quarta-feira, 1 de junho de 2011

TER SENSO CRÍTICO PARECE "RADICAL", MAS NÃO É


LUÍS BUÑUEL MOSTROU OS ABSURDOS DA VIDA HUMANA EM SEU CINEMA. MAS SEUS FILMES NÃO SÃO MUITO POPULARES NO BRASIL.

Por Alexandre Figueiredo

Se todos os problemas do país se restringissem apenas ao âmbito político e econômico, estaríamos feitos. Mas ter senso crítico no país, quando este avança para além dos limites do conformismo coletivo, passa a ser discriminado porque é "radical demais", "rancoroso", "intolerante" etc.

Até agora não recuperamos rigorosamente o projeto de Brasil que foi interrompido em 1964. Falta o âmbito dos valores culturais, que nos dias de hoje parecem um misto maluco do conservadorismo da Era Geisel com a libertinagem da Era Collor.

Os textos deste blogue conseguem assustar quem não os compreende bem, como também apavoram quem tem medo do teor crítico dos mesmos. O Brasil acumulou, em 47 anos, tantos absurdos que as pessoas se acostumaram. Esses absurdos foram se acumulando aos poucos, em doses homeopáticas, virando de cabeça para baixo os valores éticos, culturais, morais.

É muito mais cômodo cruzar os braços ou reclamar pelas costas, pela voz pequena das mesas de bar. Parece equilibrado, mas não é.

MINGAU DE AÇO está sentindo na pele o que muitos ícones da mediocridade sócio-cultural dizem sentir mas não sentem. Afinal, ser vítima de preconceito não é coisa de qualquer um. Hoje virou até moda dizer que foi vítima de bullying. E hoje muitos rapazes que praticavam bullying, humilhando colegas mais "frágeis", agora se dizem vítimas, quando na verdade eles foram os algozes.

Fico recebendo constantemente mensagens ultra-reacionárias nos meus dois blogues, este e O Kylocyclo. Não se pode informar nem contestar o estabelecido. Temos totens "sagrados" que não podem ser criticados de forma enérgica, ainda que equilibrada. Tem muito internauta que mais parece um "AI-5 de bolso" de tão reacionária.

Mas não sou só eu que recebo mensagens assim. Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha, Raphael Tsavkko Garcia e Rodrigo Vianna tambem recebem, e têm que vetar as mensagens porque elas são tão grotescas. Raphael também assusta muita gente apelidando seu blogue de "Angry Brazilian" ("Brasileiro Zangado"). Nada mais "rancoroso", pensaria muita gente.

Tantos absurdos foram acumulados, relacionados à mediocrização sócio-cultural - que no seu pano-de-fundo esconde mecanismos de controle social das classes populares - , que seria mais cômodo e confortável cruzar os braços, dizer amém e vivermos felizes botando os cadáveres dos ativistas sociais nas gavetas dos fichários enferrujados.

Na verdade, o rancor está nos reacionários que mandam mensagens, algumas delas de uma irritabilidade lastimável e de uma falta de respeito tremenda. Como é que o cara que diz "vá a m..." ou "você é ridículo, mané!" vai querer ser respeitado?

Paulo Henrique Amorim, então, é até processado. E, pasmem, um banqueiro como Daniel Dantas - que financia boa parte dos valores e totens "estabelecidos" para os quais somos obrigados a "respeitar" (leia-se baixarmos a cabeça e engolirmos sapos) - jogou 37 processos contra o jornalista, porque ele também "pega pesado" em muitas informações.

É triste esta situação. É lamentável. E mostra o quanto existe de golpismo por parte de muita gente, temerosa de ver aquela "calmaria" alienante, corrupta e pseudo-democrática dos anos 90 ruir completamente diante das transformações sociais.

Além do mais, esse pessoal que dispara processos judiciais contra jornalistas progressistas e os internautas que mandam mensagens agressivas não são mais do que gente frustrada, traumatizada, daí o tom de fúria de suas reações.

Eles não têm moral para acusar os outros de "reacionários", porque estes desafiam o "sistema" que deixam aqueles felizes. Porque seu reacionarismo está claro, no seu desespero de impor os valores da grande mídia e do mercado neoliberal como se fossem os "valores da sociedade ou da cultura popular".

Mas talvez a vida mostre desilusões maiores a essas pessoas. Sua agressividade as expõe mal, e se um internauta perde a cabeça ao ler um texto que não gosta, é capaz de perder a cabeça até mesmo contra namoradas, amigos e patrões.

Afinal, é como diz o ditado popular: "Quando a cabeça está quente demais, os pés estão demasiado frios".

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