quarta-feira, 13 de julho de 2011

A FRUTA NÃO CAI LONGE DA ÁRVORE



Por Alexandre Figueiredo

Diante do reacionarismo que já falei dos pseudo-esquerdistas alinhados com a ideologia cultural de direita, dá para perceber que a fruta não deveria mesmo cair longe da árvore, a julgar pelos desaforos expressos em frases como "você é patético", "vá para a m..." e "vá tomar no...".

Com os textos sobre brega-popularesco repercutindo na Internet, revelando as contradições e equívocos desse modelo neoliberal de "cultura popular" vigente há cerca de 45 anos, não há como ver qualquer atitude progressista em internautas que mandam mensagens agressivas porque leram textos que contestam o mérito cultural de seus ídolos.

Eles tentaram desconversar, apoiados por uma intelectualidade vendida para a mídia, dizendo que essa "cultura popular" nada tinha a ver com a mídia com a qual está historicamente associada. Tentam se dizer "progressistas", "esquerdistas autênticos", "socialistas modernos", como se pudessem enganar a opinião pública.

Mas como não conseguem enganar, partem para ofensas. Se irritam completamente e acham que seu reacionarismo de última instância irá salvar qualquer coisa que eles acreditam.

No fundo, se comportam como José Serra no seu fracasso eleitoral ou como Jair Bolsonaro diante dos valores em transformação. Só vestem a capa de "esquerdistas", como um lobo mau que, cansado de se fantasiar de vovozinha, se fantasia de Chapeuzinho Vermelho.

Os valores que esses falsos esquerdistas acreditam está claramente associado ao ideal neoliberal de "livre mercado", aplicado ao que entendem como "cultura popular". Vendo que o senso crítico avança e aqueles valores que mantinham as classes populares sob o férreo controle da mídia, feito criancinhas submissas, começam a desgastar, essa patota reaça começa a mostrar seu nervosismo.

Evidentemente não somos como a "mãe bobinha" do comercial de café e por isso também não dá para creditar nessas reações irritadas, umas jocosas, outras desaforadas, como um "manifesto extremo do progressismo ferido".

O que eles agem é puro reacionarismo direitista, porque no fundo estão defendendo a prevalência do mercado. Tentam enrolar, falando em "cultura do povo pobre", "movimentos sociais", "preconceito" e outros jargões, quando a única coisa que querem mesmo dizer com isso é que reclamam de um mercado em processo de falência.

Afinal, eles não esperavam que os avanços sociais dos últimos anos iriam pôr em xeque todo um sistema de valores baseado na "saudável" subordinação das classes populares ao mercado do entretenimento midiático.

É um mercado alimentado pela mesma mídia golpista, através de veículos como O Globo, Rede Globo, Folha de São Paulo e revistas Contigo e Caras, realimentado por veículos concorrentes, pela imprensa policialesca e pelas rádios FM controladas por oligarquias políticas regionais.

Certamente o brega-popularesco cresceu demais, e esse crescimento sem controle é agora questionado em larga escala. Por isso as irritações da plateia reaça. Os ídolos popularescos têm seus espaços próprios, mas a obsessão deles de partir para plateias mais sofisticadas enquanto tiram o espaço da verdadeira cultura popular, tanto para a contemplação de universitários quanto para a de gente do povo, criou uma arrogância sem limites.

É claro que os ataques tendenciosos que os reacionários defensores do brega-popularesco - seguindo lições do professor mineiro petista-com-bico-de-tucano Eugênio Raggi - tentam se voltar "contra" ícones da direita, como Globo, FHC e Folha, para tentar impressionar e iludir a opinião pública. Até Pedro Alexandre Sanches "espinafrou" a Folha de São Paulo, se aproveitando da memória curta de seus leitores.

Mas não há como desconhecer o vínculo desses reacionários com seus supostos "algozes", e isso não é invencionice alguma. É só lembrarmos de dez anos atrás, quando esses "esquerdistas verdadeiros (sic)" estavam muito felizes com Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Roberto Marinho, Otávio Frias Filho, Antônio Carlos Magalhães e outros ícones da direita.

Se estivéssemos em 2001, a postura desses internautas, intelectuais e celebridades em relação ao círculo político-midiático tucano-pefelista, estaria claramente favorável. Eles estariam se expressando de forma entusiasmada a favor do PSDB, PFL, Globo, Abril, Folha e simpatizantes.

Mas hoje eles cospem no banquete em que comeram e agora "adoram" Che Guevara, Lênin, Fidel Castro, PCB, Lula, Dilma e tudo o mais. Quem eles pensam que nós somos? Marionetes de seu temperamentalismo tosco e cruel? Não.

A própria fúria deles, no contexto em que vivemos no Brasil, só comprova seu direitismo adormecido pela máscara esquerdista. Cai a máscara e o que vemos são feras urrando, hienas gracejando, pessoas que pelo menos poderiam para um instante para chorar, vendo que a sociedade que eles estavam acostumados a acreditar desde 1990 - quando essa patota apoiava abertamente Fernando Collor, mesmo com o confisco das poupanças (que diziam ser um "mal necessário") - , está se desfazendo, perdendo o seu sentido de ser.

"FANTASMAS" DE 1964

No fundo, o que assusta esses internautas é a volta do ativismo popular de 1961-1964, quando havíamos projetos educacionais como o de Paulo Freire, movimentos como os Centros Populares de Cultura da UNE e os artistas populares veteranos eram nomes de valor como Jackson do Pandeiro, Zé Kéti e João do Vale.

Era uma cultura que olhava para a frente, do contrário do brega-popularesco que olha para trás. Já pensou que, no brega-popularesco, temos sempre ídolos retardatários de linguagens musicais saturadas, sejam os primeiros ídolos cafonas de 1964, os ídolos cafonas pós-Jovem Guarda de 1968 e mesmo os "sofisticados" sambregas e breganejos de 1990? Os primeiros faziam imitações de boleros depois que estes saíram de moda, os segundos mal entraram na festa de arromba que estava no fim e nossos "pagodeiros românticos" e "sertanejos" só de uns anos para cá descobriram a "MPB burguesa" dos anos 80.

Por isso, o medo é de que a cultura popular do pré-64, com um povo pobre preparado para pensar criticamente o mundo em que vivemos, causa o maior trauma naqueles que acreditavam na dócil domesticação cultural das classes populares.

Com toda certeza, esse medo desmascara os pseudo-esquerdistas de hoje, porque num momento e outro eles mal conseguem disfarçar as mesmas neuroses que fizeram as elites de 1964 pedir o golpe militar e a ditadura. O medo de que o povo pobre deixe de ser manobrado pela indústria cultural e passe a agir por conta própria, à revelia dos interesses dos barões da grande mídia, que também mexem com entretenimento, inclusive música.

Esses reacionários desejavam uma "melhoria social" do tipo "governo Geisel", tentando substituir o grotesco explícito por uma falsa sofisticação, travestindo mulheres-frutas de personagens infantis, colocando cantores popularescos para gravar covers de MPB, e forjando uma "cidadania" para investidor inglês ver. Tudo "aos poucos", para não assustar os donos do mercado.

Em outras palavras, eles acreditavam numa "melhoria social" subordinada, bem ao gosto do neoliberalismo. Um povo pobre que fosse que nem gado para os galpões consumir os sucessos popularescos das rádios. Uma "melhoria" que não ameaçasse os privilégios econômicos dos latifundiários, dos barões da mídia e do entretenimento, que apenas deixasse o povo pobre "menos miserável", mas longe de ser "mais cidadão".

Se esse modelo de "cultura popular" não tivesse vinculado ao mercado, suas críticas não estariam gerando tanto reacionarismo. Se está, é porque é um mercado que perde dinheiro, porque sempre se moveu dentro de cenários sócio-políticos conservadores.

E a própria raiva de internautas, intelectuais e celebridades só comprova seu direitismo. Podem mandar seus discordantes "para a m..." ou "tomar no...", porque isso não vai adiantar. Essa irritação só irá lhes expor da pior maneira à opinião pública. Como seus para sempre mestres Fernando Henrique Cardoso e José Serra, ou outras figuras históricas do reacionarismo, como Cabo Anselmo e o senador estadunidense Joe McCarthy.

Pelo menos os frutos deveriam reconhecer a árvore de onde vieram.

Um comentário:

  1. Esse pessoal nervosinho se acha dono da verdade. Não sabe a derrota que sofre, e ainda quer disparar grosserias. Esse pessoal só mostra que é tudo de ruim, grosseiro, caluniador, paranóico. E ainda querem se achar "tudo de bom"? É ruim...

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...