terça-feira, 5 de julho de 2011

TERRITÓRIOS DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA, ITÁLIA E GRÉCIA SOFREM GRAVE CRISE



Por Alexandre Figueiredo

Não deixa de ser irônico que as duas maiores dívidas públicas da Europa, a Grécia e a Itália, sejam países cujo passado histórico tornou-se marcante e diferenciado.

Sabemos que a Grécia, um dos berços da civilização ocidental, foi o país símbolo da Antiguidade Clássica, com suas expressões nas artes, nas ciências e na política. Em seguida, os romanos seguiram o exemplo dos gregos e também tiveram cenário similar, a ponto de adaptar para si até mesmo a mitologia grega. A ponto de deuses mitológicos como Ares, Afrodite e Hermes terem equivalentes romanos como, respectivamente, Marte, Vênus e Mercúrio.

Só que séculos e séculos se passaram, a humanidade se transformou radicalmente depois daqueles tempos heróicos - mas de uma cidadania no fundo injusta, por excluir mulheres e pessoas tornadas escravas - e outras nações passaram adiante no poder hegemônico do Ocidente.

Hoje, as nações formadas pelo legado social de gregos e romanos, a Grécia e a Itália, há muito sofrem seus infortúnios. A Itália chegou a ter uma ditadura, comandada por Benito Mussolini, que lançou o termo "fascista" que popularmente se associa a pessoas autoritárias e conservadoras. A Grécia também teve regime autoritário, mas sem grande repercussão internacional.

Hoje os dois países sofrem suas graves crises, que colocam o povo nas ruas em protesto contra medidas econômicas impopulares. Juntos, os países enfrentam medidas econômicas que visam saldar dívidas financeiras com credores estrangeiros, e isso inclui desde a redução da carga e do valor tributários dos grandes empresários, a pretexto de "mover a economia", até mesmo os congelamentos de salários e o aumento da aposentadoria dos trabalhadores.

A Itália conta com o agravante de ter como primeiro-ministro um empresário de TV, com jeitão de chefão mafioso e ar de cafajeste, Silvio Berlusconi. Que, além de se envolver até com pedofilia, conta com sua base de apoio ex-terroristas piores do que Cesare Battisti, o terrorista de esquerda que Berlusconi usa como "escada" para suas bravatas pseudo-heróicas, na medida em que a extradição de Battisti, hoje vivendo no Brasil, abafaria os inúmeros escândalos que envolvem o chefão da direita italiana.

Passeatas pedindo a saída de Berlusconi e protestando contra as medidas arbitrárias do governo italiano, junto às manifestações dos gregos contra medidas similares, dão o tom das revoltas populares nos dois países europeus. São manifestações espontâneas, nem sempre unificadas ideologicamente, mas unidas por causas em comum.

Pois o que está em jogo é o risco de duas nações de notável passado histórico se reduzirem a meros territórios subordinados aos ditames do Fundo Monetário Internacional. A despeito da Itália fazer parte do G-8.

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