sábado, 16 de julho de 2011

CONSUMISMO NÃO É QUALIDADE DE VIDA


PROBLEMAS SOCIAIS DAS CLASSES POBRES NÃO SÃO SOLUÇÕES, SÃO PROBLEMAS. A DIREITA ENRUSTIDA NÃO ADMITE ISSO.

Por Alexandre Figueiredo

A julgar pelo reacionarismo furioso que os adeptos da música brega-popularesca age contra este blogue e O Kylocyclo, há o nervosismo dos troleiros semelhante ao que José Serra expressou quando viu sua derrota eleitoral ser irrecuperável.

Pois justamente os troleiros, ligados a um padrão ideológico de entretenimento vinculado ao poderio midiático, estão muito assustados pela repercussão cada vez maior do senso crítico que vai contra seus interesses.

No fundo, pode estar implícita uma reação do poder midiático e dos barões do entretenimento diante do desgaste inevitável de um padrão de entretenimento popularesco que durante muito tempo garantiu o enriquecimento de empresários e políticos mediante um processo de intenso controle social das classes populares.

Agora surgem pessoas que desafiam esse poderio, pondo em xeque a letargia sócio-cultural de décadas, e por isso o reacionarismo ressurge com desesperados atirando para todos os lados, uns xingando seus discordantes de "petistas" e "psolistas", outros se autoproclamando "esquerdistas" pelo simples sabor da hipocrisia provocadora.

Afinal, quem é que está por trás desse entretenimento de popozudas e cantores, grupos e duplas popularescos? ONG's, líderes comunitários e ativistas sociais? Não, nada disso. Quem está por trás disso tudo é um sistema oligárquico de empresários do entretenimento, de barões midiáticos, de políticos e latifundiários que hoje andam assustados porque o coronelismo cultural não tem mais a força de persuasão de antes.

Além disso, todo o arsenal apologético de intelectuais, jornalistas e celebridades tornou-se gasto. Acuados, os "coronéis" do entretenimento só restam apelar pela fúria derradeira e demagógica de troleiros, reacionários virtuais que praticam um verdadeiro bullying digital para blogueiros que não pensam como eles.

TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

As transformações sociais mostram que estão sendo para valer. Isso é o que os barões do entretenimento e da mídia não esperavam. Eles imaginavam que era possível promover um progresso social à-la Ernesto Geisel, mantendo os padrões de controle sócio-cultural pela indústria midiática.

Eles imaginavam que a inclusão social era apenas uma questão de enfiar as classes pobres no circuito do consumo pleno. Era apenas promover o estado de bem estar social dentro dos limites determinados pelas classes dominantes. Os salários aumentam, as políticas de pagamento a crédito e poupança facilitadas, o acesso ao ensino superior e ao emprego também facilitados.

Mas as elites imaginavam que isso seria possível com a manutenção de valores associados a padrões culturais de inferiorização social das classes pobres. Sem que o povo pobre esboce um único esboço de senso crítico, apenas limitado a consumir padrões e valores de "cultura popular" determinados por empresários que se passam por "representantes da periferia".

Só que os reflexos das transformações sociais em todo o mundo, e que já no Ceará mostram a revolta popular contra a escravidão sócio-cultural do forró-brega e de seus barões midiáticos, inquietam os reaças de plantão, sejam eles de classe média alta, sejam aqueles ligados a "movimentos" como o "funk carioca".

Não é à toa que o Ceará também foi, no século XIX, um dos primeiros Estados brasileiros a promover a abolição da escravatura, conforme havia lembrado o ilustre médico e deputado Adolfo Bezerra de Menezes num livro publicado em 1869 sobre o assunto.

A nova onda de reacionarismo digital - que, certamente, não é "privilégio" deste blogue, mas o de outros blogues progressistas - revela a insegurança e o medo das elites do entretenimento de que os progressos sociais lhes escapem de seu controle.

E aí haja risadas irônicas, comentários jocosos, acusações indevidas de "inveja", ou frases arrogantes como "você é patético", além de outras grosserias. Essas pessoas não medem escrúpulos de desqualificar blogues só porque estes não seguem a linha do "pensamento único" do establishment do entretenimento.

Tudo isso porque os progressos da sociedade ameaçam seriamente sair dos limites vigentes de controle social. Chega a dar pena que os barões do entretenimento e da mídia que lidam com a pseudo-cultura "popular", agora, se dizem "progressistas de esquerda". No fundo isso não passa de máscara para obter verbas do Governo Federal.

Só que isso causa problemas que já resultam em retrocessos mil. A pressão das elites pode pôr as coisas a perder e deixar o povo no meio caminho da prosperidade econômica plena, mas com parciais conquistas sociais para que se mantenha a massa de manobra para o circo midiático. É muito grande o medo dessas elites de que a qualidade de vida ultrapasse os limites do consumismo desejados por elas.

Os reacionários, por sua vez, querem arrotar moral com seus ataques verbais furiosos, ora grotescos, ora falsamente argumentados. Mas só expõem o medo, a insegurança e a intolerância que sentem num país em processo de mudança.

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