sexta-feira, 22 de julho de 2011

A MÍDIA GOLPISTA QUER MOBILIZAÇÃO... DA CLASSE MÉDIA "CANSADA"



Por Alexandre Figueiredo

O alerta foi dado por Altamiro Borges. A imprensa partidarizada e seus "calunistas", num surto reacionário comparável ao de 1963-1964, que resultou no golpe militar, e no de 2005-2006, que deu no malfadado movimento "Cansei", agora prega uma nova manifestação "popular" contra o governo Dilma.

É certo que o governo Dilma Rousseff, com seus equívocos e até retrocessos, torna-se bastante criticável, até mesmo pela esquerda petista. Mas a mídia direitista exagera o tom, e mesmo os erros mais evidentes são pretexto para eles "demonizarem" o discurso, numa histeria paranóica que fez seus "avós" de 1963 falarem na instalação do comunismo pelo governo João Goulart (que, garante sua hoje viúva Maria Thereza Goulart, nunca foi comunista).

Se o pretexto da patota de 1963 era o da "democracia e liberdade" supostamente ameaçadas pelos ventos políticos de Moscou, Havana e Pequim, nos últimos anos o pretexto é o da "ética". Foi essa a tônica do movimento Cansei, que como a antiga Marcha Deus e Liberdade de 19 de março de 1964, contou com a dama Hebe Camargo, a mesma que tentou dizer recentemente que "virou bolchevique", talvez de um jeito irônico e provocador.

A mídia golpista que manda os intelectuais associados - inclusive os que tentam se infiltrar na imprensa esquerdista - dizerem que "movimentos sociais populares" são o povo ir que nem gado para os galpões de mega-eventos para consumir estilos brega-popularescos (do "sofisticado" sambrega ao "polêmico" tecnobrega), agora indaga por que o povo "não vai para as ruas" diante da crise nos bastidores do governo Dilma.

Quer dizer, quando interessa, os "calunistas" ou mesmo os colonistas-paçocas pedem para as classes populares não irem para as ruas, a não ser para pagar seu ingresso baratinho para consumir passivamente o sucesso determinado pelos programadores de rádios FM. Mas, quando é de lhe convir, pede para que o povo "vá para as ruas" pedir a expulsão de presidentes (ou presidentas) que se comprometam com reformas sociais, ainda que cometam erros por conta até mesmo da indigesta salada política de aliados.

É claro que o pânico, no fundo, se dirige à classe média, mas quando é conveniente para a direita, até mesmo as classes populares, os "cidadãos comuns", são usados para defender as causas dominantes. Aliás, a própria "cultura popular" que está aí nas rádios e TV aberta não é mais do que um engodo que agrada e muito os interesses das elites e dos grupos oligárquicos envolvidos.

Diante do clima tenso diante da crise do magnata Rupert Murdoch, no exterior apitou o correspondente brasileiro do jornal El País, Juan Arias, que alertou sobre a suposta crença de que no Brasil "todos são ladrões".

Mas a "banda de música" reacionária teve seu coro engrossado pelos brasileiros Fernando de Barros e Silva, Eliane Cantanhede e Merval Pereira, apavorados com a situação. O Globo recusou-se a publicar o direito de resposta do Movimento dos Sem-Terra. E Veja deve estar preparando, para a próxima edição, também novos petardos sobre o pânico da velha grande mídia.

Até o Instituto Millenium reproduziu um antigo texto de Marco Antônio Villa, da Folha de São Paulo, falando da situação. Aliás, reina um grande baixo astral no portal "imparcial", autoproclamado "instituto" para ver se é levado a sério, que pede o "combate à corrupção", a "reação contra a falência de valores sociais" etc.

COSPIR NO PRATO EM QUE COMERAM

A direita explícita reclama da mesma falência sócio-moral que defendeu através de sua mídia. No entetenimento, a mídia golpista investiu numa decadência de valores promovendo o ceticismo popular diante da corrupção e impunidade e o recreio libertino de uma "cultura popular" sem personalidade.

Só que a direita se fragmentou e, se temos os demotucanos de um lado com seu reacionarismo explícito e seu direitismo ortodoxo, temos outra direita, a "direitinha" que tenta se infiltrar nos canais de apoio à centro-esquerda - podendo até ser, por exemplo, o PMDB e a Rede Record - para aprontar e melar o governo petista que tanto diz apoiar.

Em ambos os casos a direita cospe no prato em que comeu. Seja para difundir, para si mesmos, valores de corrupção para obter vantagens pessoais com facilidade, seja para produzir valores sócio-culturais decadentes que agora são a bandeira de luta da direita "solidária" e da pseudo-esquerda que atrapalham o governo Dilma sob o rótulo de "aliados".

Daí que os erros do governo Dilma Rousseff se devem pela gororoba política que faz ocorrer focos de corrupção no governo, e que fizeram o mesmo nos tempos do "mensalão" de Marcos Valério. Esses erros existem, e Dilma precisa resolver a situação para não perder a credibilidade. Tentativas até ocorrem, com a expulsão de filiados do PR do gabinete do Ministério dos Transportes, mas ainda é pouco.

Pseudo-esquerdistas e direitistas "solidários" podem até se sentirem incomodados quando se fala da antiga associação dos mesmos ao demotucanato que hoje "clama por ética". Mas eles, mesmo "rompidos" com os aliados de dez anos atrás, acabam agindo ao gosto deles, na medida que sua formação conservadora sempre impõe algum empecilho a governos de centro-esquerda que dizem "apoiar com muita paixão".

No fim, os pseudo-esquerdistas e direitistas "solidários" só estão no respaldo à esquerda para apedrejar seus vidros e fugirem. Por enquanto eles juram que são "esquerda até morrer". Mas, se a crise agravar e a bomba cair nas mãos deles, eles voltarão para o seio direitista - note-se que eles nunca rebatem acusações de direitismo com firmeza; uns até gracejam e xingam, mas desmentir não desmentem - e defender o velho conservadorismo que no fundo sempre defenderam.

A cautela que o governo Dilma deve tomar é evitar as pressões de aliados pouco confiáveis, levar adiante seu projeto reformista e procurar rever seus procedimentos socialmente excludentes tomados. Caso contrário, a direitinha, no apogeu da crise, voltará para os antigos amigos, e aí pode até ser que o "novo" PSD se junte ao PSDB, PPS e DEM, e talvez um PR descontente, para criar uma "frente ampla de direita" para o novo pleito presidencial de 2014.

Portanto, o governo federal segue um caminho perigoso. Convém avaliar e rever seus rumos.

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