sexta-feira, 29 de julho de 2011

CRISE NO PRIMEIRO MUNDO: DÍVIDA NOS EUA E EXTREMA-DIREITA EUROPÉIA



Por Alexandre Figueiredo

O Primeiro Mundo vive, eventualmente, períodos de crises e agitações sócio-políticas. Mas o que surpreende os noticiários nos últimos tempos é que os Estados Unidos da América, considerados a nação mais poderosa do planeta, a única que se tem o direito de ter dois Estados federativos fora de sua extensão territorial - os Estados de Havaí e Alasca que Dwight Eisenhower, o então chefe da Casa Branca, havia dado de presente para Tio Sam em 1959 - , está envolvido em sérias dívidas financeiras.

Sim, a nação mais poderosa do planeta, paradigma do moderno imperialismo político e econômico, está à beira da falência.

Tudo por conta de pesados investimentos em conflitos bélicos em outros países, muitas vezes sem a influência direta dos EUA. Diga-se direta, porque desde a Guerra Fria havia sempre a interferência indireta das autoridades estadunidenses nos outros países, para defesa de interesses políticos e econômicos estratégicos, sobretudo para não perder o poder de domínio para nações concorrentes, que, até 1990, havia sido a URSS.

O Congresso Nacional dos EUA pode votar hoje, ou então em outro dia, o aumento do teto da dívida pública, para permitir o financiamento para o pagamento, e, se não conseguir aprovar o aumento, os EUA terão que adotar a moratória. Aquilo que seus "cães de guarda" brasileiros, os cronistas políticos da mídia golpista, tão esnobemente chamam de "calote".

Essa crise pode pôr em xeque a permanência do Partido Democrata na Casa Branca. Barack Obama, presidente dos EUA, sonha em ser reeleito em 2012, e, se não conseguir resolver essa crise, terá que entregar a faixa presidencial para o rival do Partido Republicano.

Os "luzias" do Partido Democrata, embora não façam diferença, na política externa, aos "saquaremas" do Partido Republicano, na política interna são um pouquinho mais flexíveis do que o principal partido rival. Existe pluripartidarismo nos EUA, mas a política é tradicionalmente polarizada entre os dois partidos. Algo que uma rivalidade entre o PMDB e o PSDB daqui.

Mas se existe a direita ortodoxa, republicana, e heterodoxa, democrata, nos EUA, o que assusta na Europa é a ascensão dos movimentos de extrema-direita em alguns de seus países. Na França, existe a figura do líder político Jean-Marie Le Pen. Na Alemanha, tiveram que destruir o túmulo do nazista Rudolf Hess e cremar seus restos mortais, para evitar que neo-nazistas se reúnam para, a título de homenagear o defunto, rearticular seu movimento.

Na Noruega, o duplo ataque com atentado a bomba e chacina, em Oslo e na ilha de Utoya, teve 76 vítimas fatais oficialmente, embora tenha se anunciado, antes, 92. Surpreende, naquela nação marcada pela prosperidade social, a frieza e o sadismo do autor dos ataques, Anders Behring Breivik, que havia publicado um texto condenando a miscigenação racial e o multiculturalismo, citando até mesmo o Brasil. E vários de seus mortos eram de partidos rivais ao partido ultradireitista que ele apoiava.

Mas mesmo no Brasil e nos supracitados EUA e extrema-direita existe. Nos EUA, o Tea Party, uma espécie de "Cansei" ianque, milita, com o apoio dos radicais conservadores do Partido Republicano, pelo famigerado pretexto da "moralidade" para defender valores aristocráticos medievais. No Brasil, já existe um braço dessa organização, mas o que se vê também são gangues de neo-nazistas dotados de profundo ódio racista e homofóbico, além da fúria que se dirige contra imigrantes nordestinos.

A extrema-direita pode se aproveitar das eventuais crises no Primeiro Mundo e nos países em desenvolvimento para articular movimentos políticos retrógrados e autoritários. É um golpismo que ainda assombra nessas alturas do século XXI.

A crise econômica, através da manutenção das desigualdades sociais, e a conivência social - da mídia, sobretudo, como a Folha de São Paulo que falou bem dos fascistas que fizeram passeata pró-Jair Bolsonaro - é uma boa armadilha para esses movimentos pelo retrocesso sócio-político. Convém abrirmos os olhos.

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