quarta-feira, 6 de julho de 2011

O MACHISMO ENRUSTIDO E SUAS POSTURAS RIDÍCULAS



Por Alexandre Figueiredo

Pode parecer brincadeira, mas no país em que vivemos, ainda dotado de valores machistas, há um protocolo secreto de que, no machismo, nenhum homem tem que falar mal de outro homem e que os procedimentos machistas não podem ser criticados pelos homens.

Sim, sou criticado porque eu, sendo homem, critico o machismo e reprovo o estupro. Já recebi mensagens de troleiros defendendo o Rafinha Bastos, o "humorista" do CQC que fez piada em favor dos estupradores e o É O Tchan, cujo maior sucesso tem uma estrofe narrando alegremente um estupro. São mensagens ora jocosas e grotescas, ora pedantes e pseudo-libertárias.

É um absurdo, mas realmente ocorre de gente defendendo o machismo e as mulheres-objeto, só que de uma forma enrustida que não pareça reconhecida como machismo nem como culto às mulheres-objeto. Já recebi mensagens de mulheres defendendo a Mulher Melão e a Solange Gomes. E fui chamado de "machista" por criticar as mulheres-frutas.

São coisas absurdas dignas de um Febeapá, mas mostram o tom do reacionarismo enrustido em que vivemos. Um reacionarismo que se torna mais complexo, afinal, em 1964, os reacionários pelo menos se limitavam a dizer que eram "democratas" e "paladinos da liberdade". Hoje os reacionários são "esquerdistas", "alternativos", "nerds", "indie", "humanistas", "diferentes", "inteligentes", mesmo sendo o oposto disso tudo.

São posturas ridículas de gente que vive da mentira, do oportunismo e do pretensiosismo. São internautas que mais parecem uma versão nanotecnológica do Comando de Caça aos Comunistas, uma espécie de "AI-5 de bolso", mas que, covardemente, tentam se passar pelo oposto do retrocesso ideológico que representam. Já vi muito reacionariozinho besta fazer falsos ataques à Rede Globo só para impressionar os amigos. Professor Eugênio Raggi faz escola...

Atualmente a questão da mulher brasileira vive uma situação complexa. Vivemos o ocaso dos criminosos passionais, já sem a proteção jurídica de 30 anos atrás. As mulheres são representadas até mesmo na Presidência da República, com sua primeira presidenta. Hoje as mulheres tiveram muitas conquistas, mas também encontram problemas que persistem, como a violência e até mesmo a exploração abjeta da grande mídia.

É o caso das musas "populares" que a cada dia mostram que são menos desejadas, por serem temperamentais, grosseiras e intelectualmente vazias. A raiva dos internautas em verem a decadência de "popozudas" e "boazudas" é evidente.

Elas, mesmo posando de "freiras sexy" ou acorrentadas em árvores, ou dizendo que odeiam ler livros, isso quando seus glúteos não aparecem em close na televisão na hora do almoço, diante da criançada, têm que ser vistas como "feministas pós-modernas" e quem questiona isso é desafiado pela arrogância de seus defensores.

Isso porque a vulgaridade gritante dessas mulheres as faz menos atraentes, mas elas alimentam um mercado editorial milionário, além do entretenimento supostamente popular. O reacionarismo dos defensores dessa vulgaridade não-assumida - sim, eles pensam que isso não é vulgar! - , mesmo partindo de "inocentes" troleiros, mostra que eles se irritam porque as críticas a essas "musas" põem um mercado todo a perder.

Aí esses troleiros tentam "fazer bonito", dizer que "não são machistas" - "machista é vc seu idiota!", dizem - , que "as musas sustentam suas vidas com sua sensualidade (sic)", que "valorizam a mulher brasileira" (mesmo adotando posturas racistas, porque colocam no mesmo patamar mulatas batalhadoras e funqueiras grotescas), mas não conseguem esconder seu jeito Jair Bolsonaro de ser.

As mulheres que lutam por seus direitos - e que se mobilizam em eventos batizados, num humor ferino, de "marcha das vadias" - conhecem esses machistas enrustidos, que vão desde os punheteiros frustrados que brincam com a Internet sem ter algo importante para fazer até adultos machistas enrustidos, que se assustam quando outros homens criticam a postura deles.

Os machistas enrustidos, na medida em que tentam nivelar por igual as musas vulgares e as mulheres batalhadoras, por mais que adotem um discurso politicamente correto e pseudo-cidadão, no fundo querem dizer somente uma única coisa: para eles, mulher é "tudo igual".

Certamente, as feministas entendem essa bronca de homens como eu contra o machismo. Porque o que se critica, acima de tudo, são as injustiças sociais que atingem uma grande parcela da humanidade. E isso não depende de gênero para que se adote uma postura solidária e justa. Não é preciso ser mulher para criticar o machismo. Basta ser contra as injustiças sociais vividas pelas mulheres.

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