sábado, 11 de junho de 2011

A PSEUDO-CULTURA "POPULAR": É O MERCADO, ESTÚPIDO!!


A INDÚSTRIA DE CERVEJA, CONSUMIDA EM BARES, TAMBÉM SE ENRIQUECE COM O IMAGINÁRIO "POPULAR" DO BREGA-POPULARESCO.

Por Alexandre Figueiredo

O politicamente correto anda estragando as pessoas, camuflando posturas anti-sociais com desculpas falsamente humanitárias.

Pois a defesa da dita "cultura popular" do brega-popularesco, com seus pretextos supostamente a favor das classes populares, é na verdade carregada de preconceitos sociais profundos, que esses setores da classe média - alguns relacionados a profissionais liberais, ao empresariado e aos barões da mídia e do entretenimento, não obstante parentes dos "modestos" internautas reacionários - tentam esconder de todo jeito, de preferência chamando de "preconceituoso" o primeiro discordante que encontrar pela frente (ou pela Internet).

Essa postura tão "generosa" e "bondosa", por trás desse discurso às vezes dócil, em outras desesperado, carregado de um nervosismo que contamina até monografias de ciências sociais, está na verdade interesses que nada têm a ver com o pretenso zelo ao patrimônio cultural do povo pobre.

Este patrimônio, aliás, foi surrupiado pelas elites durante o regime militar, de tal forma que o povo nordestino tornou-se incapaz de fazer seus baiões, xaxados, modinhas, afoxés, hoje "patrimônio" das elites sulistas e sudestinas do país. Mas, em compensação, os nordestinos "podem" fazer disco music misturado com country music, ritmos caribenhos e sanfona... de música gaúcha(!).

No politicamente correto, até fascistas podem se transformar, de repente, em "filantrópicos", através de um discurso verossímil. Mas, numa análise mais cuidadosa, esse discurso falha quando aparecem contradições que demonstram que esse despotismo "esclarecido" de parte da sociedade quer, na verdade, é manter o sistema de dominação social das classes populares, dentro de um modelo de "felicidade" que a classe média julga "melhor" para o povo pobre.

Ora, por trás da defesa do brega-popularesco simbolizado por músicos medíocres, musas vulgares, comediantes maliciosos e por uma imagem caricata do povo pobre, existem interesses mercadológicos e políticos que seus defensores tentam o máximo esconder.

Para todo efeito, somos induzidos e até forçados a acreditar que tais defensores são "realmente solidários" com o povo pobre. Mas, no fundo, são apenas como o moleiro do conto do amigo dedicado de Oscar Wilde.

INTERESSES MERCADOLÓGICOS

Afinal, por trás desses ídolos "populares", encontram-se empresários do entretenimento que se enriquecem demais com seus protegidos. São músicos que agitam um mercado milionário de apresentações ao vivo, produção de eventos, aparição na mídia.

Hoje muita gente acha "sofisticados" os ídolos do "pagode romântico", "sertanejo" e axé-music que aparecem com facilidade na grande mídia, mas poucos se lembram que eles alimentaram suas carreiras num mercado movido pelo jabaculê radiofônico, um esquema de propina nas rádios cuja gravidade é subestimada hoje em dia, mas sua prática continua atual, embora mais sutil.

Mas mesmo os ritmos mais "grotescos" como o "funk carioca" e o "forró-brega" (e seu subproduto, o tecnobrega), na verdade, também constituem em empreendimentos milionários por onde referenciais como Oswald de Andrade e Malcolm McLaren passam invisíveis, enquanto Francis Fukuyama e Henry Ford estão à vontade diante das "aparelhagens" ou dos "bailes funk".

Até porque, por mais que os adeptos da demagogia retórica do "funk carioca" e tecnobrega tentem rir quando alguém diz que os dois ritmos tenham grandes empresários por trás - os mesmos disc-jóqueis funqueiros e donos de "aparelhagens" que investem em alta tecnologia e vários deles são até latifundiários - , a realidade é que esse empresariado existe e exerce um poder econômico dominador sobre as classes pobres, já manipuladas por esses "alegres empresários" que nunca aparecem de terno e gravata.

E as musas popozudas, que alimentam o mercado editorial de revistas de fotos "sensuais"? E o jornalismo "policialesco", que estabelece "parcerias" até com dirigentes de futebol? E as rádios FM que alimentam toda essa "cultura popular"? E as redes de televisão?

Será que ninguém entende que a "inocente" intromissão do mercado no brega-popularesco não é mais do que um recurso para manter o controle social e político das classes populares, enquanto favorece o enriquecimento fácil, rápido e imenso de todo um empresariado associado?

Será coincidência que as primeiras apresentações de ídolos ligados a tendências como axé-music, breganejo e forró-brega são patrocinadas por oligarquias políticas e latifundiárias da região? E por que a grande mídia golpista que repudia os movimentos sociais sentem tanta simpatia com os "discriminados" tecnobrega e "funk carioca"? Mera coincidência?

A realidade é que vivemos uma "cultura popular" de mercado que sufoca as verdadeiras expressões da cultura popular, além de promover o enriquecimento das elites envolvidas.

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