sábado, 2 de julho de 2011

PARA A SUPERINTERESSANTE, BANDA CALYPSO É "INDIE". FALA SÉRIO!



Por Alexandre Figueiredo

Mais uma vez a imprensa conservadora investe no mito de que a indústria cultural "morreu". Como é que um mercado que movimenta milhões pode se declarar "morto", como um tirano que, sorridentemente, renuncia ao poder e se suicida, mesmo com todas as chances de permanecer no poder?

Nosso interesse, é claro, é de que a indústria cultural se torne mais democrática e humana. Mas essa não é a visão dos executivos. Eles querem manter seu poder e seu lucro, e preferem mudar os métodos e até mesmo a estrutura do mercado para eles, ao menos, evitarem sofrer sérios riscos.

Por isso é muito estranho que uma mídia que se alinhe com o pensamento conservador - Globo, Folha e Abril - fale sobre a "morte" da indústria cultural. De repente, no discurso de seus jornalistas, a indústria cultural agora se resume às "redes sociais" da Internet e a supostas "pequenas mídias", sobretudo aquelas atribuídas às "periferias".

Depois da Ilustrada (Folha de São Paulo) e Segundo Caderno (O Globo), é a vez da Superinteressante falar sobre "a música hoje", num discurso fantasioso de que agora os "novos tempos" chegaram, numa falsa "queda da bastilha socialista" do entretenimento mundial.

Há até mesmo dados contraditórios, como o desejo das bandas "independentes" atuais de serem contratadas pelas "decadentes" grandes gravadoras, numa proporção de 3 entre 4. Ou então aquele chavão de superestimar o poder do YouTube de produzir sucessos populares, quando sabemos que esse sucesso ainda é restrito e só cresce se realimentado pela velha grande mídia.

É o caso da cantora de forró-brega Stefany Absoluta, que apesar de aparentemente ter sido lançada pelo YouTube, tornou-se sucesso através das rádios, TVs, revistas e jornais que divulgaram o aparecimento dela no famoso portal de vídeos do Google.

Outra "pérola" descrita pela revista é a falsa ideia de que a Banda Calypso, um dos ícones do milionário - sim, milionário - mercadão do forró-brega, é um fenômeno "independente". Ora, ora, a mentalidade da Banda Calypso, como qualquer nome do gênero, ou mesmo do tecnobrega, do qual o grupo do casal Joelma e Chimbinha é padrinho, é meramente mercantil. Nada tem a ver com o espírito indie que foi marcado nos anos 60, 70 e 80.

Além do mais, a justificativa que um executivo da Som Livre - braço das Organizações Globo no qual a Banda Calypso foi contratada - de que o grupo "continua agindo de forma independente" não convence. É a de que Chimbinha possui sua própria editora.

O que ele fez foi apenas a chamada "livre iniciativa". Se isso é "ser indie", então até a Warner Bros Records e a editora Warner Chappell são "independentes". Chimbinha é apenas um médio empreendedor, nada tem de revolucionário, nem de rebelde, nem de transgressor.

Além disso, a Superinteressante - que chegou a ter o ultraconservador Leandro Narloch no seu quadro de redatores - ainda indicou o famoso livro do tecnobrega de Ronaldo Lemos e Oona Castro, paparicado pela intelectualidade "esquerda de butique" que trata Paulo César Araújo como se fosse um semi-deus.

Lembrando que a Superinteressante é uma espécie de irmã mais nova de Veja, isso mostra o quanto o brega-popularesco não mete medo na mídia direitista, que, pelo contrário, se diverte muito com o povo condenado a esse império da mediocridade cultural.

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