújo e um Rodrigo Faour defendendo funqueiros.

Mas é a mesma editora que lançou Ali Kamel sonhando com uma diversidade racial de mentirinha, um Merval Pereira arrotando arrogância histórico-política e um Reinaldo Azevedo arrotando pretensiosismo num livrinho pequeno.

No entanto, Chico Buarque é o Celso Amorim da Música Popular Brasileira, com sua atuação elegante, articulada, jovial e prudente.

Tanto que Chico não aprovou a escolha da irmã para ser ministra. E ele mesmo não gosta dos erros cometidos por ela.

Mas a intelectualidade festiva, que chega a sujar suas mãos nas páginas de Caros Amigos, Fórum e Carta Capital ou em blogues esquerdistas para combater a cultura cepecista na qual Chico é apenas um dos expositores.

Acham que "diversidade cultural" é empurrar Banda Calypso, Tati Quebra-Barraco, Calcinha Preta, Exaltasamba e Waldick Soriano para os salões da MPB. Isso é o mesmo que definir como "diversidade ideológica" apreciar o jornalismo padrão dos Civita, Marinho e Frias.

Mal sabem que a cultura popular do CPC da UNE, tão definida (por professores tucanos) como "ideológica", era na verdade um debate cultural entre a Universidade e as classes populares.

A plateia que lamenta ver Waldick Soriano e Michael Sullivan "escorraçados" e "rejeitados" é a mesma que escorraça e rejeita o CPC da UNE, o ISEB e a cultura popular autêntica produzida em larga escala até 1964.

Até porque, de repente, há gente "de esquerda" dizendo que o governo Médici foi "muito popular" e que Jackson do Pandeiro foi uma invenção do DIP do Estado Novo.

Que deve ter inventado também Cartola, João do Vale e Luiz Gonzaga, que teve o filho Gonzaguinha provavelmente criado em Moscou, num acordo feito entre Lourival Fontes e Josef Stalin.

E questionar tudo isso é que é coisa de "arautos de direita". Não é mesmo? Alegria, alegria! Viva os caetucanos dentro da "galera intelectual ilustrada de esquerda"! Tom Jobim morreu, viva Nelson Jobim!

Acústico MTV com Nelson Jobim já, com as participações de Alexandre Pires, Latino, Zezé Di Camargo e Ivete Sangalo. E com a inédita "Sambanejo do Avião", com participação dos Aviões do Forró!

Só falta Ali Kamel dizer que "não somos bregas". E vamos chamar Francis Fukuyama para tocar frigideira na nossa batucada ao som do "pancadão".

E há quem ache que o Brasil será um dos fortes do BRIC dessa maneira. Não, não será.

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