quinta-feira, 30 de junho de 2011

ESCÂNDALO DO FORRÓ-BREGA PODE REPETIR NO "FUNK" E NA AXÉ-MUSIC


PEQUENAS MÍDIAS, DESDE QUANDO? - A Rede Som Zoom Sat mostra que aquele papo de "pequenas mídias das periferias" não passa de mera lorota.

Por Alexandre Figueiredo

O brega-popularesco sofre tanto desgaste no Brasil que até mesmo as musas envolvidas com algum de seus ídolos, como ex-mulheres de cantores brega-popularescos ou ex-dançarinas e ex-cantoras de apoio, mesmo descasadas ficam em baixa no mercado da vida amorosa.

O desgaste, como era de se imaginar, começa a ocorrer nas regiões onde se originaram os ídolos cafonas que mais tarde simbolizariam a Teoria da Dependência de FHC aplicada à "cultura popular" e defendida por ideólogos como Paulo César Araújo e Hermano Vianna.

No Ceará, na Bahia e no Pará - onde o cenário sangrento do conflito de terras contrasta com a imagem fictícia do pará-iso tecnobrega - , o forró-brega torna-se um dos primeiros estilos a sofrer rejeição da intelectualidade, causando um processo inverso de multiplicação de vozes críticas, e não apologéticas.

O caso da empresa Som Zoom, que inclui agência de talentos, rede de rádios e gravadora, mostra de forma explícita o quanto o discurso de "pequenas mídias das periferias" não passa de lorota, ainda que o tão alardeado discurso ainda continue valendo oficialmente, transformando os ideólogos do "sul maravilha" (Sul e Sudeste) em semi-divindades praticamente irretocáveis.

Mas a rejeição vivida pelo forró-brega e sua hegemonia cancerígena está muito longe de representar aquilo que os "semideuses" da antropologia, sociologia e crítica musical definem como "moralismo" ou "preconceito". Nomes como o músico Dihelson Mendonça e a jornalista Rachel Sheherazade começam a se tornar respeitáveis com suas críticas que nada têm de moralistas ou preconceituosas.

O escândalo do forró-brega, a partir de denúncias difundidas com mais frequência pela blogosfera e até por jornais e monografias universitárias, revela uma concentração de poder dos empresários do entretenimento - como o Som Zoom - , além de um cenário marcado pelas chamadas "bandas com donos" (lideradas por seus empresários), que gravam um repertório quase sempre de covers de música estrangeira ou composições de gosto duvidoso feitas por forrozeiros de terceiro escalão.

Além dessas músicas não representarem qualquer expressão de regionalidade, os valores sócio-culturais transmitidos por seus ídolos é chocante até mesmo diante de critérios morais mais flexíveis, pois defendem da infidelidade conjugal ao alcoolismo. Não bastasse isso, muitos cantores, músicos e dançarinos são explorados de forma cruel pelos seus empresários, tendo que obedecer a uma sobrecarregada agenda de apresentações.

O mercado tornou-se tão poderoso que os empresários são capazes até mesmo de investir na penetração do forró-brega em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis. Todo o seu poderio econômico é de certa forma escancarado que as alegações de Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches e companhia de que o "neo-forró" é expressão de "pequenas mídias do povo das periferias" tornam-se desprovidas de sentido e lógica.

Só que os escândalos do forró-brega podem revelar bastidores igualmente cruéis em estilos como o "funk carioca" e a axé-music, com estrutura empresarial similar, além do tecnobrega, que na prática é um subproduto do forró-brega (também chamado de "neo-forró", "forró eletrônico" e oxente-music).

O breganejo, que opera com uma estrutura mais conservadora, tem outros escândalos e manobras. Sabe-se, contudo, que a dita "música sertaneja" possui apoio explícito dos grandes proprietários de terras concentrados sobretudo no Norte, Centro-Oeste, e no interior de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. E que mantém associações com o chamado "pagode romântico", estilo diluidor do samba cujo sucesso predomina na região Sudeste.

Já a axé-music - incluindo seus subprodutos como o "pagodão" e o arrocha - e o "funk carioca" podem mostrar o mesmo quadro de exploração e poderio empresarial que hoje tornam-se conhecidos através do forró-brega. E que podem, nos próximos instantes, mostrar aspectos espantosos na dita "cultura popular" veiculada pela grande mídia.

Um comentário:

  1. Há de se anotar o grande patrono da axé music: o falecido senador Antonio Carlos Magalhães. O homem se foi, mas seus herdeiros continuam aí, fora do poder apenas nos governos federal, baiano e soteropolitano, e dentro do poder nos outros segmentos da sociedade. Principalmente na mídia de massa e no entretenimento.

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